Resumo da Edição Número 75- JANEIRO/FEVEREIRO de 1997 - Pág.4- ISSN 0104-2386

Abstract of AO Number 75 - January/February 1997 - P.4

 

 

Notulae et Corrigenda VI

 

O limite norte de distribuição do tinguaçu-castanho (Attila phoenicurus) na Mata Atlântica.

 

José Fernando Pacheco & Ricardo Parrini - Rio de Janeiro

 

O tinguaçu-castanho ou capitão-castanho, Attila phoenicurus, tiranídeo que habita o interior da copa das florestas é ainda considerado pouco conhecido. Atualmente é admitido que se reproduza na região meridional da Mata Atlântica, incluindo a extensão desse bioma ao Paraguai e região Misioneira da Argentina, e empreenda migrações na direção da Amazônia regularmente. Descrita apenas na segunda metade do século passado (Pelzeln, 1868. Zür Ornithologie Brasiliens - a partir de material oriundo do vale do Paraíba paulista, colecionado pelo célebre naturalista Johann Natterer em 1818) esta espécie sempre esteve pouco representada nas coleções ornitológicas. Em 1944, data do segundo volume do Catálogo das Aves do Brasil de Olivério Pinto, é possível verificar que o Museu de São Paulo possuía apenas 3 peles desta espécie, sendo duas coletadas em fins de 1940.

Depois de assinalada para São Paulo e todos os estados do Sul, além de algumas presenças transitórias nos estados de Goiás e Mato Grosso e Amazônia, somente em 1985 a sua existência foi relatada para o Parque

Nacional do Itatiaia, Rio de Janeiro/ Minas Gerais (Sick, Ornitologia Brasileira, p. 596). Coincide com esta época o nosso aprendizado da vocalização da espécie e o seu encontro regular nos anos seguintes em meses de verão na região do Itatiaia e do Parque Nacional da Bocaina, ambos no limite sul do Estado do Rio de Janeiro.

A partir de fevereiro de 1991, a espécie foi seguidamente documentada através de gravações na Fazenda Vale da Revolta, município de Teresópolis, na Serra dos Órgãos por Ricardo Parrini, estabelecendo assim um novo limite norte da área reprodutiva da espécie. Em 29 de novembro de 1996, J. F. Pacheco gravou a espécie na região de Macaé de Cima, Nova Friburgo, cerca de 60 km ao norte do ponto de Parrini e situada na mesma cadeia montanhosa. No Estado do Rio de Janeiro, os nossos registros do tinguaçu-castanho se distribuem entre 25 de outubro e 2 de março. Estes novos registros para a Serra dos Órgãos podem sugerir uma sutil expansão da espécie rumo ao norte, se considerarmos que as regiões do Itatiaia e Teresópolis foram relativamente bem estudadas a nível ornitológico, ou demonstrar apenas que inventários recentes tornam-se facilitados pela utilização crescente do conhecimento das vocalizações, em

especial das espécies mais esquivas ou de difícil identificação.

 

UFRJ- Instituto de Biologia, Depto. de Zoologia, Laboratório de Ornitologia,

CCS Cidade Universitária, 21944-970 - Rio de Janeiro - RJ, Brasil

 

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Última modificação (Last modified): novembro 11, 2012