(Continuação do número anterior)

AMEAÇAS À AVIFAUNA NO BRASIL

Marco Antonio de Andrade - Belo Horizonte - MG

8 - MINERAÇÃO:

É conveniente ressaltar, com muita atenção, as atividades de mineração a céu aberto que destroem o meio ambiente e, sem dúvida, causam grandes ameaças à fauna silvestre. Este tipo de mineração expõe o solo e acaba com a cobertura vegetal, não restando locais de abrigo, alimentação e reprodução para as aves.

Imensas montanhas desaparecem, como o Pico do Cauê, outrora marco paisagístico da cidade de Itabira - MG (Sick, 1985). Vários afloramentos calcáreos na região de Lagoa Santa, Matozinhos e Pedro Leopoldo, em Minas Gerais, onde existiam famosas e importantes grutas e lapas, já desapareceram em benefício da indústria de cimento. Não são apenas rochas sacrificadas, mas também a vegetação rupestre e rupícula, que recobre estes afloramentos e compõe a paisagem típica desta região.

Grandes projetos de mineração, como CARAJÁS, no Pará, a exploração de manganês na Serra do Navio, no Amapá, os garimpos arrazadores na região de Poconé, no Pantanal Matogrossense, e muitos outros, são responsáveis pela destruição do habitat de diversas espécies. Na Serra dos Carajás, recentemente foi encontrada uma nova variedade de araponga que ainda não era conhecida pela ciência.

Na maioria das empresas mineradoras não existe um projeto de recuperação das áreas afetadas ou destruídas. Desta forma, é extremamente necessário que os dirigentes das empresas se conscientizem e realizem medidas de conservação para estas áreas.

9 - INTRODUÇÃO E REINTRODUÇÃO DE ESPÉCIES:

«Cada espécie de animal existe numa região característica, de maior ou menor extensão, de acordo com o tipo de ambiente, de clima, e de outros fatores que influenciam essa localização» (GONZAGA,1982). Quando uma ave é introduzida num novo ambiente, geralmente encontra boas condições para se alimentar e se reproduzir, espalhando-se por uma área muito maior e passando a competir com a fauna nativa. É o caso, por exemplo, do pardal e do bico-de-lacre, trazidos da Europa e África, e introduzidos no Brasil. Junto com estas aves, podem vir até doenças novas, para as quais a fauna nativa não tem defesas.

A restauração ou reintrodução da avifauna deve ser bem planejada e feita com rigorosos critérios técnicos, abrangendo as espécies já desaparecidas na área. As solturas devem ser feitas nos ambientes apropriados a cada espécie e onde haja farta alimentação. Não se deve soltar aves típicas do cerrado em área de mata atlântica, como ocorreu, anos atrás, no Parque do Rio Doce-MG.

Soltar aves mantidas já algum tempo em cativeiro, significa sacrificá-las, pois em liberdade não encontrarão comida nem saberão defender-se de predadores.

BIBLIOGRAFIA

ANDRADE,M.A. - A Utilidade e Importância das Aves - Atualidades Ornitológicas 24:3, 1988.

GONZAGA, L.A.P. Conservação e Atração das Aves. Rio de Janeiro, Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza, 1982. 54p.

SICK, H. Ornitologia Brasileira: Uma Introdução. Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1985. Vol. I.

 

 

 

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