GALERIA BIOGRAPHICA - III

Manoel Ferreira Lagos (1817-1871)

Dados biográficos do segundo zoólogo do Museu Nacional

José Fernando Pacheco - Rio de Janeiro

Desde a fundação do Museu Nacional em 1818, o então Museu Real, vários funcionários zelaram por suas coleções zoológicas oriundas - na sua maioria - do acervo da antiga Casa de História Natural (Netto, 1870). Em 1842, foi criada no Museu Nacional a Seção de Zoologia e Anatomia Comparada, a partir da subdivisão da instituição em quatro seções técnicas. O primeiro chefe desta seção foi o Dr. Emílio Joaquim da Silva Maia (1808-1859), que «entendendo de ornithologia por termos um pouco nos habilitado no vasto campo das collecções parisienses» (Silva-Maia, 1852), ingressou na instituição para chefiar a recém criada Seção de Zoologia, permanecendo nesta posição até seu falecimento em 21 de novembro de 1859 (Feio, 1960). Silva-Maia é lembrado por sua atividade de ornitólogo (Sick, 1985:111) e por sua participação na primeira fase da Sociedade Velosiana, efêmera Sociedade Científica de História Natural (Doc.85 - 1871, MN). Foi esse ornitólogo o primeiro brasileiro a descrever uma espécie válida de ave: Polytmus theresiae (Silva Maia, 1843). Sobre Lagos, o adjunto de Silva-Maia na Seção de Zoologia a partir de 1854, pouco se escreveu sobre as suas atividades de naturalista.

Manoel Ferreira Lagos, nasceu em 1816 no Rio de Janeiro, estudou humanidades e cursou Medicina nesta mesma cidade. Ainda cursando a Escola de Medicina, tornou-se auxiliar do Cônego Januário da Cunha Barbosa (1780-1846), secretário perpétuo do Instituto Geográfico e Histórico Brasileiro (IHGB), na redação da revista trimestral desse grêmio. Em 1839 concluiu o curso de Medicina com louvor. Embora já considerado hábil na arte de compor e redigir textos, não defendeu tese - tampouco a escreveu - e, por conseguinte, não recebeu o título de Doutor. A respeito deste episódio pairam dúvidas sobre a razão desta singular decisão (Macedo, 1876). Embora todas as fontes impressas conhecidas apontem sua data de nascimento como sendo 1816, dados originais lançados em seu registro de batismo (Freg. S. José, fl. 208v-1817/CM) indicam data precisa e diversa. O ano de 1816, já referido em seu primeiro necrológio (Macedo, 1871) e assim erroneamente perpetuado, sugere que o amigo e escritor Joaquim Manoel de Macedo (1820-1882), autor de A moreninha, tenha chegado a esta data por simples aproximação.

Em 1839 ingressou no IHGB e cerca de seis anos depois sucedia o Cônego Januário no cargo de secretário perpétuo, cuja revista guarda um relatório modelo do jovem membro. A partir de 1850, com as reformas dos estatutos do IHGB, deixou o lugar de primeiro secretário para assumir a função de Terceiro Vice-Presidente, que deixou apenas de exercer em 1858, quando de sua longa ausência, determinada pelos trabalhos da Comissão Científica de Exploração. Acumulou, a partir de 1854, a chefia da Seção de Zoologia do Museu Nacional e o posto de oficial-arquivista da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros, duas funções díspares (Macedo, 1876).

A criação da Comissão Científica de Exploração e sua participação chave

Uma «extensa, ameníssima e ilustrada» memória lida por Lagos na sessão de 30 de maio de 1856 do IHGB, lançou a semente para a formação da Comissão Científica (Braga, 1962). Esta proposta nasceu do sentimento existente no seio do Instituto de que o Brasil possuía talentos e habilitações necessárias para realizar suas próprias expedições científicas e desmentir «viajantes estrangeiros de má fé ou levianos» (Braga, 1962). Todos os sócios presentes assinaram a justificativa registrada nas atas daquela sessão (RIHGB, t.19, sup.:10-12). Por força desse processo, iniciado por Lagos, o IHGB encaminhou ao Ministério dos Negócios do Império, em 17 de julho de 1856, os seguintes nomes como indicados para chefiar as cinco sessões da Comissão: Francisco Freire Alemão (Botânica); Guilherme Schüch de Capanema (Geológica e Mineralógica); Manoel Ferreira Lagos (Zoológica); Giacomo Raja Gabaglia (Astronômica e Geográfica) e Antônio Gonçalves Dias (Etnográfica e Narrativa da Viagem). Sua discrição e menor popularidade em confronto com a de outros membros da Comissão e o peso dos nomes do poeta Gonçalves Dias, do Barão de Capanema e do presidente da Comissão, o ilustre botânico Freire Alemão, foram responsáveis pelo papel secundário que lhe foi imposto pela historiografia da Comissão. Em verdade, Lagos, tendo sido o verdadeiro mentor e desencadeador do processo reservou a si, neste contexto, um papel que não pode ser omitido.

A idéia de uma viagem técnico-científica ao interior do país, dirigida por brasileiros, ganhou apoio, inclusive de S.M. O Imperador Pedro II que presidia regularmente as sessões do Instituto. Todo o desenrolar desta Comissão, aliás pouco feliz em vários aspectos, desde suas origens até o seu regresso, estão muito bem recontados no ensaio crítico-histórico de Renato Braga (1962). A contribuição ornitológica desta expedição brasileira e a controvérsia quanto a verdadeira autoria das preparações de aves está discutida na matéria aqui mesmo publicada (Pacheco, 1995).

 

Trabalhos da Comissão após o retorno ao Rio de Janeiro

Partindo do Rio de janeiro em 26 de janeiro de 1859, no vapor Tocantins, Lagos, comitiva e bagagem da Comissão Científica de Exploração aportaram em Fortaleza no dia 4 do mês seguinte. O retorno ao porto de partida e as suas atividades - dois anos e meio depois - se deu em 24 de julho de 1861. Dois dias depois do retorno da Comissão, Freire Alemão compareceu a regular sessão do IHGB e pediu razoável prazo para que os chefes de seção pudessem preparar os relatórios respectivos sobre os trabalhos feitos ou colhidos durante a expedição (RIHGB, t.24:730). É oportuno destacar que a Comissão continuou existindo e através do Aviso Ministerial de 7 de novembro de 1861 seu programa foi reformulado. Ficou estabelecido que a Comissão deveria coligir, classificar e apurar os dados da missão encerrada, afastando a possibilidade de um pretendido retorno da Comissão às províncias do Norte para terminar trabalhos alegadamente deixados inacabados (Braga, 1962).

A primeira atividade de Lagos, altamente louvável, foi organizar uma amostra de produtos naturais e relativos às artes, usos e costumes da Província do Ceará durante a Exposição Industrial que ocorreu de 7 a 15 de setembro de 1861 no Rio. Esse acontecimento despertou o interesse do público e da imprensa para os resultados da Comissão. Vários jornais consagraram extenso e elogioso noticiário a iniciativa do Dr. Lagos. O jornal «O Cearense» de 4 de outubro reflete o impacto positivo desta exposição, reabilitando o Dr. Lagos, sua preciosa coleção e, por conseguinte, a própria Comissão ao considerar indigna a denominação «Comissão das borboletas» que anos antes a própria imprensa «por escárnio» utilizou repetidas vezes.

Lagos leu o relatório relativo aos resultados zoológicos na seção do IHGB do dia 16 de dezembro, ainda de 1861. Este relatório ao lado dos referentes à seção Botânica e Geológica, lidos em sessões anteriores e escritos respectivamente por seus responsáveis, Freire Alemão e Gustavo Schüch de Capanema, foram publicados no ano seguinte acrescidos da parte histórica escrita por Gonçalves Dias - que por essa época já encontrava-se enfermo. Este volume recebeu o nome de «Trabalhos da Comissão Scientifica de Exploração - 1, Introdução».

Neste relatório, Lagos (1862) inicia tratando das pescarias marítimas no Ceará realizadas com jangadas. aborda suas técnicas, discute sua produção e menciona hábitos destes «intrépidos homens» que lutam contra as ondas em toscas embarcações. A seguir trata da fauna terrestre começando pelos mamíferos. Menciona alguns que se encontravam na Província apenas nas regiões mais inacessíveis, tais como onças, capivaras, caititus, queixadas, veados e tamanduás. Classifica como raríssimos por toda a Província a anta e o tamanduá-bandeira e informa que encontrou nos sertões: tamanduá-mirim - comum, quatro espécies de tatu, guaribas, micos, preguiça, furão, quati, paca, cutia, mocó, ouriço, gambá, jaritataca, guará, raposa e diversas espécies do gênero Felis. Chama a atenção para a variedade e quantidade de roedores e morcegos. Nos parágrafos seguintes dedica espaço a criação de gado na Província, mencionando vários aspectos, especialmente aqueles relativos às enfermidades. Promete elaborar uma memória especial sobre o tema, usando o termo Zootecnia: «conhecimento dos animais aplicado às necessidades do homem».

A respeito de nosso maior interesse, a fauna ornitológica, Lagos se restringe a dois parágrafos onde menciona as incontáveis pombas de bando (Zenaida auriculata) que «atravessavam o sertão formando longas e sucessivas nuvens»; reclama da destruição impiedosa que lhe movem os sertanejos, mas conforta-se afirmando que «ainda assim escapam milhões». Alude a uma variação pequena entre a composição das aves nas diferentes regiões do sertão. Promete, igualmente, se ocupar da fauna ornitológica do Ceará com «mais vagar e certeza» através de um trabalho maior que será acompanhado de desenhos e descrições. Termina o relatório falando de outros grupos zoológicos, dando especial atenção às cobras, abelhas e à Jetiranabóia, onde descreve três curiosos parágrafos sobre a crença arraigada a respeito da periculosidade das Je(qui)tiranabóias. São estes últimos, insetos inofensivos, homópteros da família dos Fulgorídeos, que para o povo em geral de todo o Brasil se constitui num bicho venenosíssimo que fulmina não só o homem e os animais, como também faz secar árvores (Ihering, 1940).

Trouxe Lagos como resultado dos trabalhos da Comissão farto material zoológico. A coleção foi avaliada em 17.000 exemplares, sendo destes 12.000 insetos. «Sobressaía, entretanto, pela beleza e esmêro do preparo, a parte referente à ornitologia, acima de 4.000 aves» (Braga, 1962). Cerca de 2/3 do acervo ornitológico era novidade para as coleções do Museu Nacional. Lagos também trouxe animais vivos que o Museu, não dispondo de acomodações para abrigá-los, entregou-os aos cuidados do Sr. Comendador Antônio José Alves Souto (Lagos, 1862).

Em 1862, Lagos redigiu um longo manuscrito sobre a «Linguagem Popular do Ceará» que integrava observações suas, feitas à margem de suas tarefas oficiais, sobre costumes, preconceitos, usos, festas populares e significação de palavras de uso exclusivo da população menos civilizada do Ceará. Tratava-se da primeira contribuição ao folclore cearense e embora Lagos tenha lido trechos em algumas sessões do Instituto (RIHGB, t.25,707), esta memória não foi entregue ao IHGB para publicação e certamente se perdeu (Sacramento Blake, 1900).

Em 1863 apenas a Seção Botânica publicou os folhetos oficiais - total de 3 - relativos aos resultados da expedição, nem mesmo a segunda parte da introdução veio a lume. Lagos, possivelmente preocupado com a organização da nova biblioteca do Museu Nacional, que neste ano se iniciara (Cunha, 1966), dedicou pouco tempo a elaboração dos temas que pretendia divulgar nas publicações oficiais da Comissão.

Apesar da extinção oficial da Comissão ter se dado em 1867 ela, a partir de 1864, existia apenas nominalmente, quer pelas dificuldades advindas com a deflagração da Guerra do Paraguai, quer pelas funções diversas que seus membros tiveram que assumir com a extinção dos vencimentos a contar desta data (Braga, 1962).

 

Atividades desenvolvidas no Museu Nacional

Lagos foi nomeado adjunto da 1ª Seção (Zoologia e Anatomia Comparada) do Museu Nacional por portaria de 18 de novembro de 1854. Foi encarregado da biblioteca da instituição ao ser esta instituída em 1863. Foi diretor da 1ª Seção por decreto de 14 de novembro de 1866, permanecendo neste cargo até seu falecimento (Lacerda, 1905).

Seu interesse por zoologia não era maior do que o demonstrado por outras ciências. Por essa razão e por acumular cargos e dedicar considerável parcela de seu tempo às atividades do IHGB é que sua contribuição à zoologia do Museu Nacional foi praticamente nula. Braga (1962:29) afirmou que «a zoologia era-lhe agradável passatempo». Seu feitio intelectual, aberto aos mais variados ramos do conhecimento, num «diletantismo exuberante» eram sua marca. Sua notoriedade científica era derivada de uma formação autodidata, amparada em sua provida biblioteca. De fato, especificamente sobre a zoologia, Lagos nada produziu. Suas memórias e suas propostas apresentadas no IHGB versavam sobre temas relacionados com a etnografia, arqueologia e historiografia da expedições científicas. Através de um manuscrito (col.822) depositado na Biblioteca Nacional, do arquivo Freire Alemão, onde consta um «Índice de madeiras de Alagoas» de propriedade do Dr. Lagos, sabe-se que o seu interesse também abrangia o reino vegetal.

Em 1857 Lagos se envolveu num episódio de interesse para a história da ornitologia brasileira. Quando de passagem pelo Rio de Janeiro em agosto, os zoologistas da fragata austríaca Novara - em viagem de circunavegação - foram ciceroneados em algumas excursões pelas regiões adjacentes da Baía de Guanabara por Lagos e Guilherme Schüch de Capanema, quando aproveitaram para preparar uma pequena coleção de aves e outros animais. Esses dois zoólogos, Georg Frauenfeld e Johan Zelebor, e seus anfitriões visitaram a região de Niterói, a ilha de Paquetá e a ilha de Governador (Frauenfeld, 1858). Lagos então esteve presente quando um dos exemplares que serviram a descrição de Rallus sanguinolentus zelebori (Pelzeln, 1865) foi coletado na Lagoa de Piratininga, atualmente subúrbio de Niterói, em 26 de agosto. Esses mesmos zoólogos e dois outros naturalistas da fragata Novara: Ferdinand von Hochstetter - geólogo, e Karl Ritter von Scherzer - geógrafo e etnologista foram convidados e assistiram a sessão de 21 de agosto de 1857 do IHGB (RIHGB, t.20, suppl.:16).

Buscando no Museu Nacional outras conexões de Lagos com a ornitologia, encontrei uma referência isolada de doação feita por ele de uma coruja não identificada no ano de 1865 (Doc. 181/1865 - MN).

Seu amor pelos livros foi decisivo na formação da Biblioteca do Museu Nacional. Por interferência de Lagos e por estarem mal alojados, os objetos e livros colecionados pela Comissão Científica depositados na Escola Imperial de Belas Artes, foram transferidos por ofício de 16 de abril de 1858 para o Museu Nacional (Cunha, 1966).

Os livros da Comissão Científica de Exploração foram comprados por Gonçalves Dias, que se achava na Europa a serviço do governo, com «minúcia e honestidade repelindo, mais de uma vez, a intromissão de brasileiros gorjeteiros interessados em majorar os preços junto aos vendedores» (Braga, 1962:22). Estes livros foram adquiridos após a autorização dada à Legação Imperial de Londres, na tentativa de conceder um especial suporte bibliográfico aos trabalhos da Comissão. A verba destinada para esta operação (3.000 libras) não chegou a ser inteiramente utilizada, o que não impediu que partissem de burocratas do governo, críticas sobre o que seria uma volumosa biblioteca. Lagos (1862) rebate enfaticamente essas argüições registrando que somente foram pedidas as obras indispensáveis e que não se encontravam nas bibliotecas públicas e de particulares residentes na Corte. Deixamos de pedir (diga-se então, por evidente sinal de respeito ao dinheiro público) as esplêndidas publicações de Humboldt, Spix & Martius, Pohl, Saint-Hilaire, Reaumur, Fabricius e tantas outras que possuíam elevado preço.

Ao ser instituída a Biblioteca do Museu Nacional, por aviso de 11 de junho de 1863, na gestão do diretor  Dr. Frederico César Burlamarqui (1803-1866), passa Lagos - nomeado internamente bibliotecário -  a coordenar os trabalhos de organização das obras (Araújo, 1914). Consta através do relatório anual de atividades do Museu Nacional de 1863 (Doc.84 /1863, MN) que Lagos estaria preparando um catálogo das obras existentes na recém criada biblioteca «especial de sciencias naturais e phisicas».

Em 1866 Lagos pleiteou o cargo permanente de secretário do Museu Nacional, função esta que iria exercer sob a chefia de seu dileto colega, Conselheiro Freire Alemão, com quem mantinha amistosa relação. Tal pedido foi indeferido pelo Ministro dos Negócios do Império, através de Aviso de 5 de março, porque Lagos, contrariando legislação em vigor não poderia acumular tal cargo com o outro que ocupava na Secretaria de Negócios Estrangeiros (Doc.10 /1866, MN).

 

Personalidade de múltiplos interesses

Lagos cultivou a literatura em estudos de gabinete ainda nos bancos de escola (Macedo, 1876). Diz-se-ia que desde cedo possuía uma boa biblioteca que denotava seu particular interesse pelas ciências naturais. No final de sua vida sua biblioteca sobre História Natural foi considerada sem similar na Capital do Império (Braga, 1962). Seu amor pelos livros justificaria mais tarde a iniciativa voluntariosa de organizar a biblioteca do Museu Nacional, mesmo que para isso passasse a acumular encargos.

Com relação às atividades derivadas de sua verdadeira formação acadêmica, sabe-se que somente raramente exerceu a clínica médica, mesmo assim na casa de amigos e de famílias pobres, sempre gratuitamente (Macedo, 1876).

Seu gosto por línguas estrangeiras teve certamente especial emprego nas funções exercidas na Secretaria do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Parte de suas manuscritos depositados na Biblioteca Nacional guarda documentos que revelam uma de suas atribuições nesta Secretaria. Lagos teria trabalhado na censura de obras artísticas durante o segundo Império. Esta tarefa, tal qual as demais que desempenhou durante a vida produtiva foram, segundo o seu biógrafo, «cumpridas com zelo, reserva, discrição e opulência de conhecimentos» (Macedo, 1876).

Acumulam-se indicações de que dominava pelo menos o francês, o inglês e o espanhol. Embora tenha traduzido a obra de um autor dinamarquês, consta através de relatório do secretário perpétuo do IHGB, cônego Januário (RIHGB, t.2:569-589), que esta tarefa foi feita a partir da primeira edição inglesa.

Encontramos no quadro de empregados da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros de 1871 (AHPI) dados que indicam que Lagos foi admitido por nomeação - no cargo de oficial arquivista da repartição - através de portaria de 13 de março de 1842 e promovido ao posto de primeiro oficial por portaria de 19 de fevereiro de 1859.

Lagos foi designado comissário-geral do Império do Brasil para a segunda Exposição Universal de Paris de 1867, através do Decreto Imperial de 2 de janeiro de 1867 (Villeneuve, 1868). Para coadjuvar os trabalhos desta exposição internacional foi colocado à disposição do Ministério da Agricultura através do aviso nº 2 de 14 de janeiro de 1867 (Doc.43/1867 - MN). Foi encarregado dos trabalhos de exposição das atividades de sericicultura (preparo e fabricação da seda) no Brasil. Sua participação neste importante evento internacional resultou no decreto imperial honorífico de 6 de junho de 1868 declarando Lagos dignatário da Ordem da Rosa (Doc.61, cx.789 - AN). Aparece por engano em sua biografia (Macedo, 1876), que teria tomado parte na primeira Exposição Universal de Paris de 1855, fato este que os documentos desmentem.

Antes de receber o título de Dignitário, Lagos foi distinguido com a Ordem da Rosa no grau de Oficial, por decreto imperial de 2 de dezembro de 1854, e no grau de Comendador por decreto imperial de 2 de dezembro de 1861 (Doc.53 e 90, cx.789 - AN). Esta ordem honorífica do Brasil-Império foi criada por Pedro I em 1829 e abolida pela República em 1890, destinava-se a condecorar civis e militares por bons serviços prestados ao Estado. Dentre as demais distinções honoríficas recebidas destacam-se a Ordem de Christo, no grau de cavaleiro, a Ordem Portuguesa de São Thiago, a Ordem Francesa da Legião de Honra e a Imperial Ordem Turca de Medjidie de 3ª classe. Foi também agraciado com o título de Oficial da Instrução Pública da França (Sacramento-Blake, 1900).

O nome de Lagos está ligado a diversas sociedades do Império. Ele tomou parte no Conselho Fiscal do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura e foi membro também da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional. Sua participação maior aconteceu, entretanto, como ativo membro do IHGB, por mais de trinta anos. Nesse grêmio, Lagos ingressou como membro correspondente em 28 de junho de 1839, foi aprovado como membro efetivo na sessão de 24 de agosto de 1839, através de proposta do seu protetor, secretário perpétuo da casa, Cônego Januário da Cunha Barbosa. Foi eleito para o cargo de 2º secretário nas gestões de 1840-1845, em sucessivas assembléias de eleição. Com a morte do Cônego Januário em 22 de fevereiro de 1846, é Lagos proclamado, por unanimidade, 1º secretário na sessão de 8 de março deste ano (RIHGB, t.8:144). Com a extinção da perpetuidade dos secretários aprovada pelas alterações do estatuto do IHGB, em assembléia de 23 de maio de 1851, Lagos é eleito 3º vice-presidente nas gestões de 1851-1854, em sucessivas assembléias eletivas (RIHGB, t.14:464). Neste mesmo período exerceu também a direção da seção de Etnografia e Arqueologia Brasileira. Ocupou a 2ª vice-presidência a partir das eleições gerais do Instituto de 24 de dezembro de 1855 até 21 de dezembro de 1858 quando, então, dedicou-se exclusivamente aos preparativos exigidos da viagem prevista a serviço da Comissão Científica de Exploração. De volta ao Rio, findo os trabalhos da Comissão no Ceará, Lagos foi apenas, por sucessivas gestões, membro da Comissão de admissão de sócios.

Nas muitas sessões do IHGB, da qual participou, estão registradas inúmeras propostas de Lagos, na qualidade de secretário ou como membro. Essas propostas, colocadas em votação e quase sempre aprovadas, delineavam os seus campos de interesse e demonstravam seu vasto conhecimento bibliográfico. As propostas, na forma de sugestões para futura discussão e aprofundamento, versavam sobre: enumeração das nações indígenas, antropofagia, desenvolvimento da arte tipográfica no Brasil Colonial, cultura indígena, arqueologia, arquitetura, biografia de naturalistas, geografia, antropologia e reimpressão de obras raras. Na maior parte das vezes Lagos propôs que se criasse comissão no seio do IHGB para emitir parecer sobre obras recentemente publicadas sobre temas brasileiros, sem dúvida seu interesse maior.

A tradução para o português do livro de Carlos Christiano Rafn, secretário da Sociedade Real dos antiquários do Norte, sediada na Dinamarca, realizado com maestria por Lagos, foi a sua primeira produção publicada. Tratava das evidências encontradas sobre viagens de europeus à América, antes de Colombo. Este tema intrigante, que muito lhe interessou, nasceu do vínculo do IHGB com um de seus ilustres sócios correspondentes, o dinamarquês Peter Lund (1801-1880), residente em Lagoa Santa, Minas Gerais, que pediu formalmente ao secretário do Instituto que iniciasse ligação com a Sociedade supra-mencionada.

Destacou-se também por algumas memórias que leu nas sessões ordinárias. Na maioria das vezes, cada uma dessas memórias foram lidas em várias sessões até que Lagos concluísse seu conteúdo. Além das mencionadas nos capítulos anteriores, destacamos: Análise à viagem do Conde Castelnau pelo interior do Brasil - iniciada na sessão de 18 de maio de 1855; Descripção do interior da Província do Ceará - iniciada na sessão de 2 de julho de 1896 e Vocabulário dos termos usados na Província do Ceará, e que se não encontram nos diccionarios - iniciada na sessão de 17 de julho de 1870.

Na função de 2º secretário, Lagos foi responsável pela redação de muitas atas publicadas na revista do IHGB. O período abrangido por essa incumbência começou no Tomo 1º (sessões do terceiro trimestre) em 1839 e se prolongou até o Tomo 7º em 1845. O esmero demonstrado na redação destas atas foi responsável pela fama adquirida por Lagos como capacitado redator que, sem dúvida, foi plenamente merecedor.

Afora o trabalho publicado em 1862 sobre os resultados da Comissão, mencionado na bibliografia, Lagos escreveu ainda nos volumes da Revista do IHGB:

Memória sobre o descobrimento da América no século X de autoria de Carlos Christiano Rafn, Secretário Real dos Antiquários do Norte. (1840). [Tradução de Rafn (1837)] RIHGB, t.2:210-236.

Elogio Histórico do padre-mestre Frei José Mariano da Conceição Velloso. (1840). RIHGB, t.2:596-614.

Discurso de orador da deputação que no dia 25 de março fora cumprimentar a S.M.I. (1843) RIHGB, t.5:240-241.

Relatório dos trabalhos do Instituto no sexto anno academico (1844). RIHGB, t.6, suppl.:4-35.

Relatório dos trabalhos do Instituto Histórico e Geographico (1848) RIHGB,t.11:89-147.

Seção Zoológica (leitura das bases para as instruções do Governo Imperial destinada a Comissão Scientifica de Exploração) (1856).RIHGB,t.19, suppl.:50-61.

Prospecto da Bibliotheca Brasileira, ou collecção de obras e documentos relativos à história e geografia do Brasil (1870). RIHGB,t.33:371-381.

Na resenha Bio-bibliográfica de Lagos apresentada por Sacramento-Blake (1900) aparecem listados somente dos primeiros artigos e o trabalho inserto na Introdução dos Trabalhos da Comissão Científica de Exploração.

Alguns meses antes de sua morte, Lagos recebeu a notícia da aprovação de sua proposta apresentada na sessão de 12 de agosto de 1870 (RIHGB,t.33:377-381) sobre a publicação de uma nova revista do IHGB, a qual seria denominada Bibliotheca Brasileira e versaria sobre as obras nacionais e estrangeiras relativas a história e a geografia brasileiras, divulgando-as e publicando pareceres. Infelizmente esse projeto sofreu solução de continuidade por morte de seu idealizador.

Diga-se de passagem que sua produção teria sido muito mais extensa se muitas das memórias lidas nas sessões do IHGB tivessem sido redigidas e entregues para a publicação. Fato lamentável e de difícil aceitação pela perda que representou.

Consta também que Lagos teria sido redator da Revista Brazileira de Sciencias, Letras e Artes quando de sua criação (Moreira de Azevedo, 1865). Em consulta aos poucos números existentes deste periódico em sua primeira fase de existência (1857-1861) verificamos que nenhuma indicação desta atribuição aparece consignada in loco. Como curiosidade pode-se ainda dizer que um dos redatores desta mesma revista, o escritor e diplomata Manoel de Araújo Porto Alegre (1806-1879), mais tarde Barão de Santo Ângelo (1874), dedicou a Lagos, seu amigo, uma de suas peças escritas para o teatro (Porto Alegre, 1951). Sabe-se que ambos eram aficcionados por Arqueologia.

Parece que o espírito eclético de Lagos - por isso dispersivo - era mesmo recheado de atributos. Aparentemente também possuía dotes para o desenho. Ele se ofereceu, segundo consta, para litografar uma determinada obra (RIHGB,t.1:260) e aparece como artista - ao lado de José dos Reis Carvalho, artista da Comissão e outros - que contribuiu com uma ilustração num álbum de despedida (1846), em homenagem ao Conselheiro Paulo Barbosa da Silva, que se preparava para uma nova missão diplomática (Lacombe, 1994:221).

 

Sociedade Vellosiana e Palestra Científica

Como uma de sua últimas atividades, no ramo da ciência, está sua participação na segunda fase da Sociedade Vellosiana. Lagos participou das reuniões preparatórias de reorganização da Sociedade, segundo registros nas atas de reunião de 13 de agosto e 27 de novembro de 1869 e de 21 de janeiro de 1870. Não pôde participar, contudo, da sessão solene de reabertura da Sociedade acontecida em 1º de abril de 1870, quiçá por decorrência do seu comprometido estado de saúde (Doc.85/1871 - MN).

A Sociedade Vellosiana buscava estruturar as ciências naturais nacionalmente. Foi criada em 1850 e devido às dissenções acontecidas entre seus membros foi interrompida em 1855. Em 1870 ela foi recriada, mas suas atividades cessaram em seguida. A Sociedade nestes dois períodos foi presidida por Freire Alemão e as reuniões aconteciam no seio do Museu Nacional, nesta segunda fase sob a tutela de seu diretor, Ladislau Netto. A Sociedade tentou «autonomizar-se em relação às sociedades congêneres internacionais» (Domingues, 1994).

Embora o segundo período de existência da Sociedade tenha sido mais curto que o primeiro, Lagos não viveu para vê-la terminar. Como curiosidade registra-se na sessão solene de reabertura da Sociedade a participação de Carl Euler (1832-1901), ornitólogo alemão amador que se notabilizou por seu trabalho com ninhos e ovos de aves brasileiras (Doc.85/1871 - MN).

Consta que em 1859 efetivamente participou de outra efêmera e menos conhecida sociedade científica do Rio de janeiro, a Palestra Científica, na qualidade de secretário. As atas desta sociedade foram publicadas na Revista Brazileira (tomo I: 380-400) e seu período de existência compreende desde sua sessão inaugural, 25 de junho de 1856 até 23 de novembro de 1857. A Palestra Científica, que também contou com a participação de S. M. O Imperador Pedro II, funcionou nas dependências da Escola Militar (Moreira de AZEVEDO, 1885).

 

Família, doença, morte e espólio

Lagos era filho de João Ferreira Lagos, português, e de Maria Benedicta do Rosário. Casou-se com Dona Francisca Maria da Costa em 8 de janeiro de 1862 (Freg. Sacr., fl. 45-1862/CM) e aparentemente teve apenas uma filha de nome Joanna. Residia nesta fase num sobrado na Rua São Jorge n° 1, atual Gonçalves Ledo, centro do Rio e muito próximo do Museu Nacional, naquela ocasião, sediado no Campo de Santana (Dotal livr. 116 fl.11v-1882 - AN).

Um outro funcionário do Museu Nacional de mesmo sobrenome, Luiz Ferreira Lagos (1831-1887), que ingressou na instituição em 1872, como supranumerário da Seção de Antropologia, Etnografia e Arqueologia (Lacerda, 1905) era irmão temporão de Lagos (Freg. Candel., fl.254-1831/CM).

A partir de 1867 problemas cardíacos passaram a fazer parte do diagnóstico médico que anunciava a morte próxima do Dr. Lagos. Seu espírito «sempre em erupções de epigramas» como realçava seu biógrafo, para indicar seus modos sarcásticos não o abateram face ao prognóstico (Macedo, 1876). Embora existam controvérsias a respeito do ano de sua morte, Lagos faleceu de fato no Rio de Janeiro em 23 de outubro de 1871 (Sacramento-Blake, 1900). Seu passamento foi lembrado pelo orador do IHGB, Dr. Joaquim Manoel de Macedo, seu dileto companheiro, em necrológio publicado (RIHGB,t.34: 405-424). Curtas notas biográficas foram publicadas também neste século nos dicionários biográficos de Galanti (1911) e Giffoni (1972).

Embora Macedo (1876) tenha afirmado que Lagos deixou avultado número de manuscritos e que a «simples relação dos títulos encheria muitas páginas» e que estes teriam sido recolhidos a Biblioteca Nacional por ordem do governo, em minhas buscas não fui capaz de encontrar tal expressivo acervo na mencionada instituição. Constam na Biblioteca Nacional apenas pareceres oriundos da Secretaria dos Negócios Estrangeiros e um manuscrito inédito, sem data, intitulado «Sugestões sobre a maneira mais conveniente de se publicarem os trabalhos da Comissão Científica» (Doc. 823 - Arq. Freire Alemão - BN). O Ministério dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, através de Aviso nº28 de 27 de dezembro de 1871, manda recolher ao Museu Nacional objetos pertencentes a extinta Comissão que estariam no espólio de Lagos (Doc.83/1871 - MN). Consta também que os objetos de História Natural pertencentes em vida a Lagos foram reclamados pelo diretor do Museu Nacional em 1874, Conselheiro Freire Alemão (Doc.19 /1874 - MN). Sua biblioteca particular, enfim, foi incorporada à biblioteca do Museu Nacional, como derradeira contribuição de Lagos ao progresso desta instituição (Cunha, 1966:37).

 

Agradecimentos

Agradeço particularmente às Bibliotecárias Maria José Veloso da Costa Santos - Arquivo histórico-científico do MNRJ e Vera de Figueiredo Barbosa - da Biblioteca do MNRJ pelo auxílio generoso na busca de fontes manuscritas e impressas, respectivamente. Sou grato também às Srs(as) Maria Madalena dos Santos, da Academia Nacional de Medicina e Lúcia Monte Alto Silva, do Arquivo Histórico do Palácio Itamaraty, Márcia Regina G. M. Freire, do Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro e Dr. Paulo Carneiro da Cunha, do Colégio Brasileiro de Genealogia pelo importante apoio na busca de informações; aos colegas Cláudia Bauer e P.S.M. da Fonseca e ao Prof. Hitoshi Nomura pelos comentários de parte dos originais; Henrique Rajão pela reprodução fotográfica do retrato de Manoel Ferreira Lagos e ao Prof. Melquíades Pinto Paiva e ao Sr. Luiz J. Gintner pelo fornecimento de bibliografia utilizada.

Finalmente, meu reconhecimento ao simpático atendimento de Sátiro Nunes, do Arquivo Nacional e de Antônio Carlos Gomes Lima, da Biblioteca do MNRJ.

 

Abreviaturas utilizadas no texto

RIHGB - Revista do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro

MN - Arquivo Histórico-científico do Museu Nacional, Rio de Janeiro

BN - Biblioteca Nacional, Seção de manuscritos, Rio de Janeiro

AN - Arquivo Nacional, Rio de Janeiro

ACMRJ - Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro

AHPI - Arquivo Histórico do Palácio Itamaraty, Rio de Janeiro

 

BIBLIOGRAFIA

Araújo, M.G. 1914. Contribuição para o estudo da Bibliotheconomia da organisação das grandes bibliothecas scientíficas. Rio de Janeiro: Macedo

Braga, R. 1962. História da Comissão Científica de Exploração. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará.

Cunha, D.F.F. 1966. História da Biblioteca do Museu Nacional. Rio de Janeiro: Museu nacional. (Série Livros, nº3).

Domingues, H.M.B. 1994. As Sociedades Científicas de Ciências Naturais no Brasil-Império. Rio de Janeiro:UFRJ (Preprint NEHCT nº 6)

Feio, J.L.A. 1960 O Museu Nacional e o Dr. Emílio Joaquim da Silva Maia. Publ.Av. Mus. Nacional, nº 35

Frauenfeld, G. 1858. Mein Aufenthalt in Rio de Janeiro. Verh.zool. bot. Ges. Wien (1858):253-262

Galanti, R.M. 1911. Biographias de brasileiros illustres. Resumidamente expostas. São Paulo: Duprat & C.

Giffoni, O.C. 1972. Dicionário bio-bibliográfico brasileiro de escritores médicos (1500-1899). São Paulo: Nobel.

Ihering, R. von 1940. Dicionário dos animais do Brasil. São Paulo: Diretoria de Publicidade Agrícola.

Lacerda, J.B. 1905. Fastos do Museu Nacional. Rio de janeiro: Imprensa Nacional.

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Macedo, J.M. 1871. Discurso do orador Dr. Joaquim Manoel de Macedo. Rev. Inst.Hist. Geogr. Bras., 34 (2):405-424.

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Moreira de Azevedo, M.D. 1885. Sociedades fundadas no Brazil desde os tempos coloniaes até o começo do actual reinado. Rev.Inst. Hist. Geogr. Bras., 48:265-327.

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