Gampsonyx swainsonii come uma Rolinha

Yoshika Oniki - Rio Claro-SP

Gampsonyx swainsonii ou gaviãozinho, como é popularmente conhecido, ocorre em zonas abertas sendo especialmente favorecido pelo desmatamento geral dos últimos anos. Assim é que um casal é avistado regularmente sobrevoando o campus da UNESP (Universidade Estadual Paulista) em Rio Claro-SP, desde agosto de 1982.

Mesmo sendo uma ave que podemos ver diariamente, nesta época do ano, seus hábitos e comportamento de alimentação são pouco conhecidos. Haverscmidt (1968) registrou caça aérea e insetos no estômago, mas o gaviãozinho é conhecido por alimentar-se também de lagartos (Scharrenga, 1974) e outros vertebrados. Entre as aves, contam-se Volatinia jacarina e ninhegos de Mimus sp (ffrench, 1982); no Peru apanhou uma Sporophila peruviana e na UNESP uma aluna observou-o pegando uma andorinha.

No dia 28 de agosto de 1993, ainda no campus da UNESP de Rio Claro, quando eu estava estudando um ninho de beija-flor-tesoura Eupetomena macroura, às 14:39, minha atenção foi chamada por três Mimus saturninus emitindo altos gritos e tumultuando um Gampsonyx swainsonii que acabara de pousar a 9 m de altura em um ramo exposto de flamboyant (Leguminoseae). Ele segurava nos pés, uma rolinha-roxa Columbina tampacoti que acabara de pegar. O gaviãozinho não se incomodou com os Mimus e iniciou a retirada das penas com o bico; podia-se vê-las voando ao vento. O gaviãozinho lentamente continuava a depenar a rolinha, por vezes, sacudindo a cabeça para deixar as penas caírem do bico e não se incomodou, mesmo quando uma Amazilia e uma Eupetomena o atacaram, uma de cada vez, mas logo ambas voaram  uma perseguindo a outra. Às 14:50 ele continuava comendo e, de repente, coçou três vezes a asa esquerda e, às 14:54, tentando mordiscar um pedaço que estava pendente, quase perdeu o equilíbrio e teve de abrir ambas as asas para recuperá-lo, olhou os arredores e comeu novamente. Entre 15:11 e 15:16 novamente três Mimus e dois beija-flores retornaram para tumultuá-lo, sobrevoando-o e este, incomodado, chegou a levantar as penas do dorso, mas não abandonou a presa. Às 15:16 havendo terminado de comer, alçou vôo sendo perseguido pelos beija-flores.

Portanto, o gaviãozinho que pesa, em média, 97 g pode depenar e comer uma rolinha que pesa, em média, 53 g, pouco mais que a metade do seu peso, levando apenas 37 minutos para tal façanha.

Bibliografia citada

French, R.P. 1982. The breeding of the Pear Kite in Trinidad. Living Bird 19:121-131.

Haverschmidt, F. 1968. The Birds of Surinam. Edinburgh and London, Oliver & Boyd. 446 p.

Scharrenga, C. J. G. 1974. Ornithological observations from the Coeroni Airstrip, Surinam. Ardea 62:219-225.

 

 

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