Entrevista com Luiz Claudio Marigo

A ARARINHA-AZUL DE SPIX

O Sr. Marigo, vice-presidente do Clube dos Observadores de Aves - COA, e um dos mais renomados fotógrafos especializados em Natureza, em entrevista especial para AO, revela sua grande preocupação quanto a iminente extinção da Cyanopsitta spixii.

 

AO:O último levantamento feito pelo Sr. Paulo Roth, na área de ocorrência da Ararinha Azul, mostrou apenas 3 exemplares da espécie. Na sua opinião, a que se deve isto?

Luiz Cláudio Marigo: O problema da spixii tem dois agentes que levaram esta espécie ao limiar da extinção - talvez à extinção na Natureza. Um deles é a demanda provocada pelos colecionadores. O outro agente é a omissão do governo federal que deixou a fauna brasileira completamente abandonada durante décadas.

Os colecionadores têm uma responsabilidade ética muito grande pelo desaparecimento dessa arara, pois foram eles que provocaram, pela procura para suas coleções, o provável extermínio na Natureza e o IBDF está totalmente paralisado, desorganizado; o governo Sarney abandonou praticamente a questão da conservação da fauna no Brasil.

 

AO: Qual a sua idéia para salvar a Ararinha?

Luiz Cláudio Marigo:. Acho que os colecionadores não deveriam ficar esperando que alguém de fora, que alguma entidade conservacionista, produza um programa de criação em cativeiro para tentar salvar a ararinha. Já tentaram isso e não deu certo devido à vaidade, ao egoísmo de certos criadores, que acham ser donos do animal, quando na verdade estes legalmente pertencem à Nação.

O hábitat desta espécie está razoavelmente intacto; a redução da população da ararinha é, principalmente, resultado da pressão e apanha pelos colecionadores; eles são responsáveis pela sua extinção. Se eles assumissem o fato que provocaram, deveriam, por iniciativa própria, tentar a recuperação da população da arara em cativeiro para depois, num futuro infelizmente ainda incerto, e com a supervisão dos órgãos responsáveis que precisam ser chamados a assumir seu papel, e de cientistas competentes, tentar a sua reintrodução na natureza.

Os colecionadores devem pagar esta dívida para com a Natureza, deixando de lado sua vaidade, sua mesquinharia, que não podem prevalecer frente à importância da extinção de uma espécie.

Fora da iniciativa dos colecionadores, a proposta da criação da arara em cativeiro, deveria ser feita por algum órgão governamental ou por alguma fundação conservacionista, deixando bem claro que essa iniciativa se contrapõe aos causadores do problema da ararinha.

Se a política de fauna do Brasil fosse séria, se o governo federal tradicionalmente não tivesse sempre abandonado toda a preocupação para com a Natureza, o Brasil já deveria ter um centro de restauração faunística para o trabalho de estudo e recuperação de espécies raras, em cativeiro. Seriam centros para avicultura, para criação de mamíferos,etc., bem estruturados, bem dimensionados, para fazer esse trabalho. A única organização que eu conheço que faz bem é o Centro de Primatologia do Rio de Janeiro. No caso de arara de Spix, no centro de restauração faunística seria criado um plantel para tentar a reprodução desta espécie em cativeiro, por iniciativa alheia aos criadores.


 

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