Alguns aspectos da Citogenética das aves

Edisiane Barreiros de Souza

A Citogenética é uma ciência que correlaciona eventos celulares, especialmente aqueles dos cromossomos, com fenômenos genéticos.

O Lote cromossômico básico de uma espécie é caracterizado pelo número, forma e tamanho dos cromossomos, o qual recebe o nome de cariótipo. Mais comumente cada espécie apresenta um complemento cromossômico específico, pode, no entanto, algumas espécies apresentarem igual número de cromossomos, porém, na grande maioria das vezes, com forma e tamanhos diferentes.

A constância do cariótipo de uma determinada espécie e a homologia entre os cromossomos de espécies próximas, faz da Citogenética um instrumento útil para o estudo da evolução e das relações filogenéticas entre grupos de animais e vegetais, onde espécies distintas com cariótipos idênticos podem ser agrupadas em uma mesma unidade sistemática e vice-versa.

A teoria de que o material genético de espécies muito relacionadas não apresenta diferenças muito marcantes e que espécies distantes taxonomicamente deveriam apresentar maiores variações cariotípicas, nem sempre é observada, pois já se encontrou espécies diferentes com cariótipos iguais, bem como diferentes cariótipos para uma mesma espécie (polimorfismo cromossômico).

Portanto, as evidências cariotípicas acumuladas fornecem informações citotaxonômicas para a interpretação dos relacionamentos filogenéticos das espécies, bem como as tendências evolucionárias dentre e entre diferentes grupos taxonômicos e nível de organização cromossômica.

O cariótipo também tem um importante papel na sexagem de aves. Sabe-se que o complemento cromossômico em aves é ZZ para machos e ZW para fêmeas. Comumente se encontra uma diferença bem marcante entre esses dois componentes do par sexual. Essas diferenças poderão ser em tamanho, forma ou constituição de material, a qual detectamos através de uma técnica de coloração especial, denominada banda C. Por esta técnica o cromossomo W se mostra comumente bastante escuro, bem marcado, enquanto o cromossomo Z, não. Há aves (por exemplo os Psitaciformes: Araras, Papagaios) que não apresentam dimorfismo sexual externo (uma variação fenotípica entre macho e fêmea da mesma espécie), e, em outras (Aves-do-paraíso, beija-flores), as fêmeas podem diferir externamente mais dos machos da própria espécie do que as fêmeas de espécies próximas. Neste grupo de animais a possibilidade de se determinar o sexo, através da cariotipagem, bem como reconhecer animais da mesma espécie, é muito importante.

O início da carilogia em aves foi marcado por uma série de dificuldades de ordem técnica, quanto a caracterização morfológica, métrica e numérica dos cromossomos, principalmente pela presença de um elevado número de cromossomos (ao redor de 80), distribuídos em duas classes: macrocromossomos e microcromossomos (menores do que 1 micrômetro), sendo os últimos os mais numerosos.

À medida que as técnicas citológicas foram sendo aperfeiçoadas, foi possível uma melhor caracterização dos microcromossomos, assim como determinar com maior precisão o número de cromossomos nas espécies.

Um dos métodos utilizados com maior freqüência na preparação do cariótipo em aves, é o da obtenção de células da medula óssea de animais pré-colchicinizados. Esta técnica só foi possível com a descoberta da Colchicina que promove um acúmulo de metáfases (fase da divisão celular que possibilita a visualização melhor dos cromossomos) e com o tratamento hipotônico (solução salina) que permite uma melhor dispersão dos cromossomos, facilitando desse modo a individualização dos mesmos, fundamental dentro da Citogenética). Esse método para o estudo dos cromossomos em aves apresenta uma desvantagem, a de necessidade de sacrificar o animal para obtenção de sua medula óssea. Além de sacrificá-lo,inviabiliza-se o estudo de sua descendência, o que em muitos estudos seria importante.

Outras técnicas, tais como a utilização de polpa de pena em crescimento, ovos, cultura de linfócitos e de fibroblastos, não apresentam tal desvantagem {exceto a de ovos}, mas, são materiais de difícil acesso, principalmente no caso de animais silvestres e de pequeno porte. A cultura de fibroblasto se iniciou na Citogenética Humana, e recentemente esta sendo transferida para a Citogenética animal, porem de uma maneira bastante lenta. Com o avanço da biotecnologia nessa área {cultura de tecido} se pode esperar por grandes avanços da Citogenética de Aves, principalmente de Aves silvestres.

 

 

 

AO - SERVIÇOS - LINKS