Curiosidade científica

O navio "Magenta" e as descobertas ornitológicas

Alberto Masi - Itália

Em 28 de março de 1868 chegava ao porto de Nápoles o "Regia Pirocorveta Magenta", o primeiro navio de guerra italiano a ter completado a volta ao mundo, acrescentando à audácia marinha o brilhante resultado das missões diplomáticas e científicas que foram confiadas ao então recém criado Reino da Itália.

A expedição foi iniciada na baía de Montevidéu na manhã de 2 de fevereiro de 1866. A missão científica era formada pelo senador Prof. Filippo de Filippi, diretor do Museu Zoológico de Turim, pelo Prof. Enrico Hillyer Giglioli, zoólogo, e do preparador Clemente Biasi. Eles tinham a incumbência de estudar os produtos de vários países visitados, de procurar campeões que pudessem ser úteis à indústria italiana para eventuais possibilidades de importação e exportação, de estudar fenômenos naturais, manifestações étnicas e sociais, fauna e flora dos países visitados, procurando material para o Museu de Ciências Naturais.

O "Magenta" era comandado pelo capitão Vittorio Arminjon (1830-1897). Durante a travessia do Pacífico, em Hong Kong, no dia 9 de fevereiro de 1867, morria de doença o Prof. Filippi, nascido em Milão em 1814. Falecia "no campo", por amor à ciência, um grande propagandista e divulgador da teoria darwiniana. O evento científico de maior destaque ornitológico para a expedição foi a descoberta de cinco novas espécies de Procellarie, chamada no gênero Aestrelata e hoje denominada Pterodroma, que significa "pena errática". Estas novas espécies eram:

Pterodroma magentae (Giglioli e Salvadori, 1868)

arminjoniana (Giglioli e Salvadori, 1868)

feae (Salvadori, 1868)

defilippiana (Giglioli e Salvadori, 1868)

Puffinus assimilis elegans (Giglioli e Salvadori, 1868)

Como se deduz, estas espécies devem seu nome aos componentes da "expedição político-científica" do navio Magenta que do Rio da Prata se deslocou para o Extremo Oriente até a China, em Ta Ku, porto próximo de Pequim, circunavegando o globo até a Oceania, e concluindo a viagem em 22 meses e 15 dias.

Merece particular atenção a espécie Pterodroma magentae da qual foi relatado uma única prova destinada a ser conhecida como "única e somente" por um século, até que em 1978 quando na Ilha Chatham, próximo a Nova Zelândia, se descobriu uma pequena colônia de Procellarie (Crockett, D.E., 1979), que alguns acham possam corresponder à magentae. Hoje, a bem da verdade, ainda não existe uma "certeza". Alguns hipotizam que a magentae seja uma subespécie da Pterodroma alba.

Em novembro de 1867, depois da travessia do Pacífico, o Magenta parou em vários pontos dos Canais da Patagônia. Junto a Halt Bay, especialmente nos assim ditos English Narrows, que eram escassamente conhecidos, os oficiais do Magenta executaram acuradas observações batizando a baía, ilha e promontórios com os nomes do navio e aqueles de alguns membros da expedição.

Como o Magenta, muitas outros empreendimentos foram realizados e muitos outros cientistas foram imolados por amor à ciência.

Todos acontecimentos escritos com letras de ouro... com a vida, pela vida.

Acontecimentos que constituem na ciência, a arca da ornitologia.

Comentário crítico

Não vou desempoeirar uma página de glória italiana, mas desejo destacar o fato que atualmente a pesquisa científica, ao meu ver e no meu País, não é mais "excitante" .

Se vai somente primar auxiliando, sem convicção, pessoas o/ou teorias ainda sem certeza para fazer bonita mostra de si e sem levar a nenhuma contribuição válida. A ornitologia está abandonada ao egoísmo. "Fechada" com a corrente da ignorância. Estando assim a coisa, prevejo um período de obscurantismo.

Alberto Masi, Parma, 21 de maio de 1996.

 

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