Conservação do papagaio-da-cara-roxa Amazona brasiliensis

Pedro Scherer Neto - Curitiba-PR

O papagaio-da-cara-roxa Amazona brasiliensis é endêmico do sul do Brasil, sendo sua distribuição conhecida para os estados de São Paulo, Paraná e norte de Santa Catarina. Permaneceu pouco conhecido para a ciência, em termos de biologia e ecologia, até 1982 quando deu-se início a uma pesquisa de campo para conhecer a história natural deste papagaio. Este trabalho, desenvolvido pelo Museu de História Natural da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, teve apoio do ICBP, de Roland Worth (Alemanha), Thomas D. Nichols (USA) e atualmente da instituição norte-americana The Nature Conservancy.

Habitante da Serra do Mar, em sua porção oriental, habita áreas florestadas desde a região montana até a planície litorânea, onde se incluem os manguezais. Alimenta-se de mais de 50 espécies vegetais de porte arbóreo, ocorrentes na Floresta Atlântica sul brasileira, consumindo frutos, folhas e flores. Uma das árvores mais procuradas pelos papagaios é guanandi Zallophyllum brasiliense, tanto para alimentação, quanto para reprodução.

Durante o período desta pesquisa observou-se que os papagaios têm preferência por outras árvores como as guavirovas Campomanesia sp.; a canela-lajeana Ocotea pulchelle, o covatã Cupamia sp., o guamirin Myrcia glabra e o ararobá Centrolobium robustum.

O maior número de ninhos encontrados foram em guanandis, em ocos de árvores vivas e mortas. Os papagaios são naturalmente dependentes da disponibilidade de árvores que apresentem estas cavidades, pois como a maioria dos psitacídeos, o papagaio-da-cara-roxa necessita de árvores e palmeiras que apresentem estas cavidades para garantir a sobrevivência da espécie.

Este papagaio entra em atividade reprodutiva a partir de setembro, a qual se prolonga até final de fevereiro e início de março quando ainda se observam trinos familiares.

A pressão humana sobre qualquer representante da família Psittacidae é muito forte, não só no Brasil como em qualquer país onde ocorram. A ação antrópica se traduz pela caça predatória de aves vivas para abastecer um comércio ilícito de animais silvestres, como também pela supressão de hábitats originais, restringindo oportunidades de alimentação e reprodução.

Atualmente um esforço de conservação para o bioma dominado pela Floresta Atlântica é considerável, haja vista o número de unidades de conservação recentemente criadas pelos governos estaduais e federal. Todavia a fiscalização da captura de aves adultas e filhotes é imprescindível, aliada a um processo de educação de habitantes da área de ocorrência deste papagaio para a restrição de derrubada de árvores e palmeiras, seja para qualquer fim não autorizado pelo IBAMA. Paralelamente, a reprodução de papagaios em cativeiro pode garantir um estoque de aves que podem ajudar a melhorar, no futuro, a população de aves silvestres, incluindo tecnologia apropriada para a manutenção de papagaios em boas condições para atender a um plano de manejo se for necessário.

É um dever de todos procurar meios de restringir a caça de aves vivas ou de danos ao meio ambiente, mas é importante que a legislação brasileira se faça presente para dar forças ao IBAMA e outras instituições para que as 11 espécies de papagaios brasileiros estejam a salvo para as futuras gerações.

 

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