Pteroglossus bailloni, araçari-banana.

 

    Como fotografei 1000 aves brasileiras

Maria Albers



    Mesmo sem ser fotógrafa, recebi o convite de uma amiga para fotografar aves. Não podia imaginar como esta atividade transformaria minha vida. No início fotografei aves nas proximidades de casa. Aos poucos expandi os limites para os parques da cidade de São Paulo, fazendas de amigos, matas no litoral, parques estaduais, cidades próximas.
Através de uma agência de Ecoturismo, com um grupo de observadores e fotógrafos de aves fui a Tavares, RS. Fiz mais de cem lifers!
No site WikiAves postava minhas fotos e ao ver as fotos de outros colaboradores vinha o desejo de fotografar outras espécies e conhecer novos lugares.
Fatos curiosos e inesquecíveis marcaram as saídas para fotografar.
Certa vez, com uma amiga, decidimos ir ao Pantanal, no Mato Grosso. Em Cuiabá alugamos um carro e partimos. Nas paradas para fotos na Transpantaneira, as picadas dos insetos incomodavam.
Protegi os braços com uma camisa de manga comprida que peguei no porta-malas. Não pudemos continuar a viagem, pois esqueci a chave trancada dentro do porta-malas. Demorou para passar um veículo e nos ajudar.
Outro grupo formou-se e a meta agora era Manaus, AM. Ao voltar de uma saída a campo, na larga estrada de terra batida, sentada no banco da frente, avistei algo e perguntei ao amigo que dirigia, “O que tem lá na frente, no meio da estrada?”. “É grande”, respondeu.
Com a aproximação do nosso carro, o gavião-real voou e pousou por um minuto em uma árvore próxima. “Sorte de principiante”, ouvi. O registro estava feito.
As pesquisas continuavam. Eu filtrava no WikiAves as espécies ainda não registradas em cada localidade que gostaria de ir, para conhecimento meu e do guia. Também pesquisava nos guias de campo que eu adquiria.
Com vários grupos viajei para Roraima, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina.
No Espírito Santo estávamos em três, além do guia, no segundo dia à procura da saíra-apunhalada. Caminhamos morro acima, afastando o mato alto para podermos passar. Quase desisti. Já no topo do morro, com a magia do play-back, um pequeno bando veio pousar nas árvores próximas!
Também visitei alguns lugares nos estados do Ceará e Bahia, onde foi possível encontrar aves míticas, como o soldadinho-do-araripe, o chifre-de-ouro, o beija-flor-de-gravata-vermelha, a arara-azul-de-lear, entre outras.
Percebi que faltavam poucos registros para completar 1000 espécies de aves brasileiras. Fui atrás de fotografar lifers em localidades próximas, mas nem mesmo os experientes guias faziam milagres.
O meu último registro antes de completar a marca desejada foi em Santiago do Chile, com um guia local. Na Cordilheira dos Andes, a 2500 metros de altitude, avistei e registrei um gavião pousado em uma luminária. O guia o identificou como gavião-de-costas-vermelhas e informou: “Tem no Brasil”. Desse modo, nas alturas, completei as 1000 espécies, antes do final do ano de 2014, como eu desejava.
Tanta aventura, tanta alegria, que aqui compartilho com os leitores de Atualidades Ornitológicas, só foi possível graças ao incentivo de amigos e guias conhecedores de suas regiões e das aves nelas encontradas.
 

http://www.wikiaves.com.br/perfil_gracaalbers

 

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Última modificação (Last modified): setembro 10, 2015