N.120 - Julho/Agosto (July/August) de 2004

Pág. 10

SISTEMA DE MARCAÇÃO ELETRÔNICA EM TORNEIOS

Aloísio Pacini Tostes B Ribeirão Preto-SP

Torneios de canto de pássaros nativos brasileiros existem há muito tempo, desde a década de 50, quando na região de Ribeirão Preto-SP, iniciou-se a prática. São mais de cinqüenta anos de disputas e de muitas histórias dos campeonatos em que os pássaros cantam perto e à vista um do outro, o que se convencionou chamar de modalidade fibra que é vontade e disposição para cantar.

Hoje há dezenas de milhares de admiradores em todo o Brasil e as disputas só podem ocorrer com pássaros nascidos domésticos, conforme exigência do IBAMA a partir da década de 90. Por isso mesmo, tem estimulado muito a produção deles em ambientes domésticos, podemos dizer com segurança que, anualmente, são muitos milhares criados nesta condição.

No caso específico do bicudo (Oryzoborus c. maximiliani) e do curió (Oryzoborus a angolensis) sempre houve, desde o começo, muitas discussões de como julgar e apurar com fidelidade os cantos emitidos. O fato é que essas espécies têm a capacidade de repetir o canto, isto é, podem cantar continuadamente sem parar, remontando a frase musical, ficando, então, para o juiz a interpretação com essa dificuldade adicional. E como é difícil, de forma concomitante, marcar os cantos emitidos com a rapidez necessária. É preciso primeiro conhecer muito bem onde começa e termina cada unidade, ser um experto; em seguida, ter destreza suficiente. Ouvir bem e saber traduzir as individualidades de cada pássaro para postar em uma cartela. Isto tudo, sem falar das mazelas, das iniqüidades e das interpretações incorretas comuns a todo tipo de competição que envolve manipulação e sentimentos humanos.

Esses aspectos, até hoje, têm gerado muitas polêmicas, desavenças e entreveros entre os expositores e, por isso mesmo, têm afastado muita gente das lides porque nem todos conseguem suportar ou assimilar as inerentes pressões que surgem nessas ocasiões. Em alguns casos, tem prejudicado a qualidade e a quantidade de pássaros em disputa. Por exemplo: o Estado de São Paulo, onde os criadores produzem um extraordinário número de curiós, deveria ter aumentado a quantidade de participantes na "Fibra , mas o que vemos é cada vez mais ir diminuindo a proporção, o que é até certo ponto incompreensível. Nos outros estados o volume de indivíduos tem se mantido estável, mas com muita renovação de participantes. No caso do Coleiro (Sporophila cearulenses), Trinca-ferro Saltator similis) e Canário-da-terra (Sicalis flaveola), optou-se para se computar um ponto toda a vez que a ave cantar. Dessa forma cessam as interpretações subjetivas, já que, assim, fica fácil avaliar e fiscalizar. Não há o imbróglio das repetições.

Embora tenham começado depois, nesses respectivos campeonatos há menos discussões ou descontentamentos. É uma situação mais cômoda anotar um canto de cada vez, sem outras explicações. No entanto, nos canários-da-terra, muitos estão sendo prejudicados porque cantam repetindo ou longo, o que não é considerado e acaba por prejudicar aquele que mais tempo canta. Supomos que esse sacrifício é aceito tacitamente em favor de se poder ter uma apuração tranqüila, mais fácil de ser controlada e ajustada. O que não é o caso nos bicudos e curiós. Daí a enorme necessidade de se encontrar uma solução. Tentaram de tudo quanto aos fiscais, juízes e marcadores, ou seja, não mudar marcador, rodízio para esquerda, para direita, o próprio dono marcar e assim por diante. Nada deu certo. E cada vez mais problemas. Quando se pensou, de novo, em realizar-se torneios a nível nacional, com participação de criadores/mantenedores de vários estados, a coisa de agravou. Passamos a correr risco de impasses muito mais sérios. São regiões diversas, pessoas diferentes e estranhas, costumes arraigados. Como administrar toda essa celeuma? Pensamos, estudamos e, afinal, testamos em fevereiro deste ano, em Ribeirão Preto, com o maior sucesso, a adoção de um processo eletrônico de marcação (ver AO 117, pág.15).

Seria a utilização das facilidades da informática na apuração do volume de canto de cada pássaro, que funciona da seguinte forma: quando a ave canta até terminar a frase, cada juiz aciona um sinal eletrônico acendendo uma luz vermelha que é imediatamente transmitido, através de uma interface, até um computador, onde um programa específico trata os informes separando os dados de cada competidor. Daí os dados seguem até um projetor onde todos os presentes poderão acompanhar o desenrolar da disputa, da forma mais transparente possível. No telão aparecerão os vinte pássaros que estão em julgamento em cada bateria e os dez que mais cantaram até ali. No momento da disputa o "led" de cada concorrente fica piscando provocando uma intensa emoção nos presentes. O modelo que escolhemos considera, então, o tempo cantado. Cada canal funciona como um cronômetro individual no sistema que ao final computa e soma os tempos dos participantes levando em conta pela ordem os que mais foram acionados.

Resta, agora, implantar-se um esquema de procedimento que evite qualquer disfunção na aplicação do sistema. Por exemplo: é preciso que todos os pássaros sejam cadastrados antecipadamente e bem antes de se iniciar as disputas e que haja um controle rígido na hora de distribuição dos canais para se referirem realmente às respectivas estacas. Em suma, os cuidados têm que ser redobrados quando são usados processos eletrônicos, já que os sistemas podem ser travados e em cima da hora não dá para improvisar. É nisto que consiste o nosso SME - Sistema Eletrônico de Marcação.

lagopas@terra.com.br


SALVANDO O MUTUM DE ALAGOAS

Marcgrave, 1648

Hitoshi Nomura - ESALQ-USP

Mitu ou mutu eram os nomes indígenas que Marcgrave anotou em sua famosa obra Historia Naturalis Brasiliae, publicada em 1648, com edição brasileira em 1942. Nessa obra ele fornece uma gravura, dizendo que a ave mede dez dedos do pescoço ao início da cauda, estando coberta inteiramente por penas pretas, exceto no ventre e sob o ânus, onde a cor é bruna. No topo da cabeça há penas pretas superpostas e deitadas, mas que se erguem quando a ave está enfurecida. O bico é curto, não grosso, com a parte inferior pequena a superior quatro vezes maior do que ela. A cor é encarnada, sendo esbranquiçada na ponta. Os dedos estão ligados entre si por uma membrana, da sua origem até a primeira falange. A cauda é longa, que a ave mantém em movimento. Junto ao ouvido encontra-se uma mancha de pele branca. A ave foi batizada por Linnaeus em 1766 (Systema Naturae, 1:270), que lhe deu a denominação de Mitu mitu.

Essa espécie sempre foi um mistério para os ornitologistas. Ela pertence à família Cracidae. Olivério Pinto (1978) acha que sua pátria típica era Pernambuco, tendo sido registrada em Alagoas e nordeste da Bahia. Heretiano Zenaide (1953), que foi caçador e membro da Sociedade Paraibana de História Natural, não a encontrou na Paraíba.

Como nenhum ornitologista pesquisou na região entre Alagoas e Bahia não houve registro dessa espécie durante vários séculos. Olivério Pinto (1952) foi quem a redescobriu no município de São Miguel dos Campos, AL, em 1951, e que ela difere da espécie amazônica Crax tuberosa descrita por Spix em 1825. Muitos ornitologistas julgavam que a espécie de Linnaeus fosse sinônima da de Spix, mas provou-se que elas são independentes. Coimbra Filho (1971) já a considerava em vias de extinção em 1971. Dante Teixeira (1992) vasculhou a região e estimou que havia cerca de 60 exemplares em cinco municípios de Alagoas em 1981, mas que a situação tinha se agravado em 1986. Essa ave deve ter sido muito caçada pelos habitantes dessas regiões, para servir de alimento, e foi considerada extinta na natureza em 2001. A derrubada da mata atlântica, seu hábitat natural, também contribuiu para o seu desaparecimento. Por causa da monocultura da cana de açúcar implantada na região em 1975 por conta do Programa Nacional do Álcool a mata atlântica que restou foi de apenas 2%. Segundo o engenheiro-civil Fernando Pinto restavam apenas 10 000 hectares de floresta nativa contínua, segundo Cristina Amorim (2004). As notas seguintes foram extraídas do recente artigo de Amorim. Segundo ela esse engenheiro foi contratado pelo Proálcool para construir uma usina no município de Registro, AL, e nessa época ele estimou que devia haver cerca de 60 mutuns nessa região. O criador Pedro Nardelli capturou, nessa ocasião, três mutuns (um macho e duas fêmeas) e os levou para o seu criatório localizado no Rio de Janeiro. Ele conseguiu sua reprodução em cativeiro, mas o reprodutor pai faleceu. Sabendo que o cruzamento consangüíneo seria geneticamente letal para a espécie, Nardelli resolveu cruzar a fêmea restante com um macho da espécie amazônica. Graças a esse cruzamento restam 100 aves em cativeiro, sendo metade pura, segundo teste genético feito por Anita Wajntal, do Departamento de Genética do Instituto de Biociências da USP, que identificou os híbridos e os puros através da análise do DNA.

O engenheiro Pinto fundou em Maceió o Instituto de Preservação da Mata Atlântica, uma ONG que atua na região com fins de lutar pela preservação ambiental.

Atualmente funcionam dois criadouros de mutuns no Brasil, ambos em Minas Gerais, sendo um em Poços de Caldas e outro em Belo Horizonte. O Zoológico de São Paulo e um criadouro em Paraibuna, SP, também esperam colaborar na reprodução desses mutuns. Nardelli desistiu de cuidar dos mutuns por ter enfrentado problemas financeiros. A finalidade é a de conseguir um número suficiente dessas aves para repovoar as pequenas áreas que sobraram da mata atlântica em Alagoas. Ignora-se se os mutuns criados em cativeiro terão condições de sobreviver na natureza, mas a tentativa é válida, para salvar uma espécie rara.

Referências bibliográficas

AMORIM, C. - 2004 - Epílogo alagoano. Folha de S. Paulo, caderno Mais!, pp. 16-17, 2 figs., edição de 22 de agosto.

COIMBRA FILHO, A. F. - 1971 - Três formas da avifauna do nordeste do Brasil ameaçadas de extinção: Tinamus solitarius pernambucensis Berla, 1946, Mitu m. mitu (L., 1766) e Procnias a. averano (Herm., 1763). Revista Brasileira de Biologia, Rio de Janeiro, 31 (2):239-247.

LINNAEUS, C. Von - 1766 - Systema Naturae per Regna Tria Naturae. Ed. 12, Holmiae (Stockholm), 1:1-532 pp.

MARCGRAVE, G. - 1648 - Historiae Rerum Naturalis Brasiliae. Lugdunum Batavorum, Amsterdam, 292 pp., il.

MARCGRAVE, J. - 1942 - História Natural do Brasil. Museu Paulista, São Paulo, 298 pp., il.

PINTO, O. M. O. - 1952 - Redescobrimento de Mitu mitu no nordeste do Brasil. Papéis Avulsos do Departamento de Zoologia, São Paulo, 10 (19):325-334.

PINTO, O. M. O. - 1978 - Novo Catálogo das Aves do Brasil. São Paulo, s. c. e., 446 pp., il.

ZENAIDE, H. - 1953 - Aves da Paraíba. Editora Teone, João Pessoa, 215 + [12] pp.


Novas informações sobre a avifauna do Parque Nacional do Iguaçu (Paraná)

 

Fernando C.Straube1,3

Alberto Urben-Filho1,4

José Flávio Cândido-Jr.1,2,5

 

1. Mülleriana: Sociedade Fritz Müller de Ciências Naturais (Curitiba, Paraná); 2. Unioeste: Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Cascavel, Paraná); 3. urutau@terra.com.br ; 4. neocrex@terra.com.br ; 5. deroptyus@brturbo.com .

Introdução

Embora seja a unidade de conservação mais visitada no Brasil e contando com inúmeras atividades de coleta e pesquisa ornitológica desde o início do Século 20, o Parque Nacional do Iguaçu apresenta escassas informações sobre sua avifauna, em particular no tocante à distribuição das espécies (Straube & Urben-Filho, 2004).

De fato, uma série de publicações consta na literatura corrente (Sztolcman, 1926; Naumburg, 1935, 1937, 1940; Scherer-Neto et al., 1991; Mähler-Jr., 1993, 1995; Koch & Bóçon, 1994; Parker & Goerck, 1997; Straube & Scherer-Neto, 2001), entretanto, faltam-lhes as devidas menções aos pontos de registro das espécies ou - quando muito - concentram, muitas vezes implicitamente, as respectivas áreas de estudo nas zonas turísticas das imediações das cataratas do Iguaçu.

Esforço muito mais criterioso foi despendido na Província de Misiones, desde mesmo a iniciativa de Partridge (1954, 1961a, 1961b), seguido por vários outros autores contemporâneos (e.g. Seibene et al., 1993; Chebez, 1995; Protomastro, 2001). Recentemente, Krauczuk & Baldo (2004) adicionaram novas informações à avifauna da região, mediante resultados obtidos no Parque Provincial de la Araucaria (Provincia de Misiones, Argentina), um claro indicativo de que a pesquisa ornitológica, ao menos no outro lado da fronteira, permanece em plena atividade.

Levando-se em consideração o estado fragmentário das informações disponíveis sobre a avifauna do Parque Nacional do Iguaçu, o presente estudo visa contribuir ao conhecimento da distribuição das aves nessa área protegida, divulgando os resultados colhidos durante uma série de expedições realizadas à região entre os anos de 2001 e 2004.

 

Métodos

Entre novembro de 2001 e julho de 2004, foram realizadas atividades de campo para inventário de avifauna no Parque Nacional do Iguaçu, mediante constatações visuais com uso de binóculos, identificação de vocalizações e eventualmente capturas com redes-de-neblina seguidas de anilhamento e soltura. Os trabalhos de campo somaram resultados oriundos de observações isoladas dos autores, além de informações colhidas durante a Expedição Floriano (março de 2004) e do Inquérito Sorológico do Vírus do Nilo Ocidental, Influenza Aviária e Doença de New Castle (julho de 2004; vide Araújo et al., 2004), enfatizando-se áreas até o presente nunca antes investigadas, de acordo com a literatura corrente (Straube & Urben-Filho, 2004).

O esforço amostral somou aproximadamente 400 horas de campo, distribuídas nos seguintes períodos: 27 de novembro a 2 de dezembro de 2001, 3 a 7 de março de 2002, 8 a 12 de abril de 2002, 14 a 17 de setembro de 2002, 17 a 26 de março de 2004, 3 a 9 de abril de 2004 e 29 de junho a 6 de julho de 2004 (Tabela 1).

Uma vez que todos os registros de espécies foram obtidos ao longo de estradas, picadas e vias de acesso terrestre e fluvial, as localidades de registro dessas transecções (Figura 1) foram agrupadas em pontos geográficos com coordenadas geográficas de referência, visando uma padronização. As localidades amostradas, seguidas dos municípios às quais pertencem, localização, época visitada e esforço amostral encontram-se apresentadas na Tabela 1.

Figura 1. O Parque Nacional do Iguaçu e os pontos amostrados no presente estudo (para mais detalhes geográficos vide Tabela 1).

 

Tabela 1. Pontos amostrais, localização geográfica, período e esforço amostral das atividades de campo no Parque Nacional do Iguaçu.

Localidade

Município

Coordenadas geográficas

de referência

Período

Esforço amostral (h)

Trilha do Poço Preto

Foz do Iguaçu

25º36'42''S/54º25'50''W

nov-dez/2001;

mar/2002;

abr/2002;

set/2002;

jun/2004

156

Represa do rio São João

Foz do Iguaçu

25º37'27''S/54º28'03''W

nov-dez/2001;

mar/2002;

abr/2002;

set/2002

24

Cataratas do Iguaçu

Foz do Iguaçu

25º41'09''S/54º26'18''W

nov-dez/2001;

mar/2002;

abr/2002;

set/2002

8

Trilha das Bananeiras

Foz do Iguaçu

25º39'23''S/54º25'51''W

dez/2001

4

Rio Floriano-P1

Céu Azul

25º19'58''S/53º46'39''W

mar/2004

2

Rio Floriano-P2

Céu Azul

25º20'17''S/53º46'54''W

mar/2004

2

Rio Floriano-P3

Céu Azul

25º21'06''S/53º47'25''W

mar/2004

4

Rio Floriano-P4

Céu Azul

25º21'43''S/53º47'25''W

mar/2004

4

Rio Floriano-P5

Céu Azul

25º21'47''S/53º48'28''W

mar/2004

4

Rio Floriano-P6

Céu Azul

25º22'16''S/53º48'02''W

mar/2004

4

Rio Floriano-P7

Céu Azul

25º23'12''S/53º47'32''W

mar/2004

4

Rio Floriano-P8

Céu Azul

25º23'53''S/53º48'55''W

mar/2004

4

Rio Floriano-P9

Céu Azul

25º25'04''S/53º48'09''W

mar/2004

4

Rio Floriano-P10

Céu Azul

25º26'38''S/53º48'59''W

mar/2004

4

Rio Floriano-P11

Céu Azul

25º28'07''S/53º48'24''W

mar/2004

4

Rio Floriano-P12

Céu Azul

25º29'23''S/53º48'33''W

mar/2004

4

Rio Floriano-P13

Céu Azul

25º29'43''S/53º48'03''W

mar/2004

4

Rio Floriano-P14

Céu Azul

25º30'31''S/53º47'14''W

mar/2004

2

Rio Floriano-P15

Céu Azul

25º32'14''S/53º48'31''W

mar/2004

2

Margem esquerda da foz do rio Gonçalves Dias

Capitão Leônidas Marques

25º29'42''/53º40'03''W

abr/2004;

jun-jul/2004

20

Capoeirinha (antiga Estrada do Colono)

Serranópolis do Iguaçu

25º29'07''S/54º01'22''W

mar/2002;

jun/2004

72

Trilha Céu Azul

Céu Azul

25º08'38''S/53º48'42''W

jun/2004

60

 

Figura 2. Localidade de Capoeirinha, indicando o traçado da antiga Estrada do Colono (Foto: F.C.Straube, junho de 2004).

 

Figuras 3 e 4. Margens da antiga Estrada do Colono, cuja vegetação varia entre floresta em franca recomposição (esq.) e adensamentos de lianas (dir.) (Foto: F.C.Straube, julho de 2004.

Figura 5. O rio Floriano em vista aérea, indicando a vegetação ripária (Foto: A.N.S.Rodrigues, março de 2004)

 

Figura 6 e 7. Aspecto da vegetação nas margens do rio Floriano, indicando agrupamento de arbustos (sarandis) sobre os afloramentos de basalto, emersos em decorrência do período de seca (esq.) e mata mais densa (dir.) (Fotos: A.N.S.Rodrigues, março de 2004)

Figura 7. Foz do rio Gonçalves Dias, afluente do rio Iguaçu (Foto: P.H.C.Marques, junho de 2004)

 

Figura 8 e 9. Rio Gonçalves Dias, próximo à sua foz, indicando o aspecto do leito, que de trechos em trechos forma degraus e pequenas quedas d'água (esq.). Maior parte do percurso deste rio é protegido na margem direita pelo Parque Nacional do Iguaçu, apresentando vegetação fortemente antropizada na margem esquerda (dir.). (Fotos: P.H.C.Marques, junho de 2004)

 

Resultados

Com os resultados da presente contribuição, que somaram o registro de 206 espécies, pode-se afirmar que o número de aves registradas no Parque Nacional do Iguaçu, passa a ser de 335 espécies (inclusas as adições obtidas neste estudo: Cathartes burrovianus, Harpyhaliaetus coronatus, Spizaetus ornatus, Cariama cristata, Caprimulgus sericocaudatus, Phaethornis squalidus, Scytalopus indigoticus, Myrmeciza squamosa, Synallaxis frontalis, Phyllomyias fasciatus e Haplospiza unicolor), com destaque para os táxons abaixo mencionados.

Podilymbus podiceps: espécie comum em toda a sua distribuição, foi constatada no rio Iguaçu a cerca de 500 metros a montante da foz do rio Gonçalves Dias. Tal registro, portanto, foi obtido externamente aos limites do Parque Nacional do Iguaçu onde, até o momento, não foi ainda registrada.

Tigrisoma fasciatum: um indivíduo foi visualizado em 18 de março de 2004, na margem do rio Floriano quando - afugentado - empoleirou em uma alta árvore ribeirinha, voando para fora do alcance visual em seguida. Trata-se da segunda constatação dessa espécie no Parque Nacional do Iguaçu e um dos raros registros colhidos em toda a sua área de distribuição (Straube et al., 2004)

Figura 10. Aspecto do leito e vegetação ripária do rio Floriano, no preciso local onde Tigrisoma fasciatum foi avistada (Foto: A.N.S.Rodrigues, março de 2004)

Cathartes burrovianus: vários indivíduos foram observados em agregação, junto a indivíduos de Coragyps atratus, sobrevoando a foz do rio Floriano. Sua presença nesta área foi confirmada também na margem esquerda do rio Iguaçu (município de Capanema), contígua a esse local. Trata-se de importante registro, uma vez que a espécie foi pela primeira vez assinalada no Paraná por Straube & Bornschein (1995) e conta, até o presente, com poucas verificações no sul do Brasil.

Pipile jacutinga: um indivíduo solitário foi observado por alguns minutos na margem direita do Rio Floriano, em 17 de março de 2004. Penas atribuíveis à espécie também foram encontradas em dois acampamentos de caçadores ao longo deste rio. A espécie conta com diversos registros de ocorrência no Parque, mas merece atenção especial por se tratar de um cracídeo ameaçado de extinção cujas populações encontram-se confinadas a poucos remanescentes florestais de grande porte, notadamente na Serra do Mar e planície litorânea paranaense (Straube et al., 2004).

Harpyhaliaetus coronatus: em 10 de abril de 2004, um indivíduo imaturo dessa espécie foi visualizado por P.Labiak, P.H.C.Marques e P.R.Pagliosa na foz do Rio Gonçalves Dias, quando pôde ser observado com detalhes durante cerca de 5 minutos, permitindo - mediante descrição da plumagem e dimensões - uma identificação positiva. Essa espécie, mais freqüente nas áreas dos Campos Gerais paranaenses, foi ali constatada em várias ocasiões (Straube et al., 2004), mas até então era desconhecida no Parque Nacional do Iguaçu e adjacências.

Figura 11. Proximidades da foz do rio Gonçalves Dias, no local onde foi observado um indivíduo de Harpyhaliaetus coronatus (Foto: P.H.C.Marques, julho de 2004)

Spizaetus ornatus: Em 5 de março de 2002, foi observado um jovem dessa espécie, pousado no galho exposto de uma árvore de médio porte à margem da antiga Estrada do Colono. Trata-se de um acipitrídeo muito raro em todo o sul do Brasil, com escassas informações de ocorrências em território paranaense.

Spizaetus tyrannus: um exemplar foi observado em vôo, sobrevoando o dossel da floresta marginal ao rio Floriano em 19 de março de 2004.

Cariama cristata: um indivíduo foi observado por pelo menos três semanas a partir de 20 de outubro de 2003, ao longo da Rodovia das Cataratas (desde o portão principal até a área das Cataratas) (M.Oliveira e A.R.D'Amico, com.pess.). Essa informação foi utilizada em Straube et al. (2004), como alusão à indiscutível ocasionalidade de ocorrência naquela região, talvez como conseqüência de expansão distribucional seguindo frentes de desmatamento ao longo do rio Paraná (vide também Straube et al., 1996), atingindo até a Província de Misiones, na Argentina (Chebez, 1996).

Caprimulgus sericocaudatus: a vocalização de um indivíduo desta espécie foi ouvida por alguns minutos nas primeiras horas que antecediam o nascer do sol do dia 19 de março de 2004. Durante todo o percurso percorrido ao longo do rio Floriano não foi constatada em nenhuma outra ocasião, permitindo presumir que seja espécie de ocorrência pontual. Essa observação consiste do segundo registro da espécie para o Estado do Paraná (Straube et al., 2004).

Phaethornis squalidus: foi assinalada tanto na Trilha de Céu Azul quanto em quatro pontos amostrais ao longo do rio Floriano, consistindo nos primeiros registros da espécie para o Parque Nacional do Iguaçu e adjacências (Straube & Urben-Filho, 2004).

Myrmeciza squamosa: espécie peculiar de florestas úmidas e bem preservadas, comum nas zonas de pequena a média altitude da Serra do Mar e planície litorânea paranaense sendo muito rara em florestas do interior. Um único indivíduo foi observado 30 de julho de 2004) em mata densa à beira de um córrego, na Trilha de Céu Azul.

Scytalopus indigoticus: foram colhidas várias constatações dessa espécie, até então desconhecida no Parque Nacional do Iguaçu e mesmo em áreas adjacentes na Argentina, onde o esforço de pesquisa avifaunística é considerável (Straube & Urben-Filho, 2004). Foi verificada, visual e auditivamente, na localidade de Capoeirinha (antiga Estrada do Colono) e em dez do quinze pontos amostrados ao longo do rio Floriano, indicando se tratar de espécie localmente comum.

Synallaxis frontalis: espécie comum em grande parte de sua distribuição e que, provavelmente, tem expandido sua área de ocorrência em virtude de substituição de hábitats florestados por ambientes abertos. Foi registrada no Trilha de Céu Azul e na Capoeirinha, invariavelmente em capoeiras e bordas de mata. É o primeiro registro da espécie para a macro-região.

Atticora melanoleuca: registrado no Parque Nacional do Iguaçu por Parker & Goerck (1997), parece ser espécie comum na região das Cataratas, ao menos sazonalmente. Essa é a única localidade paranaense onde que esse hirundinídeo é conhecido.

Phyllomyias fasciatus: tiranídeo de bordas de mata e vegetação alterada, bastante freqüente em tais ambientes. Foi registrado pela vocalização, na Trilha do Poço Preto. Embora seja conhecido em Misiones (Chebez, 1995) é pela primeira vez mencionado para o Parque Nacional do Iguaçu.

Haplospiza unicolor: exemplares de ambos os sexos foram capturados na localidade de Capoeirinha, logo nos primeiros quilômetros da desativada Estrada do Colono, em Serranópolis do Iguaçu. É uma espécie comum em todo o Estado do Paraná, característica de ambientes com taquarais.

 

Agradecimentos

Os autores expressam sua gratidão a diversas pessoas que contribuíram significativamente para a concretização desse trabalho. Primeiramente deve-se destacar toda a equipe técnica do Parque Nacional do Iguaçu, em especial Marcelo Oliveira da Costa, Ana Rafaela D'Amico, Jorge Pegoraro, Apolônio N.S.Rodrigues e Valéria Casale. bem como a todos os policiais militares do destacamento da Polícia Florestal no PNI, pelo incondicional apoio prestado durante esses vários anos de estudos da avifauna do Parque. Agradecimento especial a Maricy "Maguari" Rizzato Vismara pelo empenho na obtenção de dados geográficos. Nosso reconhecimento também a Francisco Anilton Araújo (Funasa/MS), Paulo Guerra (Secretaria de Estado da Saúde), Luiz Eloy Pereira (Instituto Adolfo Lutz) e toda a equipe envolvida no Inquérito Sorológico da Febre do Nilo Ocidental e Influenza Aviária. Vários amigos participaram das atividades de campo, destacadamente David Morimoto, Marcelo Oliveira da Costa, Ana Rafaela D'Amico, Osmar dos S.Ribas e, além deles, também somos gratos a Paulo Labiak, Paulo H.C.Marques e Paulo R.Pagliosa Alves pela cessão e riqueza de detalhes acerca do registro da águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus).

 

 

Referências Bibliográficas

Araújo, F.A.A.; Vianna, R. da S. T; Wada, M.Y.; Silva, É.V. da; Doretto, L.; Cavalcante, G. C. e; Azevedo-Júnior, S.M; Magalhães, V.S.; Gomes, J.L.; Queiroz, P.V.S. de; Larrazábal, M.E. de; Martins, L.C.; Rodrigues, S.G. e Vasconcelos, P.F. da C. 2004. Inquérito sorológico em aves migratórias e residentes de Galinhos/RN para detecção do vírus da Febre do Nilo Ocidental e outros vírus. Boletim Eletrônico Epidemiológico 4 (2): 1-12. Publicação online disponível na íntegra  . http://dtr2001.saude.gov.br/svs/pub/boletim_eletronico_epi/Boletim_eletronico_02_04.pdf Acessada em 20 de agosto de 2004.

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Anexo

Lista de espécies de aves registradas no Parque Nacional do Iguaçu durante o presente estudo. Legenda para localidades: PP, Trilha do Poço Preto; RS, Represa do rio São João; CI, Cataratas do Iguaçu; TB, Trilha das Bananeiras; EC, Estrada do Colono; CA, Trilha de Céu Azul; GD, Foz do rio Gonçalves Dias; RF, rio Floriano (com discriminação dos pontos de registro). (Para mais detalhes geográficos vide Tabela 1.)

  PP RS CI TB EC CA GD RF
Ordem Tinamiformes                
Família Tinamidae                
Crypturellus obsoletus x       x x   P1, P2, P3, P4, P5, P11
Crypturellus parvirostris         x      
Crypturellus tataupa x           x  
                 
Ordem Podicipediformes                
Família Podicipedidae                
Podilymbus podiceps             x  
                 
Ordem Pelecaniformes                
Família Phalacrocoracidae                
Phalacrocorax brasilianus     x       x P15
                 
Família Anhingidae                
Anhinga anhinga   x x       x P15
                 
Ordem Ciconiiformes                
Família Ardeidae                
Ardea cocoi     x       x P4, P5, P7
Ardea alba     x       x P15
Egretta thula     x          
Bubulcus ibis             x P15
Butorides striata   x         x P1, P2, P3, P7, P9, P11
Nycticorax nycticorax x   x       x  
Tigrisoma fasciatum               P5
Tigrisoma lineatum             x  
                 
Família Threskiornithidae                
Mesembrinibis cayennensis               P1, P2, P3, P4
                 
Família Cathartidae                
Coragyps atratus x x x x x x x P1, P2, P3, P7, P11, P15
Cathartes aura x   x   x   x P4, P5, P10, P11
Cathartes burrovianus               P15
Sarcoramphus papa               P10
                 
Ordem Falconiformes                
Família Accipitridae                
Elanus leucurus             x  
Ictinia plumbea x   x   x      
Rostrhamus sociabilis     x       x P15
Accipiter striatus         x      
Buteo brachyurus         x      
Rupornis magnirostris x   x x x x x  
Buteogallus urubitinga     x         P3
Harpyhaliaetus coronatus             x  
Spizaetus tyrannus               P7
  PP RS CI TB EC CA GD RF
Spizaetus ornatus         x      
                 
Família Falconidae                
Micrastur semitorquatus x       x x   P8, P9, P10, P11
Micrastur ruficollis           x   P8, P9
Milvago chimachima x       x   x  
Caracara plancus             x  
Falco femoralis               P11
                 
Ordem Anseriformes                
Família Anatidae                
Cairina moschata   x           P1, P2, P3, P4, P5, P9, P11
Amazonetta brasiliensis   x         x P15
                 
Ordem Galliformes                
Família Cracidae                
Penelope obscura         x     P7
Penelope superciliaris x              
Pipile jacutinga               P3
                 
Ordem Gruiformes                
Família Aramidae                
Aramus guarauna             x  
                 
Família Cariamidae                
Cariama cristata     x          
                 
Família Rallidae                
Pardirallus nigricans             x  
Aramides saracura x       x   x P12, P13
Gallinula chloropus   x            
                 
Ordem Charadriiformes                
Família Jacanidae                
Jacana jacana   x            
                 
Família Charadriidae                
Vanellus chilensis     x     x x P15
                 
Ordem Columbiformes                
Família Columbidae                
Patagioenas picazuro         x x x  
Zenaida auriculata x       x   x  
Columbina talpacoti         x   x  
Columbina picui             x  
Leptotila verreauxi x x     x   x  
Geotrygon montana x       x x    
                 
Ordem Psittaciformes                
Família Psittacidae                
Aratinga leucophthalma x   x   x x x P1, P3
Pyrrhura frontalis x       x x   P1, P3, P5, P6, P7, P8, P9, P11
Forpus xanthopterygius               P4, P5
Pionopsitta pileata         x   x P4, P5
Pionus maximiliani x       x x x P1, P2, P3, P6, P7, P8, P9, P11
                 
                 
  PP RS CI TB EC CA GD RF
Ordem Cuculiformes                
Família Cuculidae                
Coccyzus melacoryphus x              
Piaya cayana x x   x x x x P1, P2, P3, P4,, P5, P6, P7, P9, P11, P12, , P15
Crotophaga ani x     x     x P15
Crotophaga major               P13
Guira guira x           x  
Tapera naevia x              
Dromococcyx pavoninus         x   x  
                 
Ordem Strigiformes                
Família Strigidae                
Otus choliba x             P6,P7
Glaucidium brasilianum x       x     P3, P7, P9, P11
Strix hylophila x              
                 
Ordem Caprimulgiformes                
Família Nyctibiidae                
Nyctibius griseus x              
                 
Família Caprimulgidae                
Lurocalis semitorquatus x       x      
Caprimulgus sericocaudatus               P7
Nyctidromus albicollis           x    
                 
Ordem Apodiformes                
Família Apodidae                
Cypseloides senex     x          
Chaetura meridionalis         x     P3, P6, P7, P9
                 
Família Trochilidae                
Phaethornis eurynome x       x x   P3, P4, P5, P10, P11
Phaethornis squalidus           x   P6, P7, P8, P9
Thalurania glaucopis x              
                 
Ordem Trogoniformes                
Família Trogonidae                
Trogon surrucura x x   x x x x P1, P2, P3, P4, P5, P9, P11
Trogon rufus x x     x x   P1, P2, P3, P6, P7
                 
Ordem Coraciiformes                
Família Alcedinidae                
Ceryle torquatus x x x   x   x P1,P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9, P11, P12, P13, P14, P15
Chloroceryle amazona   x x       x P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9, P11, P12, P13, P14, P15
Chloroceryle americana             x P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9, P11, P12, P13, P14, P15
                 
Família Momotidae                
Baryphthengus ruficapillus x x     x x x P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9, P12, P13
                 
                 
                 
                 
  PP RS CI TB EC CA GD RF
Ordem Piciformes                
Família Ramphastidae                
Pteroglossus castanotis x       x   x P1, P2, P3, P6, P7, P10, P11
Selenidera maculirostris         x x x  
Ramphastos dicolorus         x x x P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7
Ramphastos toco x   x          
                 
Família Picidae                
Picumnus temminckii x x     x x x P4, P5, P6, P7, P9, P11
Colaptes melanochloros         x      
Veniliornis spilogaster x x     x x x P4, P5, P9, P11
Piculus aurulentus         x x    
Celeus flavescens x         x    
Dryocopus lineatus x       x x    
Melanerpes flavifrons   x     x      
Melanerpes candidus         x      
Campephilus robustus x              
                 
Ordem Passeriformes                
Família Rhinocryptidae                
Scytalopus indigoticus         x     P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9, P11
                 
Família Thamnophilidae                
Hypoedaleus guttatus x       x     P3
Batara cinerea               P6, P7
Mackenziaena severa x     x x x x  
Mackenziaena leachii               P4, P5, P11
Thamnophilus caerulescens x       x x x P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P10, P11
Dysithamnus mentalis x x   x x x x P1, P2, P3, P4, P5
Herpsilochmus rufimarginatus x       x x x P4, P5, P6, P7
Terenura maculata         x      
Drymophila rubricollis         x     P6, P7
Drymophila malura           x x P4, P5
Pyriglena leucoptera x       x x x P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P9, P11
Myrmeciza squamosa           x    
                 
Família Formicariidae                
Chamaeza campanisona x       x x x P1, P2, P3, P4, P5
Grallaria varia         x x   P4, P5, P6, P7, P8, P9, P12, P13
                 
Família Conopophagidae                
Conopophaga lineata x x     x x x P1, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9, P12, P13
                 
Família Furnariidae                
Furnarius rufus x   x       x  
Synallaxis spixi         x   x  
Synallaxis ruficapilla x     x x     P1, P3, P4, P5, P6, P7, P9
Synallaxis frontalis         x x    
Synallaxis cinerascens         x x   P4, P5, P6, P7, P9
Certhiaxis cinnamomeus             x  
Philydor atricapillus           x    
Philydor rufum x x            
  PP RS CI TB EC CA GD RF
Philydor lichtensteini x x     x x   P4, P5, P9
Automolus leucophthalmus x       x x x P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P11
Xenops minutus x       x     P4, P5
Lochmias nematura           x x  
                 
Família Dendrocolaptidae                
Dendrocincla turdina x x     x      
Sittasomus griseicapillus x x   x x   x P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9, P10, P11, P13, P14, P15
Xiphocolaptes albicollis x       x     P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9, P10, P11, P12, P13
Dendrocolaptes platyrostris x       x     P1, P2, P3, P4, P5, P10, P11
Xiphorhynchus fuscus x x     x     P9, P11
                 
Família Tyrannidae                
Phyllomyias fasciatus x              
Camptostoma obsoletum             x  
Myiopagis caniceps         x x   P4, P5, P6, P7
Myiopagis viridicata               P3, P7
Elaenia flavogaster             x  
Serpophaga nigricans             x  
Mionectes rufiventris         x x    
Leptopogon amaurocephalus x x     x x x P3, P4, P5
Phylloscartes ventralis x       x      
Capsiempis flaveola         x x    
Corythopis delalandi x       x x   P3
Myiornis auricularis x x x   x     P4, P5
Hemitriccus diops         x     P6, P7
Poecilotriccus plumbeiceps         x x x  
Tolmomyias sulphurescens x x     x   x P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7
Platyrinchus mystaceus x       x x x P1, P2, P3, P4, P5
Lathrotriccus euleri x x           P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9
Colonia colonus x       x x x P4, P5
Syristes sibilator x x     x x   P3
Megarynchus pitangua x x     x     P1, P3, P5, P6, P7, P11
Myiodynastes maculatus         x     P1, P2, P3
Legatus leucophaius           x    
Myiozetetes similis x       x x x P3, P5, P7, P9, P11
Pitangus sulphuratus x x x   x x x P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P9, P11, P12, P13, P14, P15
Tyrannus melancholicus             x  
Pachyramphus viridis         x     P6, P7
Pachyramphus validus         x      
                 
Família Cotingidae                
Pyroderus scutatus         x      
Procnias nudicollis x              
Oxyruncus cristatus x              
                 
Família Pipridae                
Schiffornis virescens         x x x P3, P4, P5, P6, P7, P9, P10, P11
Chiroxiphia caudata x x     x x x P3, P4, P5, P7, P9, P10, P11
Piprites chloris         x      
Manacus manacus x       x      
Pipra fasciicauda x       x x    
                 
                 
  PP RS CI TB EC CA GD RF
Família Hirundinidae                
Tachycineta albiventer     x       x  
Tachycineta leucorrhoa     x          
Notiochelidon cyanoleuca             x  
Progne chalybea x   x          
Stelgidopteryx ruficollis   x         x  
Atticora melanoleuca     x          
                 
Família Troglodytidae                
Troglodytes musculus x x     x   x  
                 
Família Corvidae                
Cyanocorax chrysops x x x x x x x P3, P5, P9, P11, P12, P13
                 
Família Muscicapidae                
Turdus rufiventris x     x   x x P4, P5, P7
Turdus leucomelas x x x x x x x P3, P6, P7, P8, P9
Turdus amaurochalinus x       x x x  
Turdus albicollis x       x x    
                 
Família Vireonidae                
Cyclarhis gujanensis x           x  
Vireo chivi x   x       x P9
Hylophilus poicilotis x              
                 
Família Emberizidae                
Parula pitiayumi x x x   x x x P3, P6, P7, P9
Geothlypis aequinoctialis             x  
Basileuterus culicivorus x x   x x x x P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P9, P11
Basileuterus leucoblepharus x         x x P1, P2, P3, P4, P5, P7, P9, P10, P11
Phaeothlypis rivularis x       x x   P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9, P10, P11, P12, P13, P14, P15
Cissopis leverianus x       x x    
Hemithraupis guira x       x x x P6, P7
Pyrrhocoma ruficeps         x   x  
Tachyphonus coronatus     x x x x x  
Trichothraupis melanops x x     x x x  
Habia rubica x     x x x   P4, P5
Pipraeidea melanonota         x      
Thraupis sayaca   x     x x x P3, P6, P7
Euphonia violacea x           x  
Euphonia chlorotica     x   x      
Euphonia pectoralis x x x   x x   P4, P5
Tangara seledon x   x x x      
Dacnis cayana x       x      
Tersina viridis   x         x P6, P7
Conirostrum speciosum x       x     P6, P7
Zonotrichia capensis             x  
Haplospiza unicolor         x      
Amaurospiza moesta         x      
Sicalis flaveola x       x   x  
Embernagra platensis             x  
Volatinia jacarina             x  
Sporophila caerulescens             x  
Coryphospingus cucullatus       x x   x  
  PP RS CI TB EC CA GD RF
Arremon flavirostris x     x x      
Saltator similis x     x x   x P3
Gnorimopsar chopi             x  
Cacicus haemorrhous x x x x x x x P1, P2, P3, P8, P9, P10, P11

 


REPRODUÇÃO DE CUIÚ-CUIÚ (Pionopsitta pileata Scopoli, 1769 – PSITTACIFORMES) EM CATIVEIRO NO CRIADOURO CONSERVACIONISTA SHAMAL - MG.

Gustav V. A. Specht *

INTRODUÇÃO

Pionopsitta pileata (Scopoli, 1769) conhecida vulgarmente como Cuiú-cuiú ou Curica-cuiú, tem 22 cm de tamanho, pesando aproximadamente 98 a 120 gramas (Hoyo et all, 1997). Sua coloração é verde com o alto da cabeça vermelha nos machos e as fêmeas são também verdes com fronte azulada, ambos com encontro e cauda azulados e bico cinza-escuro (Sick, 1997). Alimentam-se dos frutos do Podocarpus e "Cambuí", sementes de Solanum mauricianum, e feloderme de Eucalipstus (Myrtaceae) (Sick, 1997, Hoyo et all, 1997 & Basílio et all, 2003.). Sua distribuição vem desde o sul da Bahia ao Rio Grande do Sul, norte da Argentina e leste do Paraguai. No Brasil, vive na mata alta da serra da Mantiqueira, Serra do Mar e nas montanhas do Espírito Santo. Sua reprodução ocorre no planalto paranaense no verão e se desloca no inverno para a mata atlântica litorânea (Sick, 1997).

A reprodução de Cuiú-cuiú na natureza pode ser observada em novembro quando foram encontrados 2 ovos em um oco de árvore (Hoyo et all, 1997). Em cativeiro sua reprodução ainda é bastante reduzida, mas pode chegar a uma postura de 3 a 4 ovos, todos incubados pela fêmea.

A espécie está listada na CITES I como vulnerável, devido aos desmatamentos contínuos e ao tráfico de animais silvestres. Porém ainda em bom número no estado do Paraná na região do alto-paraná bem como nos estados adjacentes (Sick, 1997 & Hoyo et all, 1997).

MATERIAIS E MÉTODOS

A reprodução de Cuiú-cuiú em cativeiro ainda é de difícil ocorrência no Brasil, porém acontece se respeitando e levando em consideração alguns pontos chaves como pareamento de um bom casal, boa alimentação, boa acomodação e aceitação do ninho. O Criadouro conservacionista Shamal, localizado no município de Ribeirão da Neves a 20 km de Belo Horizonte, Minas Gerais, possui em cativeiro 3 casais de Cuiú-cuiú. Todos eles acomodados em um viveiro de aproximadamente 3,50mX4,00mX3,00m (largura, comprimento, altura) durante 2 anos sem ocorrência de reprodução. No início ano de 2003, ocorreu uma reformulação nas instalações e manejo de todas as aves do criadouro, onde foram feitos gaiolões aéreos destinados ao alojamento de casais para a reprodução. Os casais de cuiú-cuiú da colônia foram observados para identificação da afinidade entre machos e fêmeas. Os casais, então, foram separados nos gaiolões de reprodução cujas medidas eram 1,00mX2,00m1,00m (largura, comprimento, altura), divididos em aviário interno, coberto de telha, que as aves usavam como abrigo e um aviário externo exposto ao tempo. Neste aviário interno foi colocado um ninho externo, ao alto, voltado para o corredor de acesso aos gaiolões. Este ninho era em forma de L com orifício de entrada acima e local de incubação e cria em sua parte inferior (Figura 01).

Figura 01 - Ninho usado para reprodução de Cuiú-cuiú.

FIGURA 02 - Projeto do ninho usado para reprodução de Cuiú-cuiú.

A dieta oferecida às aves era composta de ração peletizada da marca Mega Zoo acrescida de sementes, milho duro, milho verde, frutas como banana, mamão e laranja, legumes, verduras e pedaços de galhos de eucalipto. O cardápio era variado diariamente.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No final de agosto e início de setembro de 2003, observou-se que em um dos casais de cuiú-cuiú (Figura 03), a fêmea mostrava interesse pelo ninho, o que foi confirmado pelo fato desse estar debicado em algumas de suas partes. Ao checar o ninho no dia 15 do mês de setembro observou-se 4 ovos férteis, totalmente brancos cujas medidas eram 30,0 a 30,5mm de comprimento, 22,1 a 22,6mm de largura pesando de 8 a 9 gramas. Após aproximadamente 26 dias, ocorreu o nascimento de 4 ninhegos (Figura 04) com intervalos de alguns dias. O primeiro nasceu no dia 02 de outubro e o último nasceu no dia 8 do mesmo mês. O peso e as medidas dos 4 ninhegos foram coletados alguns dias após o nascimento, no dia 11 de outubro, evitando assim o abandono dos pais. O primeiro filhote pesava 28g e media 82,60mm de comprimento, o segundo 20g e 75,55mm, o terceiro com 18g e 72,90mm e o quarto com 14 g e 62,70mm.

Gráfico 01 - Crescimento dos 4 ninhegos em gramas

Os dados biométricos dos ninhegos foram coletados até os mesmos deixarem o ninho (Gráfico 01), o que ocorreu após um período aproximado de 51 dias. Os ninhegos eram alimentados tanto pela fêmea quanto pelo macho várias vezes por dia. Observou-se também sua alimentação durante a noite. O casal não demonstrava agressividade entre si ou para com os ninhegos e se mostrava bem tranqüilo às checagens periódicas do ninho para a coleta de dados. Durante o período reprodutivo, adicionou-se à dieta farinhada específica para psitacídeos, o que foi bem aceito e tido como principal fonte de alimento dado aos ninhegos. Usou-se anilhas 7,0mm para o anilhamento que aconteceu com aproximadamente com 20 dias de vida.

Observou-se que as penas da cauda, reminges e corpo dos ninhegos apresentavam coloração amarelada (Figura 06), que foi perdida progressivamente ao longo do tempo, possivelmente causada por problemas nutricionais já que não há nenhuma descrição de coloração amarelada em ninhegos de Pionopsitta pileata.

Segundo Hoyo et all, 1997, os jovens machos de Pionopsitta pileata possuem a coloração vermelha do alto da cabeça menos evidente e as jovens fêmeas possuem coloração azul das asas reduzidas, o que foi confirmado nos 3 ninhegos machos e em 1 fêmea nascidos no Criadouro Conservacionista Shamal.

Apesar do Criadouro Conservacionista Shamal ser equipado com "creche" e todo material necessário para incubação e criação dos filhotes na mão e como se tratava de uma primeira reprodução deste casal de Cuiú-cuiú deixou-se que estes bons pais criassem os seus filhotes até a sua independência.

Figura 03 – Casal reprodutor de Pionopsitta pileata (Cuiú-cuiú) no criadouro.04 – Ninhegos  recém nascidos. 05 - Ninhegos  com aproximadamente 40 dias. 06 - Ninhego  com aproximadamente 60 dias já fora do ninho. Ainda sendo alimentado pelos pais. Todas as fotos: Gustav Specht.

CONCLUSÃO

Embora haja raras ocorrências de reprodução de Cuiú-cuiú em cativeiro no Brasil, estas não se mostram difícil de acontecer se respeitar e se levar em consideração alguns pontos chaves como pareamento de um bom casal, alimentação variada e balanceada, boa acomodação e um bom ninho. O estudo da reprodução de Cuiú-cuiú no Criadouro Conservacionista Shamal é de extrema relevância para o maior conhecimento do manejo da espécie em cativeiro. Porém, vários estudos ainda devem ser feitos para que se chegue a um conhecimento amplo da biologia reprodutiva de Pionopsitta pileata em cativeiro.

Sobre os dados biológicos desta espécie, pode-se dizer que é de rara reprodução em cativeiro, porém quando se dá é de fácil manejo. O casal reprodutor se mostrou bons pais alimentando e cuidando muito bem da prole até a sua independência, não mostrando agressividade em nenhum momento. A reprodução se deu no início da primavera se estendendo até o verão com postura de 4 ovos férteis. Macho e fêmea cuidam da prole tanto de dia quanto à noite. Os filhotes nasceram e cresceram todos saudáveis, sem nenhum problema, exceto, a coloração amarelada (Figura 06) de suas penas que foi perdida ao longo do tempo sem causar danos no desenvolvimento dos ninhegos.

O estudo da reprodução de aves em cativeiro é de extrema importância para que haja um maior conhecimento de seu manejo e conseqüente preservação de espécies contra a extinção.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALDERTON, D. The Atlas of Parrots of The World. TFH editions, 544p.

FORSHAW, J.M., 1978. Parrots os the World. T.F.H. PUBLICATIONS, N.J., 584p.

HOYO, JOSEP, ELLIOT, ANDREW & SARGATAL, JORDI, 1997. Hand Book of the birds of the world, volume 4. Bird life international Lynx Editions 638p.

LOW, R. & R.V. MOAT, 1992. Parrots in Aviculture: A Photo Reference Guide. Silvio Mattachione & CO, Canadá 288p.

BAZILIO, SÉRGIO, BELIN, ANELISE APARECIDA RAMOS & CANDIDO JR., JOSÉ FLÁVIO, 2003. Cuiú-cuiús (Pionopsitta pileata Scopoli, 1769) alimentando-se de feloderme de Eucalyptus urophylla (Myrtaceae) na Araupel S/A, Quedas do Iguaçu – Região Sudoeste do Estado do Paraná. Anais do XI congresso Brasileiro de ornitologia, Salvador, Bahia.

SICK, H., 1997 Ornitologia Brasileira. Pacheco José. F., Ed. Nova Fronteira. 862p.

WEINZETTL, M. P., 2002. Reprodução de Marianinha - Periódico CREATIO – Revista Informativa da Associação Brasileira de Criadores e Comerciantes de Animais Silvestres e Exóticos. Ano 1, No 1. Rio de Janeiro, Rj. 10-15p.

 

* GUSTAV V. A. SPECHT, biólogo e consultor técnico do Criadouro Conservacionista Shamal/MG e Criadouro Tiriba/MG. Contato: 0 XX 31 3286-1045 ou 0 XX 31 8813-1045. Belo Horizonte – MG. E-mail: gustav@email.com  


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Última modificação (
Last modified): 04 julho, 2015