ALGUMAS CARACTERÍSTICAS CROMOSSÔMICAS DO CANÁRIO

( Serinus canarius, Fringillidae, Passeriformes, Aves)

Aldo Waldrigues

Cariotipo do canário (Serinus canarius) obtido da medula óssea de seus membros inferiores. A = macho; B = fêmea

 

O canário (Serinus canarius) foi citologicamente estudado pela primeira vez por Ohno e cols, em 1964. Naquela oportunidade esses pesquisadores observaram um número total de cromossomos para essa espécie de aproximadamente 80. Destes, 18 eram cromossomos grandes, denominados Macrossomos, enquanto os demais (62) eram cromossomos pequenos, denominados Microcromossomos.

Os cromossomos do canário agora preparados foram obtidos a partir de dois exemplares adultos (1 macho e 1 fêmea) previamente colchicinizados por duas horas e então sacrificados para a obtenção da medula dos ossos de seus membros inferiores. As melhores metáfases foram fotomicrografadas e copiadas em papel análise numérica e morfológica de seus elementos. A figura 1A mostra os cromossomos de um macho, enquanto a figura 1B, os de uma fêmea.

O número diplóide de cromosssomos dessa espécie parece realmente estar em torno de 80 unidades. Destes, 9 pares (18 cromossomos) são do tipo Macrocromossomos, enquanto 31 pares (62 cromossomos) são Microcromossomos. (Fig. 1A e 1B). Os macrocromossomos foram considerados todos num único grupo A: enquanto todos os microcromossomos foram também considerados num único grupo, o grupo B.

Os macrocromossomos números 1,2 e 4 são submetacêntricos (centrômeros com posicionamento fora da região mediana, o que o deixa com um braço maio que o outro); os cromossomos sexuais W e Z são metacêntricos ( centrômero na região mediana, o que faz com que os dois braços sejam aproximadamente do mesmo tamanho): os cromossomos 3 e 5 são subtelocêntricos (centrômero com posicionamento na região subterminal, o que o deixa com um braço muito maior em relação ao outro). Os cromossomos número 6,7 e 8 são telocêntricos (centrômero com posicionamento na região terminal).

O cromossomo sexual Z é o quarto em tamanho na ordem decrescente, enquanto o cromossomo sexual W é o sétimo. Uma ave do sexo masculino apresenta dose dupla do cromossomo sexual Z, ou seja ZZ (sexo homogamético). Uma fêmea apresenta o complemento cromossômico ZW (sexo heterogamético).

O que chamamos de características ligada ao sexo (sexo ligado) é geneticamente herdada por genes que estão na parte do cromossomo Z que não apresenta correspondência com o cromossomo W, apesar dos dois formarem o par sexual. Entre essas características se pode citar: o Ágata, o Canela, o Pastel, o Isabelino, o Marfim e o Acetinado. Sendo o macho de constituição ZZ e estas características recessivas (isso é, só se manifestam fenotipicamente na ausência da informação do fenótipo dominante) se faz necessário que nos seus dois cromossomos Z haja informação para as mesmas, e só, então, daí eles apareçam externamente na plumagem do canário macho. No entanto, como as fêmeas têm somente um cromossomo Z, basta que o mesmo contenha a informação para que ela a apresente fenotipicamente.

O cromossomo W, na porção que não apresenta correspondência gênica como o cromossomo Z, contém um ou mais pares de genes responsáveis pela síntese de um antígeno denominado Antígeno H-W (antígeno de histocompatibilidade W, similar ao Antígeno H-Y presente em machos de mamíferos). O antígeno H-W, durante uma certa fase da embriogênese, induz o desenvolvimento de um ovário do lado esquerdo do gônada primitiva das aves. Isto acarretará o aparecimento de uma fêmea. Na ausência de antígeno H-W (indivíduos ZZ) haverá o desenvolvimento bilateral da gônada primitiva em dois testículos, formando-se, desta maneira, um macho.

 

 

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