Tomas de Aquino Sigrist, Pintor naturalista

Jacques M.E. Vielliard - Campinas-SP

 

Dez anos atrás, apareceu na minha sala da UNICAMP um jovem naturalista com uma grande pasta embaixo do braço. Tomas de Aquino Sigrist vinha me mostrar sua primeira pintura de aves e me pedir conselhos para aprimorar sua obra. Era uma grande composição com dois beija-flores, o Balança-rabo (Phaethornis pretrei e o Rabo-tesoura Eupetomena macroura e um Sebinho Coereba flaveola entre flores de Malvaviscus, um trabalho ambicioso, realizado na difícil técnica do acrílico. Não tive a menor dúvida de que Tomas tinha talento, era decidido em desenvolver sua carreira e queria ampliar sua paixão pela natureza. Este quadro decora minha sala até hoje.

Nascido e morando em Valinhos, no interior de São Paulo, Tomas viveu sempre em contato com a Natureza. Após um curso de Química, ele trabalhou em laboratórios, mas também tomou aulas de desenho. Em 1986, depois da visita que relatei, Tomas decidiu se lançar numa carreira de pintor naturalista.

Quem quiser ser pintor-naturalista vai ter que enfrentar três grandes desafios, além de ter talento pessoal. Para ser pintor, vai ter que adquirir um perfeito domínio das técnicas que escolheu. Para ser naturalista, vai ter que se dedicar à observação minuciosa e rigorosa da flora e da fauna, e à pesquisa dos hábitos de seus modelos prediletos em seu hábitat natural. Para ser pintor-naturalista, finalmente, vai ter que impor seu trabalho ao público e contra os preconceitos tantos dos artistas quanto dos cientistas.

Tomas Sigrist, graças ao seu talento e determinação, está abrindo este espaço, sorte de interface entre Ciências e Artes. Já em 1987, apresentou "Aves de São Paulo", exposição que realizou no Centro de Educação Ambiental de São Paulo e que reapresentou várias vezes. Participou da exposição "Colibris" realizada em 1991 pelo Museu de Biologia Mello Leitão no Paço Imperial do Rio de janeiro e no Parque Modernista de São Paulo. Nesta época, Tomas intensificou suas pesquisas ornitológicas, tanto no campo, quanto em museus, principalmente o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. De 1988 até 1994, trabalhou junto ao Prof. Dr. Edwin O’Neil Willis para ilustrar a monografia "Aves do Estado de São Paulo", infelizmente ainda não publicada.

A carreira de Tomas ganhou agora uma nova dimensão com suas últimas produções que colocam finalmente o trabalho do Pintor-naturalista como uma obra artística e científica ao mesmo tempo. Tomas criou as capas dos meus CDs "Cantos de aves do Brasil" e "Guia sonoro das aves do Brasil, 1", e o cartaz do V Congresso Brasileiro de Ornitologia, demonstrando que Artes e Ciência podem se combinar muito bem. Mas, sobretudo, foi a realização da exposição "Arte no CBO 96" montada por Tomas e outros 5 pintores de aves, na Galeria de Arte da UNICAMP durante o último Congresso Brasileiro de Ornitologia, que fez descobrir ao público em geral e aos ornitólogos em particular que existem aqui vários Pintores-naturalistas de aves com diversas técnicas, que todos sabem incorporar sua arte à realidade científica das suas observações.

Surucuá-de-barriga-dourada Trogon viridis melanopterus M esquerda, F direita

Birro Melanupes candidus em display territorial

Uiraçu-falso Morphnus quianensis ou gavião-real

Mocho-orelhudo Asio clamator

Araponga Procnias nudicollis

 

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