Observação dos psitacídeos do E.Santo e sul da Bahia no período de acasalamento e reprodução

Duze Maria Ribeiro Fortaleza - Serra -ES

Nos meses de agosto e setembro do ano passado percorremos a região norte do E. Santo (municípios de Linhares, São Mateus, Rio Bananal, Jaguaré, São Gabriel da Palha, Nova Venécia, Águia Branca, Alto Rio Novo, Pancas, Boa Esperança e Pinheiro) e sul da Bahia (municípios de Mucuri, Itamarajú e Eunápolis), a fim de concluirmos uma observação iniciada em maio/junho do mesmo ano.

Constatamos que, das espécies que ocorrem neste ecossistema já havia ninhos com filhotes de:

Amazona rhodocorytha - em maior quantidade no sul da Bahia do que no E. Santo.

Amazona vinacea - apenas na região de Alto Rio Novo e Pancas (ES) em número muito reduzido;

Amazona farinosa- população bastante diminuída em seus locais de ocorrência nos dois estados;

Amazonia amazonica - abundante na região litorânea do sul da Bahia, principalmente nas grandes culturas de mamão de onde, talvez, se afastem poucos quilômetros ao entardecer. No E.Santo, encontrada nos municípios de São Mateus e Pinheiro; muitos filhotes apreendidos;

Pyrrhura cruentata e Pyrrhura leucotis adultos e jovens nos municípios de Linhares, Rio Bananal, São Mateus e Jaguaré, já presos para a venda criminosa;

Aratinga aurea - bastante abundante no litoral entre os dois estados, em ninhos com filhotes quase à beira das estradas, nos cupinzeiros dos pastos;

Aratinga auricapilla - na região de Curumuxatiba-BA, onde também encontramos alguns exemplares de Pionus m. reichenowii, sem, porém, distinguirmos filhotes ou adultos, nem mesmo encontramos seus ninhos;

Pionus maximiliani - encontrada com relativa facilidade nos dois estados, contudo em menor número nos últimos anos;

Aratinga leucophtalmus - no litoral entre os dois estados e nos municípios de Linhares, Rio Bananal, São Mateus e Jaguaré (ES). Nestes mesmos municípios, encontramos a espécie Brotogeris tirica, ainda em número considerável.

É lamentável sentir o declínio das populações de nossos psitacídeos a cada ano que passa!

Aves ameaçadas

Em visita às reservas biológicas de Sooretama e Córrego do Veado, em outubro do ano passado, constatamos e tivemos informações de que as espécies constantes da lista de animais ameaçados de extinção ainda podem ocorrer, mesmo em decréscimo, nas referidas reservas.

Relativamente à avifauna, de acordo com as respectivas famílias, observamos as espécies:

Em Sooretama:

Cracidae - Crax blumenbachii - casal com 3 filhotes;

Cuculidae - Neomorphus geoffroy dulcis - 1 adulto;

Psitacidae - Pyrrhura cruentata - bando de 30 indivíduos, aproximadamente;

Psitacidae - Amazona vinacea - provavelmente 1 macho sobre o ninho.

No que concerne ao estado material e necessidades básicas das reservas em questão, há grande carência de pessoal especializado e bens materiais para os funcionários, como o uso de botas para proteção dos guardas e, o que é inaceitável, a falta de soro antiofídico em ambas as reservas.

Assim, para finalizar e à guisa de colaboração, propomos as seguintes medidas:

1 - proporcionar ao pequeno efetivo de guardas florestais o treinamento e a educação científica que, infelizmente, não oferece o poder público, o que pode ser realizado por voluntários;

2 - a restauração e a criação das casas e postos de observação, bem como suprir as necessidades mínimas de equipamentos essenciais, vestuário, etc., recorrendo, destarte, às prefeituras municipais.

O CEPPESBA - Centro de Preservação dos Psitacídeos do Espírito Santo e Sul da Bahia (Caixa Postal 1042 - 29160 Serra-ES), entidade conservacionista particular, coloca-se à disposição para colaborar de maneira eficiente e competente para que nossos estados, já tão criminosamente violentado em seus ambientes, possam conservar com dignidade o pouco que lhes resta em recursos naturais.

Reprodução do Amazona rodocorytha em cativeiro

Dados principais: dezembro de 1989.

Gênero: Amazona

Espécie: rodocorytha.

Idade dos pais: Indeterminada.

Comportamento: muito agressivo nos primeiros anos de cativeiro, tornando-se mais dócil a partir do 3º ano.

Viveiro: de alvenaria com frente telada, piso de areia grossa, 3.50 x 3.50 m com 4.00 m de altura.

Ninho: de madeira, 0.40 x 0.40 m com 0.50 de altura, piso coberto de serragem grossa em camadas.

Alimentação: sementes de girassol, milho verde ou pubado, frutas tropicais, couve, cana, arroz em casca.

Explanação:

Por doação de um amigo veterinário, recebemos o casal adulto e, depois de 3 anos em cativeiro, as aves começaram a juntar-se, manifestando indícios de um comportamento reprodutivo. A partir de agosto, copularam constantemente e, em 15 de novembro a fêmea pôs o primeiro ovo. Após 7 dias já havia no ninho 4 ovos. Em 20 de dezembro, após 28 dias de incubação pela fêmea, nasceu o primeiro filhote e somente ele: os outros ovos goraram. A fêmea permaneceu no ninho por 12 dias, aproximadamente, sendo alimentada - ela e o filhote - pelo macho. Quando saiu do ninho passou a alimentar-se muito mais que o usual, principalmente de verde, que comia avidamente. A papa, que consiste em flocos de milho, aveia em flocos, farinha de arroz, mel Karo® e gema de ovo, desaparecia rapidamente. Sua alegria era extraordinária! Revezava com o macho na alimentação do filhote, diversas vezes ao dia, fato que foi diminuindo a freqüência com o passar dos dias. Após 30 dias do nascimento, retirei a camada velha de serragem, substituindo por outra e limpando o ninho. Nessa ocasião retirei o filhote que, assustadíssimo, teve seu primeiro contato com o céu aberto, apesar de já ter aparecido algumas vezes na boca do ninho. Fotografei-o, como também o pai, alimentando-o. Três dias após, saiu definitivamente do ninho e, passados 10 dias, aproximadamente, estava alimentando-se sozinho. Ainda aos 100 dias, vez por outra, o pai o alimenta, contra a vontade da mãe que agride o "velho" sem piedade. Muito bonito e com aparência saudável, o novo membro do nosso sítio ecológico ainda se comporta com grande desconfiança.

 

 

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