Os nomes das aves

Alberto Masi - Itália

Folheando um livro ou uma revista de ornitologia estamos habituados a ler em latim os nomes das aves. Os nomes são dois, às vezes também três. Por que dois, três nomes latinos ou latinizados?

Por que?

Porque temos necessidade, sempre, de uma nomenclatura aceita universalmente para entender de qual coisa estamos falando. De uma linguagem comum para a troca de informações.

Uma nomenclatura escrita e falada, sempre identificada rigorosamente por um nome científico vinculado por todos.

O atual nome científico foi consolidado em 1758, convencionalmente em 1 de janeiro de 1758, segundo o Código Internacional de Nomenclatura Zoológica ainda hoje em vigor, com a publicação da décima edição do SYSTEMA NATURAE de Caroli Linnaei, publicada em Estocolmo.

O nome científico é composto por dois termos; o primeiro é o nome do GÊNERO, o segundo, o nome específico da ESPÉCIE. O emparelhamento de um terceiro nome escrito a seguir, indica a SUBESPÉCIE ou Raça Geográfica. O gênero é indicado com a letra maiúscula. A espécie e subespécie com letra minúscula. O termo inteiro científico deve ser escrito em caracteres itálicos, excluso naturalmente o nome do autor ou descobridor chamado também classificador e a data que devem ser citados com outro caracter, preferivelmente em "bodoni".

Exemplo: Falcunculus frontatus (Latham, 1801)

Falcunculus frontatus leucogaster Gould, 1838

Comumente o mérito de ter introduzido o uso dos dois termos latinos (binômio) tem sido atribuído ao botânico suíço Caroli Linnaei (escrito também Linnaeus ou Carl von Linné).

Este mérito, de fato, pertence ao botânico alemão August Quirinus BACHMANN, chamado "Rivinus"(1652-1725).

A Linneo cabe "somente" o mérito de tê-lo adotado, talvez pela primeira vez, de maneira sistemática (favor interpretar o "somente" entre vírgulas como... a grandeza).

Lendo "Carpodectes hopkei Berlepsch, 1897" se identifica uma ave chamada "hopkei" inscrita no Gênero Carpodectes e descrita pela primeira vez em 1897 por Hans Karl Hermann Ludwig Graf von Berlepsch (1850-1915). Não sendo o nome do autor colocado em parênteses, sabemos que o Gênero fica invariado.

Pesquisando a sistemática apuramos tratar-se de uma ave distribuída no Panamá, na Colômbia e Equador (diz Berlepsch, descobridor da espécie), e que o Gênero a que pertence é reunido na Família Cotingidae, inscrita na Ordem dos Passeriformes.

Em italiano (e português) podemos chamá-la de "Cotinga" pela tradução da terminologia indígena Tupi que significa "belíssima coloração". "hopkei", genitivo, está para Hopke: Gustav Hopke, colecionador alemão de achados ornitológicos. Para construção: Ave de belíssima coloração de Hopke. Ou, Cotinga de Hopke Berlepsch, 1897.

Para comodidade na linguagem comum é (obviamente) omitida a citação do descobridor, Os "artigos científicos" ao contrário, devem sempre citar todos os dados taxonômicos, seja pela rigorosidade, seja para o devido reconhecimento. Não é bom, de fato, deixar cair no esquecimento o classicismo cultural em vantagem de uma pseudo modernidade, embora seja verdade que a culpa esteja entre os autores dos atuais artigos divulgativos e, raras vezes, entre os tradutores. Vale também para mim: tenho as minhas culpas... aqueles sem pecado atirem a primeira pedra!

O Código Internacional de Nomenclatura Zoológica precisa que o Gênero deve ser um nome no nominativo singular. A Espécie, um adjetivo com o próprio gênero do nome genérico ou um nome no nominativo singular ou um nome no genitivo.

O Gênero reagrupa entre si formas semelhantes que se pensa ter tido uma origem evolutiva comum.

As aves são colocadas numa seqüência mais ou menos arbitrária e não se deve esquecer que se é obrigado a levar em conta somente as formas contemporâneas tentando colocar em evidência o seu parentesco através do estudo dos caracteres morfológicos e anatômicos: As Ordens, a Família e os Gêneros são subdivididos baseados na semelhança e as diferenças que refletem o desenvolvimento evolutivo e as relações biológicas de cada grupo.

Atualmente a sistemática se é renovada e são ordenadas as aves segundo uma seqüência que reflete a sua filogênese e a reagrupa em função da sua afinidade real, devemos reconhecer Charles Darwin e outros evolucionistas.

Os sistemáticos chamam a "Cotinga de Hopke":

"Carpodectes (nitidus) hopkei Berlepsch, 1897". Acrescentando (nitidus). (nitidus) é a indicação do Subgênero que é inserido em parênteses entre o nome genérico e aquele específico... (na dúvida, é melhor não exceder).

Querendo fazer uma análise dos nomes usados para individualizar as aves, descobrimos que são usados nomes indicativos:

· O aspecto exterior (plumagem, cor, caracteres físicos), para cerca de 55%.

· A pessoa (real ou mítica), para uns 20%.

· Os nomes indígenas ou originários (como o malês: Ketupa).

· Os nomes clássicos latinos ou gregos (como: indicus, aegyptius, tibetanus).

· Os nomes derivados por anagrama (de Alcedo: Dacelo e Lacedo).

· O hábitat (como: Monticola, palustris)

· O comportamento (como: pugnax; Agapornis = agape, amor + ornis, ave).

· O alimento (sufixo: phagus = guloso. - vorus= voraz).

· O verso da voz (Upupa, vocifero)

Uma nomenclatura direta dá imediata identificação do sujeito.

Uma linguagem rica de termos que dá honra ao trabalho do sistemático, o especialista "mais reconhecido".

 

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