Edição 16 - Maio/Junho 1987 - Página 2 - ISSN 0104-2386

AO Number 16 - May/June 1987 - P.2

 

 

A Revista CIÊNCIA-HOJE apresenta artigo do Prof. Sick

Na edição de março último, Ciência-Hoje apresentou interessante artigo do Prof. Helmut Sick, que reproduzimos aqui.


 

COA - Clube de Observadores de Aves

O clube de Observadores de Aves promoveu uma sessão especial para a mostra de filmes sobre aves, como destaque ao efetuado sobre o Condor da Califórnia Gymnogyps californianus e sobre a pesquisa de aves na Antártica, por ornitólogos brasileiros.

Em junho próximo o COA promoverá seu Encontro Nacional, quando será eleita a nova diretoria. Na ocasião serão realizadas dias excursões à Serra e ao Parque Estadual de Vila Velha.

O Núcleo do COA - Rio de janeiro está com nova diretoria: Paulo Sérgio Moreira da Fonseca, Lena Trindade e Erika Schloemp.


 

Aves de Vila Rica

No Parque Estadual de Vila Rica, município de Fênix-PR vão se reiniciar as pesquisas ornitológicas. Em maio retoma-se as atividades do levantamento quali-quantiativo de aves desta área de preservação. Será realizada também uma ampla documentação fotográfica de aves do local.


Sociedade Brasileira de Ornitologia com nova direção

A SBO tem nova diretoria. No último Congresso de Zoologia, foi eleita a nova diretoria composta pelos seguintes ornitólogos: Roberto B. Cavalcanti (Presidente), Paulo de Tarso Z. Antas (Tesoureiro) e Maria Alice Santos Alves (Secretária).

"AO" deseja sucesso para esta nova diretoria e comunica que está prevista uma reunião geral, durante o 3º ENAVE.


 

Anilhadores de Aves - 3º ENAV.

De 14 a 18 de julho acontecerá o 3º ENAV, que está sendo organizado pelo UNISINOS CEMAVE e a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul e é coordenado pelo Prof. Martín Sander.

Os encontros de Anilhadores do Prof. Alberto Resende Monteiro, são hoje um dos acontecidos mais importantes da Ornitologia Brasileira.

Maiores informações podem ser obtidas junto à UNISINOS: Av. Unisinos, 950 - São Leopoldo - RS 93000. Fone (0512) 926333, ramais 218, 251 e 317.


 

Aves Marinhas - Primeira Reunião

De 1 a 3 de maio se reunirá no Paraná, o Grupo de Estudos em Biologia e Ecologia de Ves Marinhas no Brasil.

Participarão os representantes estaduais, além de outros convidados.

Do Rio Grande do Sul presentes Martin Sader e Walter Voss, de Santa Catarina, Lenir Bege e Beloni Paulo, de São Paulo, Márcio do Amaral Resende e do Rio de Janeiro, Elias Pacheco Coelho. Está prevista a participação do coordenador do CEMAVE, Paulo de Tarzo A. Antas.

Durante esta reunião, promovida pelo representante paranaense do grupo, Pedro Scherer Neto, está programada uma visita à Ilhas dos Currais, principa;llocal de reprodução de aves marinhas no Estado do Paraná. Já começou a circular o boletim informativo do grupo" "ATOBÁ".


 

Aves do Marumby

Está em andamento uma pesquisa de campo para a determinação da composição ornitofaunística do Parque Marumby. este trabalho visa fornecer dados para um zoneamento ecológico desta área de proteção ambiental e até o momento já foram identificadas cerca de 270 espécies de aves.

A responsabilidade deste trabalho é dos biólogos Fernando Straube, Mônica Rosa Aguiar e André Meijer.


 

Área para estudos ornitológicos

Um local para estudos ornitológicos em reflorestamento associados a remanescentes de floresta nativa foi oferecido a Divisão de Museu de História Natural e ao COA - Clube de Observadores de Aves.

Situada no município de Tijucas do Sul (Paraná) esta área pertence ao Sr. Sérgio Erdelyi, que geralmente ofereceu uma residência com todo conforto para 6 pessoas, interessadas em desenvolver também outras pesquisas em relação à fauna.

Maiores informações no setor de Aves, da Divisão de Museu de História Natural, pelo telefone (041) 2663544, com Pedro Scherer Neto.


 

O comércio ilegal de aves Blumenau

Carlos Edmundo Zimmermann - Blumenau - SC

Para quem mora em Blumenau e tem o desejo de possuir um espécie da fauna silvestre brasileira para servir de animal de estimação, não encontra dificuldades para isso. Muito pelo contrário, principalmente, se desejar alguma ave.

Quase todas as lojas que comercializam aves exóticas como canários e periquitos australianos, também comercializam aves silvestres, bem como, os estabelecimentos que comercializam, por exemplo, pintos de um dia, rações, etc.

Muitas esporadicamente, quando membros da própria população vêm até a loja para oferecer as aves que capturam em arapucas, como Gaturamos, Sanhaços e muitos outros.

Mas dentre as várias lojas que comercializam ou comercializavam aves silvestres, entre todas, a que mais se destaca é a Casa Caramuru, na Rua 7 de Setembro, bem no centro de Blumenau.Além de comercializar qualquer espécime de aves de todo o Brasil, ela também mantém o comércio de animais domésticos (gatos siameses, galos, coelhos e outros) e nativos, como quatis.

A caça e o comércio de aves silvestres é proibido por lei em nosso estado, mas a Casa Caramuru parece ignorá-la e desafiar ecólogos e naturalistas.

Eu mesmo observei uma Arara-canindé (Ara arauna) nos fundos da loja por vários dias.

Sem temer nada nem ninguém, como fiscais do IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal), da FATMA (Fundação de Amparo e Tecnologia e Meio Ambiente), do DECON (Defesa ao Consumidor -Blumenau), da AEMA (Assessoria Especial do Meio Ambiente de Blumenau) a Casa Caramuru expõe seus produtos proibidos na calçada e no interior da loja, acessível ao público.

Pássaros como o Trinca-ferro-verdadeiro (Saltador similis), aves como a Juriti-pupu (Leptoyilla verreaxis), periquitos de outras regiões do Brasil não são difíceis de encontrar.

Certa vez indaguei a um vendedor da loja sobre a procedência de uma ave que ele identificou como sendo uma "Jandaia", o vendedor respondeu o seguinte: "ela veio lá de cima do tio".

Ficando claro que por detrás disto existe toda uma estrutura, um sistema muito bem organizado, uma verdadeira máfia.

Recentemente observei um casal de papagaios em frente à uma floricultura na Rua São Paulo. Expostos na calçada, não hesitei em perguntar com eles conseguiram aquelas aves. O filho do proprietário relatou-me que periodicamente aparecem pessoas de Estado vizinhos e de outras regiões do País com várias espécimes de aves para vender, e que a um ano atrás compraram aquele casal de papagaio-verdadeiro (Amazona a.aestiva)

E, assim, encontráramos vários exemplos de locais, de pessoas que possuem aves silvestres para comercializar.

O que fazer para detê-los?

A ACAPRENA (Associação Catarinense de Preservação da Natureza), já denunciou ao IBDF (Florianópolis) que no dia 15/01/87, depois de acumular dezenas de denúncias sobre a Casa Caramuru, realizou uma batida no estabelecimento, conduzida pelo agente da Defesa Florestal - Jaime F. Rosa, que capturou mais de setenta exemplares silvestres e exóticos que não estavam com a documentação legalizada.

Esta é uma iniciativa que merece nossos aplausos, contudo o trabalho não acabou aí, temos outros estabelecimentos nas mesmas condições que a Casa Caramuru e a fiscalização deve ser periódica, porque os proprietários vão retornar ao comércio ilegal de aves.

Em relação à caça devemos mencionar que era ela razoavelmente controlado pela AEMA, contudo, o poder Executivo da Prefeitura de Blumenau, proibiu simplesmente a fiscalização por motivos políticos.

Realmente estamos diante de uma situação delicada. Algo precisa ser feito para cessar esses crimes contra a natureza, contra nossa avi-fauna causados por esta e demais lojas do gênero.

Nossa fauna está em perigo, muitas espécies à margem da extinção. Contudo a população, poder público e político não parecem estar conscientes dos perigos para a humanidade de nossa destruidora intervenção no meio ambiente.

 

 

 

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