Anilhas com 8 dígitos

O novo sistema de anilhamento permitido pelo IBAMA para os passeriformes canoros deverá constar de 8 dígitos. Os dois primeiros indicarão a Federação (as Federações serão as responsáveis pela confecção e distribuição das anilhas); o terceiro dígito informará sobre o diâmetro (um anel para curió, por exemplo, sempre terá o mesmo diâmetro, definido pelo IBAMA) e os 5 restantes corresponderão a um número seqüencial. Essa nova norma entrará em vigor a partir da publicação da nova portaria do IBAMA, que se encontra na Procuradoria Jurídica daquele órgão, e substituirá a Portaria 131, ora em vigor.

Como se sabe, desde o dia 30 de novembro do ano passado, a distribuição de anilhas abertas está proibida e, conseqüentemente, nenhum pássaro silvestre deverá ser capturado. Os associados, legalmente registrados, poderão permutar entre si (mediante certificado apropriado) pássaros nascidos em cativeiro. Segundo o biólogo Fernando Dal'ava, da Divisão de Fauna e Flora Silvestres do Departamento de Vida Silvestre do IBAMA, essa medida visa estimular a reprodução dessas aves em cativeiro. Também destaca que, com a nova normatização das anilhas fechadas, o IBAMA terá mais condições de fiscalização, já que só serão aceitos anilhamentos quando obedecidos os critérios exigidos pela nova portaria, nos diâmetros corretos.


Reintroduzindo o Mutum

No último dia 17 de dezembro foram reintroduzidos em Caratinga- MG, numa área de mil e quinhentos hectares de Mata Atlântica, 15 casais do raro mutum do bico vermelho Crax blumembachi. Inicialmente os exemplares ficam por um período de quarentena, num grande viveiro na fazenda Macedônia (propriedade da Cenibra) para aclimatação, submetidas às mesmas condições que passarão a ter quando livres. O sr. Roberto Azevedo, presidente da Crax- Sociedade de Pesquisas da Fauna Silvestre, que mantém o convênio de preservação com a Cenibra, informa que mais três espécies estão no projeto de reintrodução: macuco, jacutinga e jaó; todos em multiplicação em cativeiro para breve reintrodução em seu hábitat.


A ARARINHA TEM SALVAÇÃO?

Cyanopsitta spixii Exemplar de Cyanopsitta spixii do criadouro Chaparral, em Recife-PE (Foto:PSF)

Como os leitores de AO têm acompanhado, novos casais - embora muito lentamente - estão sendo formados, na tentativa de recuperar essa praticamente extinta ararinha. O Zoo de S.Paulo possui 4 indivíduos: 3 machos e 1 fêmea. O IBAMA já concedeu a licença para a troca de um macho por uma fêmea do criadouro de Antonio de Dios, nas Filipinas. Como AO mostrou na edição anterior, a fêmea do criadouro do Sr. Nelson Kawall foi acasalada com um macho vindo da Alemanha. Atualmente (final de dezembro) o casal está na fase de namoro, com a fêmea já entrando no ninho, mas sem postura.

Em meados de dezembro, AO visitou o criadouro Chaparral (matéria de próxima edição), do Sr. Maurício Ferreira dos Santos, em Recife, e fotografou o exemplar de Cyanopsitta spixii (único exemplar ainda não sexado). O Sr. Maurilio destacou: «o objetivo do meu criadouro é a obtenção de uma grande reprodução de aves brasileiras, especialmente as ameaçadas de extinção, para a repovoação nas matas. É necessário que tenhamos uma abertura com o governo para se atingir esse objetivo. Com a ajuda de uma empresa, o Roberto Azevedo está conseguindo agora a reintrodução, por exemplo, do Crax blumembachi. Já eu não preciso de uma empresa. As minhas empresas podem fazer isso. O que necessito é de uma abertura com os políticos do IBAMA (acho que as pessoas que trabalham naquele órgão não são as indicadas, os cargos são políticos, e muitas não entendem coisa nenhuma).» Sobre a Cyanopsitta, o Sr. Maurilio salientou: «em função da sua raridade, a ararinha de Spix é um assunto que tem sido destaque em todo o mundo. A preservação dessa ave é uma coisa importantíssima, principalmente para nós, brasileiros. Lamentavelmente lá fora já se consegue reproduzi-la e aqui é uma dificuldade para se formar casais. Com a formação do comitê internacional, vamos ver se a coisa dá certo. Acho o pessoal do IBAMA muito bem intencionado, quer fazer o negócio muito seguro, até com um certo receio para depois não falarem que não houve segurança, etc. Mas tudo isto cria uma burocracia muito grande. Só que a ave não pode esperar por essa burocracia. Tem que existir um projeto rápido, objetivo, fundamentado na confiança em alguns criadores e não se limitar a reuniões e papéis, não se juntado as aves. Como se pode reproduzi-las se não estão juntas? E quanto mais gente tem o comitê, a coisa parece piorar. Cada um dá uma opinião para se chegar a uma conclusão de uma bobagem. Se se vai colocar a anilha no pé esquerdo, no direito, se vai chegar anilhado, etc. Como empresário, não consigo aceitar esse tipo de coisa, passar-se dois dias reunidos 12 pessoas para, objetivamente, tratar-se de três assuntos. De todos os exemplares existentes no Brasil, apenas um está aqui comigo. Os outros estão todos em São Paulo. E o local ideal para reproduzi-las, ao meu ver, seria aqui, na sua região, próximo ao seu hábitat.

Na verdade, apenas com os exemplares existentes no Brasil, acho muito difícil recuperarmos a ararinha. Uma grande vitória é sabermos que o Antonio de Dios, das Filipinas, já participa do comitê. Porém outros criadores têm medo de se revelar. Sabemos que existem 21 exemplares fora do Brasil e, com a participação de todos, talvez acontecesse o sucesso na recuperação.»

O outro exemplar que se tem notícia no Brasil é um que vive em seu hábitat, na Bahia. Segundo a Srta. Maria Iolita Bampi, do IBAMA, brevemente deverá ser iniciado um projeto para o estudo desta ararinha - a única que se sabe existir livremente. Nele  serão identificados muitos aspectos desconhecidos, como hábitos alimentares, etc., que servirão de subsídio para tentativa de recuperação da espécie. Também, segundo revelou para AO a Srta. Maria Iolita, neste ano deverá ser realizado um finger printing (Padrões eletroforéticos de DNA) de todos os exemplares que se conhece no mundo, o que permitirá se obter o nível de parentesco entre os indivíduos. Esse especializado exame é realizado de uma só vez, com material coletado de todos os indivíduos em estudo (mais notícias sobre a ararinha em «rápidas»).

Provavelmente em março próximo deverá estar se reunindo, em São Paulo, o Comitê Pró-Ararinha-de-Spix

 

 

 

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