Edição 14 - Janeiro/Fevereiroo 1987 - Página 2 - ISSN 0104-2386

AO Number 14 - January/February 1987 - P.2

PROJETO VISA PROTEÇÃO DA ARARA-AZUL-GRANDE

(Anodorhynchus hyacinthinus)

A partir de fevereiro deste ano terá início um projeto que objetiva uma maior proteção da Arara-Azul-Grande, o maior psitacídeo do mundo, hoje em vias de extinção. Promovido pelo IBDF, e contando também com recursos W.W.S (USA), o projeto tem a participação de ornitólogos internacionais, como Charles Mann e visa inicialmente um melhor levantamento do status desta espécie.

Estuda-se alterações nos critérios burocráticos aceitos internacionalmente, adotados pela Convenção sobre o Comércio internacional de Espécies de Fauna e Flora em Perigo de Extinção _ CITES, do qual o Brasil é signatário, onde a Arara-Azul-Grande sai do Anexo 2 para o 1, sofrendo assim ainda maiores restrições e exigências burocráticas para o seu transporte.


 

Centros de resgates e triagem de animais silvestres

A Delegacia Regional de Minas Gerais está implantando o seu CERTAS e muitos outros já estão em construção, como em São Paulo- SP, Manaus-AM, e Fortaleza-CE; em planos os de Recife-PE, Porto Alegre-RS e Florianópolis-SC. O Centro de Resgates e Triagens de Animais Silvestres do Rio de Janeiro, que já está em funcionamento, será brevemente transferido para outro local, mais amplo.


 

Feira de Caxias

Após as três últimas "batidas" realizadas por fiscais do IBDF e pela Polícia Federal, amplamente divulgadas pelos órgãos de imprensa, a comercialização de animais da nossa fauna teve uma redução na famosa Feira de Caxias, no Rio de Janeiro.


 

Restrições ao desmatamento: conquista ameaçada

Em vias de regulamentação pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, a LEi 7512, que altera o artigo 2º do Código Florestal, assinada ano passado, que dispõe sobre o desmatamento está ameaçada por um novo Projeto de Lei, de Deputado Jorge Arbage-PA, que visa revogação de restrições ao desmatamento.


 

Mutação negra de coleirinho

(Sporophila caerulescens)

Um mutante macho de Sporophila caerulescens, totalmente negro, surgido espontaneamente na Natureza, foi adquirido no início do ano passado pelo Sr. Ênio Flecha (São Paulo-SP) e, acasalado com uma fêmea normal, produziu um exemplar macho da mesma cor negra.

Fato semelhante já ocorreu no criadouro do Sr. Ênio com um Curió totalmente negro, que produziu filhos da mesma cor, mostrando a característica de dominância.

A curiosidade geralmente tendem a um abrandamento das cores e, raramente, à sua intensificação.


 

A AIO e a proteção de espécies ameaçadas

A Amicale Internacionale Ornitologique não tem como objetivo maior a defesa da Natureza, mas ela participa da proteção das espécies ameaçadas quando se trata de aves aparentadas com as de gaiola. E temos dois exemplos:

A SALVAGUARDA DO PINTASSILGO DA VENEZUELA

Carduelis cucullata

Este pássaro, conhecido como Pintassilgo Vermelho, tem sido caçado intensamente, a ponto de ter desaparecido de certas regiões da Venezuela, onde o Governo já proibiu a caça e exportação, mas isto não tem sido suficiente, devido ao contrabando.

A FOV - Federación Ornitológica Venezolana empreendeu atividades para o desenvolvimento da criação e reprodução em cativeiro, objetivando o repovoamento. A Sra. Pilar de Miéres, sua Presidenta, lançou um apelo aos criadores de todo o mundo, para que lhes comuniquem suas observações com a finalidade de obter o melhor êxito na criação; ela também tem solicitado para que não se comprem mais pássaros importados da Venezuela, pelo menos durante uns 7 anos, e tem procurado, dentro das possibilidades, reprodutores saídos de criadouros, o que permitem ampliar a criação com vistas ao repovoamento.

A AIO tem o maior interesse em que a criação do Pintassilgo da Venezuela seja desenvolvida, já que isto favorecerá o aparecimento de novas mutações, talvez até a de um Pintassilgo lipocrômico (sem melaninas); este poderia levar ao canário vermelho natural. O Pintassilgo lipocrômico pode surgir espontaneamente ou através de uma seleção de indivíduos que possuem algumas penas sem melaninas. Seria interessante que os membros de AIO se interessassem por esta pesquisa.

A SALVAGUARDA DO VINI DO TAITI (Vini peruviana)

Também chamada de Lori branco e azul, esta ave é um periquito de 19 cms, de cor azul cobalto, de peito branco, patas e bico vermelho coral. Antigamente muito comum no Taiti (Polinésia francesa), tem desaparecido da maior parte das ilhas, tornando-se raríssimo.

Um membro da AIO, o capitão Guy CHABOT, descobriu na Polinésia algumas ilhas onde vivem alguns Vinis, reencontrando assim genes que poderão ser guardados em cativeiro.

O desaparecimento dos Vinis é uma conseqüência da introdução na Polinésia de pescadores, como o rato, e de uma ave, o Meiro (Acridotheres tristis), que elimina o Vini. Além disso, os Vinis existentes estão muito dispersos e a cada dia se tornam mais sensíveis às doenças e a poluição.

A AIO vai tentar uma experiência de aclimatação do Vini, visando a obtenção de uma raça adaptada a uma determinada alimentação. Esta aclimatação permitirá um estudo científico deste periquito, o que poderá permitir um repovoamento. As formalidades já estão sendo cumpridas junto ao governo francês para a importação de uma dúzia de indivíduos. Um programa de pesquisas já foi apresentado.

Todos os membros da AIO, em virtude dos seus conhecimentos de criação, são indicados para as pesquisas de aclimatação. Além da possibilidade de se contribuir para a proteção das espécies ameaçadas, existe nestas experiências a possibilidade de se ampliar os conhecimentos das aves e de se aumentar a variedade de pássaros de gaiola.


 

Operação Antártica 5

Neste início de janeiro (dia 6)chega a ilha do Elefante, na Antártica, a equipe ornitológica, integrada por 10 pessoas de diversas instituições brasileiras. O projeto tem a coordenação do Prof. Martín Sander, da Universidade do Vale dos Sinos-RS. Entre os integrantes estão Walter Voss, Lenir Rosário Bege, Milton Strider, Viviane Bastos, Pedro Scherer Neto e Alberto Resende Monteiro.

Nesta etapa, o projeto procura intensificar o anilhamento das espécies de aves antárticas que atingem a costa brasileira por movimentos migratórios, objetivando conhecer as suas rotas e outros dados de importância científica.

No final de fevereiro esta equipe, constituída de dois grupos, deverá concluir esta nova etapa do projeto.


 

Avifauna na Itaipu Bi-Nacional

Está sendo promovido pela Itaipu Bi-nacional um levantamento da avifauna nas reservas biológicas de Santa Helena e de Bela Vista (no Paraná), além de um monitoramento das populações de aves aquáticas que habitam os meandros formados pelo lago de Itaipu.

Este projeto tem a duração de dois anos e está sendo desenvolvido pela Sociedade de Pesquisas em Vida Selvagem e Educação Ambiental - SPVS (ver "AO" nº 8, pág. 5) e pela Divisão de Museu de História Natural da Prefeitura Municipal de Curitiba-PR.

Já em dezembro de 86 teve início a primeira fase, quando foram realizadas as primeiras observações ornitológicas. Na opinião do Dr. Pedro Scherer Neto, coordenador do projeto o melhor fato observado foi a abundância de cuculídeos migratórios, vivendo em ambos refúgios.


 

Eleição do COA-Nacional

Será em julho, em seu encontro anual, a realização da eleição para a nova diretoria do Clube de Observadores de Aves-Nacional. O registro das chapas para este concurso já pode ser feito.


 

O CHARÃO

No final de dezembro foi apresentado o número 14 de O CHARÃO, o órgão informativo trimestral do COA. Nele estão a súmula dos resultados do encontro dos Delegados brasileiros e notícias dos núcleos.

 

 

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