Atualidades Ornitológicas: o jornal que deu certo!

Sérgio de Almeida - São Carlos-SP

O jornal "Atualidades Ornitológicas" completa o número 50! Parabéns pra todos nós!

Lembro-me, perfeitamente, do dia em que recebi o primeiro número de "AO". Fiquei pensativo sobre como obtiveram o meu endereço já que eu não tinha feito a assinatura de tal jornal. Além disso, o bom nível de abordagem dos assuntos deixava antever outros números de qualidade semelhante, o que em termos de Brasil, era uma novidade.

Naquele início de caminhada questionei-me sobre o futuro dessa publicação: Será que isso é pra valer? Até quando vai durar? Eu já torcia para que tivesse longa vida. Tornou-se, então, o único veículo de qualidade de que passamos a dispor e, praticamente, de graça!

A morte de "O Canarinho"

A alegria pelo recebimento de "AO" tinha sentido. Há pouco a orfandade havia atingido a todos que se deleitavam com as páginas de "O Canarinho". Marco na ornitofilia brasileira, a revista publicou seu primeiro número em fins de 1976. Atrás dele, outros seguiram-se até completar 44, em fins de 1983.

Contando com dificuldades financeiras "O Canarinho" respirava através dos pulmões de José do Egypto Lima. Com dedicação amealhava aqui e acolá artigos ligados aos canários e outras aves, promovendo pessoas, entidades e seus eventos.

Com o desaparecimento de "O Canarinho" ficamos sem o conhecimento das novidades mais distantes, sem a possibilidade de comunicar eventos de maneira abrangente e, principalmente, sem poder aprender os princípios básicos da criação de aves. Havíamos perdido o nosso elo de ligação e o sentimento de pertencermos a uma grande família.

Outras publicações marcaram época. Foi importante «Canaricultura e Ornitologia», editada pelo Sr. Ademir Eugênio Lopes, também do Rio de Janeiro que, embora com periodicidade irregular, sobreviveu por muitos anos, e a revista da SOM - Sociedade Ornitológica Mineira que, com sua apresentação semestral, ainda é editada.

O nascimento de "AO"

Mesmo com a presença de "O Canarinho", o Brasil não possuía um periódico que veiculasse mais amplamente

- a defesa da fauna brasileira e mundial;

- a reprodução em cativeiro das espécies em extinção;

- o conhecimento genético para a compreensão das mutações;

- o manejo e a alimentação de quaisquer aves;

- a observação de aves;

- a memória da ornitologia;

- a legislação referente às aves silvestres

- e os registros dos acontecimentos nacionais e internacionais de importância. E tudo isso de maneira independente e profunda, dando chance ao leitor de satisfazer-se, plenamente, ou colocar-se em condições de continuar, seguramente, suas investigações.

Em 1984, o espírito competente e realizador de Pedro Salviano Filho, aliado à ABOA e a um grupo de colaboradores, além do patrocínio da Éffem Produtos Alimentícios ("Trill"), uniram esforços e deram início à caminhada que hoje atinge esta marca histórica. Com uma tiragem crescente, como também crescente tem sido o número de páginas (a primeira edição tinha apenas 4 páginas) espalhou nova esperança por muitos lugares. (Há pouco tempo minha curiosidade inicial foi satisfeita quando soube que "AO" foi buscar nos assinantes de "O Canarinho", a primeira lista de seus leitores.)

Característica marcante e que muito ajudou a solidificar a confiabilidade do leitor foi, e tem sido, a pontualidade na remessa dos exemplares. A cada dois meses temos a certeza de que o carteiro trará momentos de satisfação.

O Progresso

Embora já no início o jornal não coubesse em si mesmo (as letras eram muito pequenas) foi natural o aumento do número de páginas. Além disso, e sem perda do estilo, foram aprimoradas as estratégias para se levar a mensagem, com nova diagramação e inclusão de cores. E a utilização da informática, desde o início, tem facilitado e permitido o aprimoramento e realização dessa publicação de vanguarda.

Com o hábito da leitura fortemente desenvolvido, "AO" se transformou ao longo de 8 anos, no principal veículo de informação ornitológica a nível popular. Dessa maneira, é correto afirmar que se o "AO" não noticiou, pouca gente ficou sabendo do que aconteceu num país onde a cultura nem sempre é levada a sério, "AO" passou a cumprir também o papel de formação de consciência, tornando-se o esteio para o futuro da ornitofilia brasileira.

A situação atual e os novos rumos

Hoje «AO» tem leitores espalhados por vários cantos do mundo. Com o aumento do número de leitores, também aumenta o número de pedidos relativos aos números mais antigos para completar a coleção. Não só pelos colecionadores e apaixonados por tudo que respeite as aves, mas também pelos pesquisadores, por biólogos, estudantes, veterinários etc. Como vários números estão esgotados, algumas associações ornitológicas estão executando reprodução para seus associados, bem como bibliotecas públicas, de faculdades de medicina veterinária e museus que recebem também esse informativo. Circulando pelos órgãos governamentais, como em todas as superintendências do IBAMA, e pelas editorias dos grandes órgãos da imprensa nacional ele também se presta a essa informação mais ampla, deixando até de ser uma publicação exclusivamente dirigida.

É interessante também notar que muitos dos articulistas que estiveram presentes no início do "AO" ainda hoje emprestam a sua dedicação, porque se sentem à vontade para expressar seus conhecimentos. E os novos colaboradores que estão surgindo confirmam a receptividade e a penetração nas áreas também científicas.

O desejo de servir e o gosto de se comunicar em linguagem ornitológica competente e objetiva, sem interesse outros em primeiro lugar, é o impulso maior que tem mantido a qualidade por tanto tempo. Muitas pessoas com diversas capacidades existem e têm iguais oportunidades de participarem do "AO" enviando o seu artigo. E tenho certeza, serão muito bem recebidos pelo Salviano.

Atingida esta marca invejável, fica a expectativa de como será o futuro. Quais os novos artigos? Quais as novidades que estão por aí? Quando serão as próximas exposições? Durante dois meses "AO" estará trabalhando para trazer tudo isso no número 51. Por enquanto, parabéns pra todos nós!

 

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