O Pintor de Natureza Eduardo Brettas

Jacques Vielliard - Campinas-SP

 

Foi somente em novembro de 1992, quando estive na Universidade Federal de Viçosa para ministrar um curso sobre Bioacústica, que conheci Eduardo Brettas. E descobri, por acaso, seus talentos de pintor naturalista. No fim do curso decidi ir para Belo Horizonte e, de lá, para Serra do Cipó. Ofereci uma carona ao Eduardo que morava neste caminho, em Ponte Nova. A estrada de Viçosa à Ponte Nova é estreita e sinuosa; chovia ao longo da viagem e, quando chagamos sugeri uma pausa para descansar. O Eduardo então aproveitou o intervalo para buscar alguns desenhos que tinha feito. Quando ele reapareceu com meia dúzia de pequenas aquarelas levei um choque: um novo artista ornitólogo havia nascido.

Eram retratos simples, em recortes irregulares de papel, mas dava para perceber na silhueta e nas cores o talento de um observador rigoroso e sensível. Entusiasmado com meu empolgamento, e pedindo desculpas por não ter ainda realizado nenhuma composição melhor acabada, Eduardo me presenteou com uma linda aquarela do icteídeo Amblyramphus holosericeus, o Cardeal-do-banhado, que a guardo preciosamente até hoje.

Mas isto foi só a primeira boa surpresa que recebi do Eduardo.

Menos de três anos após este encontro memorável, e sem ter novas oportunidades de nos encontrar, procurei o Eduardo para saber se ele poderia participar da exposição coletiva que planejava realizar na Galeria de Arte da UNICAMP durante o V Congresso Brasileiro de Ornitologia. Foi então que ele me proporcionou uma segunda surpresa. E satisfação em ver que meus encorajamentos tinham produzido resultados além das expectativas. Neste curto tempo ele havia dominado sua técnica e já desenvolvia composições de estilo próprio, realizando uma obra digna de um profissional veterano.

Mineiro, natural de Ponte Nova, Eduardo Parentoni Brettas trabalhava como desenhista-projetista, mas procurava observar as aves na natureza quando, justamente em 1992, recebeu uma proposta para ilustrar publicações sobre a fauna de Santa Catarina. Ele não titubeou e resolveu se tornar um pintor-naturalista profissional. Se instalou em Juiz de Fora, onde montou a firma "Natureza em Desenho Ltda" e realizou vários trabalhos para revistas especializadas e peças publicitárias. Acabou as ilustrações de 160 espécies de aves e 60 de mamíferos de Santa Catarina (esta publicação continua no prelo, retardando sua apreciação).

A participação de Eduardo Brettas na coletiva "Arte no V CBO", sua primeira exposição, propiciou, portanto, uma grande surpresa entre os ornitólogos. Agora, a divulgação de um pouco do seu trabalho nesta série de reportagens que AO lançou oportunamente, oferece maus um espaço para ele e outros pintores-naturalistas brasileiros.

Na seqüência: Attila rufus, Synallaxis ruficapilla, Cyanespes cyaneus, Philydor rufus rufus, Pyriglena leucopter e Pteroglossus castanotis australis

 

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