Papagaio-do-peito-roxo: uma espécie condenada à extinção?

Roberto Bóçon - Curitiba-PR

Sabe-se atualmente que devido a intensa pressão antrópica a que o meio ambiente vem sendo submetido, muitas espécies de aves tem sofrido grandes perdas populacionais, colocando alguns grupos como o dos psitacídeos neotropicais em mais alto risco de extinção. Somente no Brasil, onde são encontradas sessenta e nove espécies de psitacídeos, quatorze delas são consideradas Ameaçadas de extinção.

Fazendo parte deste lamentável quadro o papagaio-de-peito-roxo Amazona vinacea, , é uma das espécies que encontra-se hoje em extremo declínio populacional.

Com distribuição original abrangendo uma estreita faixa que estende-se do Sul do estado da Bahia até o Norte do Rio Grande do Sul, adentrando o Paraguai e nordeste da Argentina, o papagaio-de-peito-roxo encontra-se hoje restrito a poucas áreas representadas por remanescentes florestais.

Dentre outras, as causas que tem contribuído diretamente para esta situação destacam-se a captura de indivíduos, ainda quando filhotes, para comércio como animais de estimação e principalmente as profundas alterações ambientais causadas pela exploração irracional dos recursos florestais que vem causando grande perda de hábitat para esta ave.

Tratando-se especificamente do Estado do Paraná, onde sua ocorrência está relacionada às florestas com araucária, os remanescentes de floresta nativa deste ecossistema não chegam a somar sequer 3% de sua formação original.

Apesar deste panorama, poucos são os trabalhos que vem sendo desenvolvidos sistematicamente em projetos específicos voltados à questão conservacionista da espécie. Todavia pelo que se conhece, em três estados Brasileiros estão sendo realizadas pesquisas com Amazona vinacea. No Rio Grande do sul o projeto coordenado pela pesquisadora Nêmora Prestes que inicialmente objetivava estudar a biologia do charão Amazona pretrei hoje também vem desenvolvendo trabalhos com o papagaio-de-peito-roxo, onde estão sendo efetivados monitoramento de ninhos, censos populacionais e coleta de dados biológicos em geral. .No estado de São Paulo os Ornitólogos Paulo Martuscelli e Carlos Yamashita têm acompanhado algumas populações, coletado informações relativas à reprodução complementação de dados biológicos. Já no Estado do Paraná os Ornitólogos da SPVS ( Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) Celso Seger e Roberto Bóçon desenvolveram no ano de 1992 um trabalho com uma população do papagaio-de-peito- roxo no extremo sul do estado do Paraná, município de General Carneiro. Dentre outros resultados obtiveram-se informações relativas à alimentação, reprodução ,bem como uma estimativa populacional estimada em 250 indivíduos habitando aquela área.

Preocupados com a escassez de informações e com a crítica situação em que encontra-se a espécie no Paraná, os Ornitólogos da SPVS estão implantando um programa de pesquisa visando o embasamento de medidas para conservação deste papagaio. Dando início a este programa, no mês de julho iniciar-se-á um projeto com recursos fornecidos pelo ICBP e U. S. Fish and Wildlife Service, que terá como objetivo principal a identificação dos principais sítios de atual ocorrência da espécie, além de mapeamento populacional no Estado do Paraná.

No entanto, para que o papagaio-de-peito-roxo não seja admirado futuramente apenas em fotografias, como acontece com algumas aves já extintas, mais uma vez chama-se a atenção para o despertar da consciência conservacionista bem como para a união de esforços para a manutenção dos recursos naturais ainda existentes dos quais dependemos diretamente.

(foto ZIG KOCH)

 

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