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Perfil: o fotógrafo

Anselmo d’Affonseca

 

No ano de 2004, com a compra de um equipamento profissional, realizava o sonho de criança de fazer fotografia de qualidade.
Sempre tive uma relação intensa com meio ambiente, fotografia e aves.

Era, e sou ainda, fascinado por fotografia de natureza, aquelas padrão National Geographic, principalmente fotos macro de insetos e plantas.

Antes dos 10 anos de idade acompanhava meu pai aos domingos na caça esportiva à codorna-amarela (Nothura maculosa), conhecida na região como codorna-piriri. Coisa comum naquela época. Com meu estilingue (badogue, na Bahia) atrás de passarinho eu ficava tão animado quanto os cães perdigueiros (pointers). Acordar cedo e ver aquela movimentação de aves, o cheiro do mato, o orvalho, a luz...
Não poderia deixar de fazer aqui a mea culpa, mesmo aliviado por saber que nenhuma das espécies que eu persegui estão hoje ameaçadas.

Creio não ser necessário aqui ressaltar o “papel” do desmatamento. Com o passar dos anos fui tomando consciência e finalmente parei de caçar.

Gostava tanto das aves que, fazendo o curso de Medicina Veterinária, o primeiro livro que adquiri foi Ornitologia Brasileira – uma introdução, do saudoso mestre Helmut Sick.

Confesso que por um longo período senti falta da intensidade do que me motivava a entrar no mato e finalmente em 2006 comprei uma lente que possibilitava fotografar aves.

Foi como voltar a “caçar”. No início fotografava as aves visando quase que exclusivamente a qualidade fotográfica. Sempre achei uma injustiça retratar mal uma ave e mesmo hoje reconhecendo a importância do registro sempre tento mostrar toda a sua beleza, o que nas aves amazônicas ainda estava escondida nas prateleiras das coleções.

Morando em Manaus senti o peso da responsabilidade, principalmente depois de conhecer o Dr Mario Cohn Haft e Ingrid Macedo no INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

Eles me incentivaram tanto que acabamos fazendo um livro juntos: Aves da Região de Manaus.

Finalmente em 2009 conheci o Wikiaves e entendi imediatamente a importância que ele teria para convencer e motivar mais gente a “entrar no mato”, num país que canta suas florestas em prosas e versos mas que na pratica parece querer ver “tudo limpo”.


Anselmo d’Affonseca

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