N.100 - Março/Abril (March/April) de 2001

 

Caracterização de populações naturais de psitacídeos (Aves: Psittaciformes) através de marcadores moleculares

Patrícia de Jesus Faria

RESUMO

Existem vários fatores relacionados à viabilidade de populações ou espécies, entre eles estão fatores demográficos, ambientais e genéticos. Planos de conservação devem procurar levar em conta todos eles, inclusive a manutenção de níveis adequados de diversidade genética. 
Atualmente existem vários marcadores moleculares disponíveis para auxiliar o entendimento da situação genética de determinadas espécies. Por exemplo, níveis de diferenciação populacional podem ser avaliados utilizando-se estimativas de heterozigosidade, riqueza alélica e freqüência gênica.
Com a finalidade de estabelecer comparações entre diferentes populações de uma mesma espécie e poder verificar a existência de estruturação populacional, foram estudados cinco espécies da família Psittacidae (Anodorhynchus hyacinthinus, Ara chloroptera, Ara ararauna, Amazona brasiliensis e Amazona pretrei), que apresenta inúmeras espécies vulneráveis ou ameaçadas de extinção. 
Em um primeiro momento, foram testados marcadores moleculares de quatro tipos distintos (minissatélites de loco único, microssatélites, regiões entre microssatélites e seqüenciamento da região controladora do mtDNA). Após a seleção dos marcadores mais adequados, procedeu-se a caracterização das populações.
Foi observada uma pequena diferenciação entre as populações do Piauí e do Pantanal de Anodorhynchus hyacinthinus. Esse resultado é esperado nessa espécie que apresenta distribuição restrita e é altamente especializada na dieta e nidificação, podendo ser decorrente de um processo de fragmentação do hábitat, impedindo o deslocamento dos indivíduos ou ainda ser uma característica dessa espécie que não deve apresentar migrações de indivíduos entre diferentes localidades.
Resultados obtidos com as outras duas espécies de araras (Ara chloroptera e Ara ararauna) também sugerem que populações de localidades mais distantes geograficamente também são geneticamente mais distintas. O fato de haver indício fraco de estruturação populacional nestas espécies é esperado pois elas apresentam ampla distribuição geográfica e são espécies mais generalistas.
Em relação aos papagaios (Amazona brasiliensis e Amazona pretrei), poucos marcadores puderam ser utilizados. Este fato, aliado ao pequeno número amostral, tornou impossível levantar hipóteses mais concretas sobre estrutura populacional nessas espécies.
Resumo da tese de mestrado de Patrícia de Jesus Faria defendida em 06 de outubro de 2000 no Departamento de Biologia, Instituto de Biociências, USP sob a orientação da Profa Dra Cristina Yumi Miyaki.

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A publicação ARATINGA (ano II, nº3, março 2001), da Melopsittacus Publ. Científicas, apresentou a página que reproduzimos abaixo, sobre esta edição 100 do AO.

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Última modificação (
Last modified): 10 março, 2014