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Uma visita à

ZOOBOTÂNICA MÁRIO NARDELLI

Imaginem uma área, como a de um estádio de futebol, encoberta por uma ampla tela, e cheia de árvores e bichos - mais de 650 (em dezembro de 1988 eram 612: 320 da Zoobotânica e 292 da Renabra), que ali vivem e se multiplicam. Aves raras, algumas que só existem ali e em nenhuma outra parte do mundo.

Uma melhor idéia disso terão após esta entrevista com o Sr. Pedro Nardelli, que AO fez em uma visita à Zoobotânica Mário Nardelli (nome em homenagem ao seu pai), em Nilópolis (rua José Tertuliano de Almeida, 327, CEP 26535), no Rio de Janeiro.

 

AO: Quando notou sua paixão pelos animais?

Sr.Pedro Nardelli: Sou descendente de italiano por parte de pai, e de português por parte de mãe. Nasci num sítio, cercado por cães de caça, espingardas, cheiro de pólvora. Meu avô, italiano, era caçador. Assim, desde cedo vivi cercado de animais silvestres. Como filho único eu era muito preso e uma das minhas principais distrações era ficar observando os animais. Minha mãe dizia que eu ficava horas e horas vendo as formigas trabalhando. Às vezes meu pai e meu avô traziam alguns animais e eu os criava. Lembro-me que criei até gambás; eram filhotinhos e eu os levava para onde ia nas costas, até que minha avó pediu para não os mais levar para dentro de casa...

Na minha adolescência eu não tinha uma definição; pegava passarinhos com visgo, os caçava de atiradeira. Com 14 anos vivi minha primeira aventura; acampei com um amigo durante 3 noites na floresta de Nova Iguaçu. Tínhamos uma pequena espingarda e muita disposição. Mas foi quando, pela primeira vez, fiquei com os cabelos arrepiados ao ouvir, numa noite escura, o assustador gemido ú ú ú, que só depois vim saber ser o canto do corujão.

Com o tempo entrei para o Clube dos Caçadores do Rio de Janeiro e passei a viajar para outros lugares; na época, Brasília estava em construção. Durante 10 anos cacei em M.Grosso; só que, enquanto meus amigos caçavam animais, eu coletava orquídeas ou capturava algum animal, pois já havia aposentado há muito minha espingarda. Lembro-me que consegui um tamanduá-bandeira e um porco-do-mato.

AO:Quando surgiu sua paixão pelos cracídeos?

Sr.Pedro Nardelli: Foi numa dessas expedições que vi, pela primeira vez, um casal de mutuns na Natureza, em Mato Grosso. Foi há 28 anos atrás (hoje tenho 57 anos), no Rio Sucuriú; eram mutuns da espécie Crax fasciolata. Naquela época já tinha em minha casa uma quantidade grande de aves, de bichos. Minha última caçada foi quando tinha 25 anos. Porém acho que a auto- determinação de cada um deve ser respeitada. Aqueles que preferirem caçar, devem caçar, aqueles que preferirem criar, também devem criar. Assim, respeito os caçadores. Na Itália existe quase um milhão de caçadores, que caçam todo ano e não acabam com a fauna. Por que? Porque existem critérios, existe respeito às leis. No Brasil isto não existe e o que ocorre aqui é uma dizimação, por isso a caça aqui deveria ser mais controlada. Entretanto acho que ela deve existir, como acontece nos países civilizados. Na Amazônia, por exemplo, é muito normal que as pessoas se alimentem de caça, de pesca nas cidades ribeirinhas, pois não têm outra alternativa. Nas grandes cidades é onde estão aqueles que pregam a bandeira da conservação, que dizem que não se deve pescar, não se deve caçar, não se deve ter pássaro em gaiola, é proibido isso e aquilo; só que pregam isso em um restaurante, por exemplo, de Copacabana, comendo lá uma peixada ou um suculento bife. Eu pergunto: se nossos antepassados não tivessem conseguido domesticar o boi, a cabra, a galinha, etc., como eles poderiam pregar estas coisas?

Em Nilópolis eu morava em um sítio de 4 mil metros. Eu comecei a minha criação baseado nas minhas economias; quando ganhava um dinheirinho eu fazia uns viveiros, ampliava outros, etc., e assim organizei a criação.

No mesmo ano que conheci os mutuns, consegui, numa fazenda em Mato Grosso, meus primeiros 3 exemplares. Eles me fascinavam muito, achei-os muito interessantes e, dessa forma, comecei a criá-los. Depois consegui um Crax alector, que está comigo até hoje. Em seguida consegui jacus, e fui ampliando minha coleção. Hoje tenho todas as espécies de cracídeos brasileiros. Há alguns anos comecei um intercâmbio e fui conseguindo muitas outras espécies de outros países das Américas.

Durante este período houve uma «explosão» no crescimento dessas aves; assim, tive que doar muitas delas. Praticamente eu fiz a iniciação de cracídeos no Brasil, onde já existem muitos criadores.

Com essa grande multiplicação, surgiu um sério problema para mim: a falta de espaço. Há alguns anos fizemos um trabalho de repovoamento aqui em Nova Iguaçu. No ano passado mandei alguns para a CESP, em São Paulo, para um trabalho de repovoamento.

Para a segunda etapa na criação dos cracídeos, programei um estudo da sua domesticidade; tentar fazer com os cracídeos o que foi feito com o peru, a galinha, o faisão, etc. Assim precisava conhecer seu comportamento em grupo. Para tanto cobri o meu criadouro, que tem 4 mil metros quadrados, com tela. E algumas observações já estão sendo obtidas. Eles são extremamente agressivos, passam praticamente o dia todo brigando. Talvez por isso, na natureza, andem em pequenos grupos familiares, pois não se toleram. Introduzir-se um indivíduo estranho em um grupo é condená-lo à morte. Porém existem indivíduos dóceis, que aceitam passivamente a companhia dos outros. Dessa forma, acreditamos que através de uma seleção de tais indivíduos se consiga sua domesticidade, principalmente dos jacus, onde concentramos a pesquisa. Não sei até que ponto economicamente seria viável, pois seu percentual de postura ainda é baixo e sob o aspecto visual não é uma ave tão bela como, por exemplo, o faisão. Porém para quem gosta, quem ama, é uma ave formidável e eu não tenho dúvidas...

AO:Como surgiu a RENABRA?

Sr.Pedro Nadelli: Devido ao mencionado excesso de produção, criamos uma empresa à parte, incentivados pelo próprio IBDF, para tentar colocar esse excesso no exterior, já que o interesse dos brasileiros em ter esses animais é muito pequeno. Dessa forma, transferimos para a RENABRA (Recursos Naturais Brasileiros) aquelas espécies não ameaçadas de extinção com a finalidade de exportar, pois acreditamos que isso seja uma das poucas maneiras de preservá-las. Um exemplo é o jacuaçu (Penelope obscura brozina),ave em via de extinção, nativo da mata Atlântica, que hoje praticamente já não existe. Tinha mais de 100 indivíduos (hoje tenho cerca de 60, pois tive que doar os outros, por falta de espaço) e, mesmo pedindo ao IBDF, não encontro interesse junto a entidades, criadores, etc. As pessoas não parecem ter interesse. É um investimento que se faz para preservar o animal; quando se consegue uma quantidade razoável, para que se possa fazer o repovoamento, não se encontra espaço. Alguns me pedem, às vezes, algumas aves, para soltar no sítio. Não posso dar um animal para soltar assim, pois tenho certeza que ele vai ser caçado... Só fazemos isso quando encontramos locais onde eles terão uma dose relativa de sobrevivência.

Além de outros estudos que realizamos através desse meu viveirão, ele permite que as aves vivam em semi-liberdade e isto é muito favorável para a reintrodução na natureza. A alimentação é natural; eles comem folhas, brotos, grama, frutos da estação (quando existem), etc. e, dessa maneira, não têm dificuldade para sobreviverem quando livres. Na verdade, os inimigos que irão ter serão os predadores e o próprio homem.

Mesmo na Europa, nos Estados Unidos e outros países, a aceitação dessas aves não é fácil. O jacu, por não ser vistoso nem conhecido, também lá, não desperta muito interesse. A não ser por um fanático, pois por lá também existem "Pedros Nardellis" (risos). É claro que outras aves, mais vistosas, mais atraentes, são preferidas.

Mas meu criadouro não se restringe aos cracídeos. Com a RENABRA aproveitei a experiência com os psitacídeos, mormente com as aratingas e as pyrrhuras, para tentar manter essa atividade de lazer auto-sustentável, já que os custos são bem elevados. Atualmente a Zoobotânica M.Nardelli tem despesas mensais só com pessoal (bióloga, tratadores, limpeza, manutenção, fora veterinário, parte contábil, etc.) de mais de três mil cruzados novos por mês. E até hoje nunca tive nenhum retorno de qualquer investimento; nunca vendi nenhuma ave na minha vida.

Porém o maior problema dessa estrutura é que estamos criando, criando e criando e não temos onde colocar toda essa produção. A RENABRA foi criada para duas finalidades: a principal é colocar no exterior os animais aqui reproduzidos que aqui não conseguirmos colocar. Lá é uma forma mais segura de proteção, pois quem receber uma ave destas, obviamente vai investir na tentativa de reproduzi-la; são pessoas que possuem condições econômicas é que se permitem esse investimento. A segunda razão da existência da RENABRA é a tentativa para que ela passe a ser auto-suficiente, para que possamos investir mais e que fique cada vez melhor.

Aqui já temos o problema de espaço saturado. O próximo passo é criar um novo espaço, um criadouro moderno, numa outra área para a RENABRA; esta sendo auto-sustentável. Porém continuaremos com o projeto da reprodução das aves em vias de extinção.

O mutum mais raro do mundo é o Mitu mitu mitu; depois dele vem o Crax blumebachii, do Espírito Santo e Bahia. Porém em Minas Gerais, o Sr. Roberto Azeredo se especializou neste último mutum e tem tido muito êxito em sua criação.

Quanto à reintrodução na natureza, algumas espécies não parecem ter futuro promissor para isto. É o caso do mutum-do-nordeste Mitu mitu mitu, pois a área onde vivia está restrita a bolsões, com fácil acesso de caçadores, o próprio ambiente é tão pequeno que torna inviável. Só se algum fazendeiro ou quem quisesse se dedicar a isso, destinando uma área com fiscalização. Não com fiscal ganhando o salário mínimo, pois logo alguém aparece, oferece dois salários, e leva o mutum, ou seus ovos. Assim, no momento, a única solução para ele é a criação em cativeiro.

AO:Hoje o mutum-do-nordeste é uma ave praticamente extinta, conhecendo-se apenas os indivíduos do seu criadouro. Como os conseguiu?

Sr.Pedro Nardelli: No meu afã, no meu romantismo, no meu desejo de ter todos as espécies brasileiras de cracídeos, voltei logo os olhos para o mutum-do-nordeste. Li alguma literatura do Olivério Pinto, do Prof. Coimbra, que diziam ser possível a existência dele em certa região do nordeste. Por volta de 1975 fizemos uma expedição e encontramos, em São Miguel dos Campos, em Alagoas, um indivíduo aprisionado; troquei-o por uns faisões. Era uma fêmea; tentei cruzamentos com Mitu tuberosa, porém dois anos depois ela faleceu. Assim, resolvi fazer uma expedição para captura dos últimos remanescentes, já que havia na ocasião uma devastação muito grande, diante da implantação do Próalcool em Alagoas. Por azar, justamente no local onde havíamos identificado alguns indivíduos estava sendo instalada a destilaria para usina de álcool. Nos instalamos por perto e tivemos que fazer um grande investimento; montamos um acampamento com 10 empregados, dois jeeps, armamos quatro mil laços, ficamos acampados 17 meses. Só 11 meses depois de lá chegar é que vimos o primeiro mutum; nesse período só ouvíamos dizer que tinham visto, víamos penas, excrementos, pegadas, porém nada de vê-los. Basta dizer que, quando fomos, levamos dois filhotes de Mitu tuberosa para servirem de chama e eles ficaram adultos lá... No final da expedição trouxemos 5 indivíduos daquela área, que hoje é apenas um canavial. Daqueles 5 remanescentes que trouxemos para Nilópolis, hoje temos 17. Porém a fortuna não nos sorriu no campo dessa reprodução, porque, infelizmente, a maioria dos filhotes que nasceram foram machos. Para se ter uma idéia, temos hoje dois casais adultos, 1 macho sem condições de reproduzir, uma fêmea nova e 10 machos, desacasalados. Se tivessem nascido casais, eles estariam hoje reproduzindo e certamente teríamos conseguido mais sucesso. No próximo ano uma fêmea estará reproduzindo e ficaremos com 3 casais. Para que os machos não fiquem muito tempo sem atividade sexual, estamos hibridando com o Mitu tuberosa, o mutum-cavalo, porém ainda não obtivemos ovos férteis. Estamos tentando conseguir mais fêmeas desta espécie para mantermos todos os machos acasalados, para evitar uma atrofia glandular.

Quanto a existência de mutum-do-nordeste em liberdade, não tivemos mais notícia, apesar das expedições freqüentes que são feitas lá. Por ser uma região muito pobre, se aparecer algum, a primeira reação do homem de lá é dar um tiro no bicho. Outra dificuldade para sobrevivência é a ausência de obstáculos naturais; lá não existem montanhas, mata fechada, nem nada; são uns grotões onde passa um riacho, hoje cercados de cana. Lamentavelmente, não creio que possa haver condições para sobrevivência dessa espécie em liberdade.

AO:Quais as principais características do seu criadouro? Sr.Pedro Nardelli: O atual viveiro tem uma área de 4 mil metros, toda murada e, através de diversas torres metálicas, com 12 metros de altura, foi estendida uma tela especialmente desenvolvida, de alumínio. Esse metal evita o problema da ferrugem e não acarreta as dificuldades do peso da tela comum sobre toda a estrutura. Nas torres principais existem pára-raios.

Para revestir os muros externos temos o projeto de colocarmos out-door em toda extensão. Serão mostrados diversos painéis, de forma didática, sobre as aves. Essa fachada será como uma "aula de ornitologia" para o público.

Na parte interna estão plantadas, no terreno gramado, inúmeras árvores frutíferas, como Tamarindo, Pitanga, Carabura (uma árvore originária da Austrália, muito bem adaptada no Brasil, que tem uma vitalidade de uns 8 anos e produz uma grande quantidade de frutos), 13 mangueiras (produzem cerca de 6 mil frutos por estação; nessa temporada, nesses 3 meses, somente as mangas praticamente abastecem nosso criadouro), Carambola, Amora, Coqueiros, Jamelão,etc.

Um sistema de água e esgoto está distribuído por toda essa área. A água é oferecida, a todos os animais, por gotejamento e isso parece ser uma das razões para que tenhamos poucos problemas por aqui. As gotas caem num pirex que, colocado sobre o esgoto, permite uma água sempre limpa. Regularmente esses pirex sofrem uma limpeza.

O terreno, de forma retangular, é ocupado internamente, em todos os seus lados, por viveiros.

Na parte anterior está uma construção destinada à incubação de ovos e desenvolvimento dos filhotes. É para lá que são levados todos os ovos produzidos pelos cracídeos. Recentemente adquirimos uma nova incubadeira, da marca Petersine®, que tem proporcionado um significativo aumento na taxa de eclosão. Ela permite a incubação de 600 ovos com mais 300 para eclosão.

Os ovos são incubados, indo depois os filhotes para as criadeiras, em recinto anexo, onde ficam por cerca de um mês. Daí vão para viveiros externos, situados nesse mesmo lado.

Estes viveiros têm uma tela de proteção sobre seu fundo, evitando que essas novas aves tenham contato com seus excrementos.

À proporção que elas crescem são transferidas para outros viveiros, sempre se procurando manter um grupo de igual tamanho. Todas as aves são anilhadas. Esses anéis, produzidos por nós, são colocados quando a ave atinge a metade do seu tamanho definitivo, pois, do contrário, a anilha inviolável cairia.

O exame para identificação do sexo dos cracídeos é feito por duas técnicas: uma através da traquéia, quando se trata de mutuns. Na palpação do peito sente-se que há uma diferença significativa entre macho e fêmea; nesta, ao nível da fúrcula esternal, a traquéia se aprofunda bruscamente. Nos jacus de grande porte nota-se a diferença nos olhos. A outra técnica, aplicada a todos os cracídeos, é pela observação da cloaca, durante o período reprodutivo, quando elas se mostram significativamente diferentes nos sexos.

Assim, na parte interna anterior do terreno, estão distribuídos estes viveiros, destinados aos jovens. Já nas partes laterais estão distribuídos os viveiros de tamanho médio para os jacus de um lado, e , do outro,viveiros maiores para os mutuns. Na área dos fundos estão alinhados os viveiros menores para os aracuãs.

Ainda numa área específica, foi construída uma oficina que dá manutenção às instalações, desenvolve construção de ninhos, etc., e, junto a ela, uma ampla cozinha.

Algumas baterias de viveiros para psitacídeos foram construídas e outras estão sendo instaladas na área interna.

Já os psitacídeos são um pouco mais difíceis de criar. Temos feito algumas adaptações. Já conseguimos a reprodução do Amazona vinacea, do Amazona xanthops, do Amazona amazonica. Estamos tentando a reprodução do Amazona rhodocorytha, A.brasiliensis, A.festiva, as duas variedades do A. xanthops, Pionites melanocephala, Pionus maximiliani, Aratinga leucophthalmus, Amazona farinosa, Amazona aestiva, Deroptyus accipitrinus accipitrinus, etc. Numa outra estante de viveiros mantemos outros psitacídeos, já obtidos da nossa criação como Pionopsitta pileata, Brotogeris tirica, Pyrrhura leucotis griseipecturis, Pionopsitta, Aratinga auricapilla aurifrons, Aratinga solstitialis solstitialis, Aratinga aurea, Aratinga cactorum, Aratinga pertinax paraensis, etc. Num outro bloco, estão os viveiros das Pyrrhuras. São 20 gaiolões. Também praticamente todos em reprodução. Temos a Pyrrhura cruentata, Pyrrhura picta picta, Pyrrhura frontalis, a do Ceará Pyrrhura leucotis griseipecturis, Pyrrhura rhodogaster, Pyrrhura picta roseifrons, Pyrrhura leucotis leucotis, etc.

Apesar de ter minha maior paixão pelas aves, também tenho um especial carinho pelos primatas e, assim, reservei uma área para eles na Zoobotânica. Também desenvolvemos um Know how na instalação dessas jaulas. Temos uma tela, sempre de alumínio, bem distante do solo, para reduzir os riscos de contaminação, mantemos água sempre fresca, por gotejamento, etc.

Vivem livremente diversas espécies de saíras, gaturamos, sabiás, canários-da-terra, pombas, beija-flores, etc., muitas nidificando.

Temos um cachorro-vinagre e até um casal de caxinguelê!...

AO:Basicamente em que consiste a alimentação desses animais?

Sr. Pedro Nardelli: Para os cracídeos usamos basicamente rações industrializadas, granuladas, que servimos pela manhã. Complementamos a alimentação, à tarde, com frutos da estação e com muito verde; eles gostam muito de folhas. Geralmente todas as árvores que dão frutos têm suas folhas muito apreciadas por essas aves. À noite os comedouros são fechados, para evitar problema de umidade. Duas vezes por semana damos uma papa, à base de uma ração comercial, onde misturamos frutas, cascas de banana, folhas, etc - eles adoram comer. Na época fria adicionamos fígado de boi moído (batemos em um liquidificador de 12 litros).

Um dos principais sinais de uma boa alimentação pode ser visto na reprodução, no brilho das penas, no próprio comportamento da ave.

Os psitacídeos também recebem uma atenção alimentar especial.

Além das aves, temos alguns sagüis, que damos ração industrial, frutas diariamente e, de 3 em 3 dias, damos peixe cozido. Eventualmente alguns camundongos.

As aves soltas se alimentam naturalmente, pois todas as arvores aqui plantadas são frutíferas; os cracídeos, por ex. adoram as folhas dessas árvores e até a grama. Também temos livremente as saíras às quais constantemente temos que oferecer bananas e outras frutas, pois o metabolismo desses pássaros requer uma alimentação constante.

AO:Há algum cuidado profilático especial?

Sr.Pedro Nardelli: Vacinamos contra a Doença de New Castle, com a mesma vacina usada para galinhas, uma vez por ano. Nos psitacídeos pingamos uma gota ocular dessa mesma vacina. Duas vezes ao ano damos um vermífugo, em fevereiro e em agosto. O grosso da postura vai de setembro a novembro e nesse período não fazemos a vermifugação.Nos ninhos usamos o Bolfo®, para evitar parasitas.

AO:Quais são os seus planos para o futuro?

Sr.Pedro Nardelli: Eu tenho meus animais para curtir. Porém agora chegou num quantitativo que tenho que partir para um novo projeto; senão não poderei colocar mais ovos para chocar, o que seria um desperdício. Só de cracídeos tiramos este ano mais de 100 filhotes. De psitacídeos tiramos uns 40.

Com a superpopulação surge o estresse, o canibalismo; e aumenta o risco do surgimento de uma doença epidêmica, dizimando tudo.

Assim, estão em meus planos construir um novo criadouro, maior, mais amplo, onde poderei incluir também a minha residência. Afinal, pretendo me aposentar entre árvores, flores e animais...

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Um viveiro de 4 mil metros, 12 de altura, coberto com tela de alumínio..

...onde vivem (e procriam) quase 700 aves...

...como os jacus...

...área para os mutuns...

...muitas aves vivem como livremente...

...baterias de viveiros de papagaios...

...baterias para outros psitacídeos...

...jacu vermelho (Penelope pileata)...

...incubadeira para 600 ovos (com mais 300 para eclosão)...

...um casal de Penelope cyaneus parius...

...o rarissimo mutum-do-nordeste...

...o raro pavó(Pyroderus scutatus scutatus) sendo alimentado pelo Sr. Pedro Nardelli.

 

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