NOTULAE ET CORRIGENDA - II

José Fernando Pacheco - Rio de Janeiro-RJ

Esta coluna fixa, iniciada no ATUALIDADES ORNITOLÓGICAS anterior, pretende ser um espaço destinado a corrigir pequenas informações publicadas, nas mais diferentes fontes bibliográficas, e acrescentar novos dados de forma curta sobre aves brasileiras, especialmente nos temas ligados a distribuição.

Faltou dizer, na nota inaugural, que o título em latim aqui utilizado foi oriundo de uma sugestão do Prof. Johann Becker, entomologista do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Aproveito, assim, para agradecer - com um pequeno atraso - a este grande professor e legítimo conhecedor da zoologia em geral.

 

Duas esquecidas menções para a Ararinha-azul Cyanopsitta spixi. «Em viajem pelo rio S. Francisco e por alguns dos seus afluentes entre Pirapora e Joazeiro» publicada nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, 7(1):5-50, os cientistas Adolpho Lutz e Astrogildo Machado informam ter encontrado em cativeiro, no dia 20 de junho de 1912, numa casa retirada em Remanso, Bahia «uma Sittace spixii, espécie bastante rara». Quatro dias depois, na localidade de Sento Sé, registraram ter observado «uns maracanãs azuis... atirei no meio do bando voando, mas não tive felicidade de obter um desses pássaros raros». Estas duas localidades ficam a oeste de Juazeiro - localidade original da descoberta da Ararinha em 1819 - e situam-se ambas na região da atual grande represa de Sobradinho. [Adriana C.Fiuza, da Pós-graduação do Museu Nacional, a quem agradeço, foi a responsável por chamar nossa atenção para este relatório].

Dois beija-flores andinos: Lophornis stictolophus e Polyonymus caroli recentemente relacionados para o Brasil no Birds to Watch 2 - The World list of Threatened Birds, 1994 (N.J.Collar, M. J. Crosby & A.J. Stattersfield, Bird Life Conservation, Series Nº 4, Londres), não devem ser considerados. Esse livro lista (pág.230) para L. stictolophus os seguintes países dentro de sua área de distribuição: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. Não são efetivamente conhecidos registros dessa espécie para a Argentina, Bolívia e Brasil (Sibley & Monroe, 1990. Distribution and Taxonomy of Birds of the World. New Haven: Yale Univ.Press. p. 148). Em Polyonymus caroli (pág. 230) aparece consignado a Argentina, Brasil e Paraguai. P. caroli é verdadeiramente um endemismo dos Andes Peruanos, vivendo entre as cotas 2.400-3.200 m (Sibley & Monroe, op.cit. p. 161). Não consta que nenhuma das duas espécies de beija-flor consideradas «near-threatened», tenham sido ultimamente registradas em território brasileiro. Por serem restritas ao domínio andino, ambas sequer são consideradas como espécies potencialmente passíveis de ocorrência no Brasil. Portanto, a recente inclusão dessas duas espécies na Lista de Campo das Aves do Brasil (Andrade, M. A. 1995. Belo Horizonte: Fundação Acangaú) deve ser considerada apenas uma inadvertida cópia de um evidente equívoco.

O livro «Aves da Paraíba» de Heretiano Zenaide foi primeiramente mencionado - no âmbito da bibliografia regular brasileira de zoologia - por Paulo Nogueira Neto (1973, A Criação de Animais Indígenas Vertebrados: Peixes, Anfíbios, Répteis, Aves, Mamíferos. São Paulo: Tecnapis) e não por P.L. Dekeyser como havíamos afirmado (Pacheco & Rajão, Atualidades Ornitológicas nº64, p.12). Este livro - para complementar a bibliografia fornecida na mesma nota biográfica - foi reeditado em edição fac-similar de 1989 (Coleção Mossoroense, CDXLVI. Mossoró: ESAM). [Agradecemos ao Prof. Hitoshi Nomura, de Campinas-SP, por chamar nossa atenção para essas oportunas alterações].

... Na Notulae et corrigenda anterior, favor retificar na última nota a frase «A foto de Polydor» para «A foto de Philydor. Aproveitamos a oportunidade para estampar a foto motivadora da referida nota e agradecer a gentileza de Luiz Claudio Marigo, por autorizar a presente reprodução.

Philydor dimidiatus na entrada de seu ninho no Parque Nacional das Emas, em agosto de 1992. (Foto: L.C. Marigo)

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UFRJ - Instituto de Biologia, Depto. de Zoologia, Laboratório de Ornitologia. CSS Cidade Universitária, 21944-970 Rio de Janeiro-RJ. Brasil.

 

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