As espécies sul-americanas do Grupo das Ratitas

Mirian Luz Giannoni – FCAVJ-UNESP Marisa E.Sanchez – ESALQ-USP

 

Considerando o grande interesse, na última década pela criação de Ratitas e a dificuldade em obter informações relativos à classificação a distribuição geográfica da Família Rheidae, procurou-se neste trabalho reunir dados da literatura sobre o assunto. Entretanto, devido as divergências encontradas entre os autores quanto a classificação, bem como o extermínio, sobreposição, introdução ou translocação de populações naturais em muitos locais de ocorrência de algumas das subespécies se faz necessário um estudo criterioso na sistemática do grupo, com auxílio de moderada tecnologia como a análise de DNA a um aceno com abrangência nos 6 países de ocorrência.

RATITAS

0 grupo das Ratitas (aves não voadoras) geralmente está representado por 4 ordens:

1- Ordem Struhioformes

Família Struthionidade

Espécie Struthio camelus (avestruz) 2 -Ordem Rheiformes

Família Rheidae

Espécies Rhea americana (Cammon Rhea) Pterocnemia pennata (Darwin Rhea)

3 - Ordem Casuariformes

Família Casuariidae

Espécie Casuarius casuarius (casuarina-Austrália) Família Dromaiidae

Espécie Dromaius novaehollandiae (emu) 4 - Ordem Apterygiformes

Família Apterygidade

Espécie Aptery australis (kiwi)

A hipótese monofilética da origem das ratitas tem sido reforçada por dados morfológicos a bioquímicos, teriam evoluído a partir de um antepassado comum, há aproximadamente 100 milhões de anos, no antigo continente de Gondwana a se diversificado durante o isolamento geográfico resultante da deriva dos continentes, possivelmente no início do cretáceo (Cracaft, 1973).

As Ratitas são consideradas as aves atuais mais primitivas do ponto de vista filogenético (Sick, 1985) e seus ancestrais seriam, para alguns autores, aves voadoras (Sick 1985; Fowler 1991; Jensen a Johnson 1992) e para outros, não voadoras (Andrade, 1993).

Uma das características mais notórias das Ratitas é a falta de cerena para fixar a musculatura que permitiria o vôo. A clavícula, escápula e coracóides estão fusionados ao esterno.

O joelho está ausente (Fowel, 1991). Ao contrário das outras aves, há separação de fezes a urina.

Família Rheidae

Restrita à América do Sul é uma das aves mais antigas deste continente (foram encontrados fósseis datados no oceano, há 40 milhões de anos). A ema, denominada outrora de "avestruz americano", também é conhecida no Brasil por: "nhandu" (em tupi "a corredora" ), choique , churi , guaripe , ainda na Bahia o macho é o "congo" a no Rio Grande do Sul, "avestruz" e a fêmea "ema". Na Bolívia, também é conhecida por "piyo" a por "nhanduguaçu", "nandú" na Argentina, Paraguai a Uruguai.

A espécie Rhea americana tem sido dividida em 5 ou mais subespécies (Cites-IUCN 1988):

1 - Rhea americana albescens ou (Arribalzaga a Holmberg,1878).

Rhea Americana rosthchildi

Ocorre na Argentina desde o norte até a província do Rio Negro (Olrog 1968; Handford a Mares 1982).

É importante ressaltar que o tema "albescens" foi utilizado para identificar os exemplares "brancos" da Rhea a rosthschildi, de cor "cinza":(Wetmore 1926; Llanos, 1942; Minoprio 1947).

Atualmente os espécimes albinos são mais numerosos na natureza do que nos zoológicos (Guittin 1985) embora seu número seja pequeno em relação aos exemplares cinzas. A preferência dos criadores norteamericanos é pela ema branca. Os sistemáticos estão de acordo que os exemplares "brancos a cinzas" sejam da mesma subespécie. Por isso o nome de Rhea a. rostchildi, consta como sinonímia a continua válido Rhea a albescens para os exemplares de ambas as cores; segundo Rossi (1972), as emas brancas poderiam ser incluídas no caso de "albinismo incompleto de Gross".

2 - Rhea americana intermedia (Rothschield a Chubb 1914) Distribuído no Uruguai a sul do Brasil (Pinto 1963; Rothschield a Chubb 1914).

3 - Rhea americana americana (Linnaeus, 1758)

A espécie era comum desde o sul do Estado do Pará, no Maranhão, Piauí Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, norte da Bahia, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e oeste de São Paulo (Aguirre-Aldrighi 1983; Pinto 1963) e ainda, segundo Ruschi (1979), nos Estados de Sergipe, Alagoas e Mato Grosso. Atualmente, praticamente desapareceu nos estados nordestinos e em São Paulo.

4 - Rhea americana nobilis (Brodkorb 1939) Distribuída no leste do Paraguai (Sanft, 1972; Mayr, 1979)

5 - Rhea americana araneipes (Brodkorb 1938)

Distribuída no leste da Bolívia a sudoeste do Brasil (Sanft. 1972; Mayr, 1979) chaco Paraguaio a sudoeste de Mato Grosso do Sul Ruschi, 1979; Cites-IUCN 1988)

6 - Rhea americana macrorhyncha (Sclater, 1860)

A existência das duas últimas espécies é questionada por Dani (1993). Segundo este autor, não haveria bases sólidas para a discriminação da Rhea americana em subespécies visto que, por ocuparem zonas de distribuição geográficas até certo ponto sobreponíveis, cruzam-se entre si, gerando descendentes férteis, sendo consideradas em alguns casos, "raças geográficas".

A espécie Pterocnemia pennata, a ema de Darwin, é menor que a do gênero Rhea a se subdivide em duas subespécies:

1- Pterocnemia pennata pennata (Orbigny 1834)

É a espécie mais austral de ema. Ocorre na Argentina, desde o sul de Mendoza a Neuquem até Santa Cruz e foi introduzida na Terra do Fogo; no Chile desde o sul de Aysén até o Estreito de Magalhães (Daciuk 1978; Olrog 1979).

Possivelmente existe hoje uma ampla faixa de superposição com Rhea americana albescens no sudoeste de La Pampa, a provavelmente no norte do Rio Negro (Handford a Mares 1982)

2 - Pterocnemia pennata garleppi (Chubb 1913)

Esta espécie ocorre na cordilheira dos Andes, na Argentina nas províncias de Jujuy, Salta, Catamarca, La Rioja a San Juan, além da Bolívia a sudeste (01rog 1979). A altura limite da presença desta espécie nos Andes é de 4000 metros, mais foi registrada na prepuna e zona ecotonal com o monte entre os 2000 a 3000 metros (Cajal 1988).

Os limites geográficos determinados para cada uma das espécies citadas mostra um perfil muito rígido das populações, considerando que na natureza elas são dinâmica. As possíveis mudanças ocorridas só podem ser detectadas com o trabalho no campo.


 

O Pingüim-rei (Aptenodytes patagonicus) pela primeira vez assinalado no Brasil

José Fernando Pacheco (1), Valdir Ramos Jr.(2) e Luiz Paulo Fedullo (2)

Um exemplar de pingüim-rei chegou à praia de Saquarema (22o56’S,42o30’W), litoral da região dos Lagos no Estado do Rio de Janeiro no dia 5 de janeiro de 1995. O indivíduo foi resgatado pelo Corpo Marítimo de Salvamento dos Bombeiros em bom estado de saúde e foi entregue aos cuidados do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro no dia seguinte.

Tratando-se de pingüins, a aparição desta espécie na costa fluminense é evidentemente uma ocorrência inusitada e acidental em contraste com a regularidade da aparição da outra espécie assinalada para o Rio de Janeiro, pingüim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) que em geral anualmente, em especial nos meses de inverno, são entregues ao plantel da Fundação Rio Zoo.

O pingüim-rei se reproduz nas ilhas sub-antárticas (Harrison, 1983. Seabirds, an identification guide. London: Croom Helm) e possui distribuição circumpolar. Raramente, entretanto, em suas peregrinações são assinalados na costa atlântica adjacente da América do Sul, onde são conhecidos poucos registros para o litoral da Província de Chubut na Argentina (Blake, 1977. Manual of Neotropical Birds. University of Chicago Press).

O exemplar mede 76 cm de comprimento e encontra-se vivo no recinto especial refrigerado destinado aos pingüins recebidos pelo Zoológico. Uma nota acompanhada de foto sobre sua aparição foi publicada no jornal O GLOBO do dia 20 de janeiro do corrente.

Esta é a quarta espécie da família a ser registrada para a avifauna brasileira.

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(1) Laboratório de Ornitologia Depto. Zoologia, Instituto de Biologia CCS - Cidade Universitária, 21944-970 Rio de Janeiro-RJ

(2) Fundação Jardim Zoológico Cidade do Rio de Janeiro - Rio Zoo - Quinta da Boa Vista, São Cristóvão, 20940-040 Rio de Janeiro-RJ

 

 

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