Resumo da Edição Número 75- JANEIRO/FEVEREIRO de 1997 - Pág.7- ISSN 0104-2386

Abstract of AO Number 75 - January/February 1997 - P.7

 

Pipra fasciicauda (Pipridae, Aves) no Parque Estadual de Vila Rica do Espírito Santo, Fênix, Paraná

Pedro Scherer Neto e Douglas Kajiwara - Curitiba-PR

Casal de Pipra fasciicauda (desenho de Paul Barruel)

A Pipra fasciicauda possui uma ampla distribuição na América do Sul, desde o leste do Peru, sul da Bolívia, leste do Paraguai, nordeste da Argentina ao Brasil, desde o Amazonas, Maranhão ao sul de Minas Gerais, norte de São Paulo, norte do Paraná e populações aparentemente isoladas no Ceará e Alagoas (RIDGELY & TUDOR, 1994).

No Estado do Paraná, a espécie se distribui na região norte ao sudoeste, habitando remanescentes da Floresta Estacional Semidecidual (RADAMBRASIL).

No Parque Estadual de Vila Rica, a espécie recebe especial atenção dentro do projeto que estuda a avifauna desta unidade de conservação. O parque está situado no município de Fênix ( 23° 54’S;51° 56’W) e possui uma área total de 353 ha, encontrando-se parcialmente isolado por terras aproveitadas para a agricultura e recoberto por mata secundária com mais de 300 anos e um pequeno trecho por capoeira desenvolvida a partir do abandono de um viveiro de produção de árvores ornamentais.

Este piprídeo apresenta dimorfismo sexual, sendo o macho bastante colorido com a cabeça, nuca e peito vermelhos com influência de amarelo, dorso negro e abdome amarelo, enquanto a fêmea possui colorido verde oliváceo uniforme à exceção do ventre amarelado. Os jovens são semelhantes às fêmeas, podendo ser aparentemente distinguidos pela coloração da íris.

A espécie não é facilmente percebida no ambiente devido a seus hábitos. A sua constatação em uma determinada área é facilitada, quando o método de pesquisa permite o uso de redes de neblina (mist nets). No parque a pipra utiliza ambas as formações vegetais, tendo havido um maior número de capturas nos trechos alterados.

Em 1982, começamos a realizar um estudo qualitativo da avifauna e que se prolonga até o momento e que contou com a colaboração de vários ornitólogos paranaenses, tais como Fernando Straube, Luiz dos Anjos, Marcos Bronschein, Ligia M. Abe e estagiários de Biologia (PUC), Douglas Kajiwara, Alberto Urben Filho e Eduardo Carrano. Esta pesquisa revelou a presença de mais de 250 espécies de aves, identificadas em amostragens bimestrais. A partir de 1992, modificamos o método de estudo, implantando um sistema de anilhamento que nos possibilitou conhecer aproximadamente o tamanho da população desta ave. Foram marcadas um total de 80 aves em seis anos de anilhamento. Ao longo do trabalho ocorreram 65 recapturas correspondendo a 81,25% do número total de indivíduos capturados. As pipras com período maior entre a data de anilhamento e a última recaptura estão na tabela.

           

Cód.anilha

Sexo

Data anilhamento

Data da última recaptura

No.de recapturas

Total em meses (cap./recapt.)

C11772

F

10-07-92

05-10-94

7

27

C15326

M

09-09-93

05-09-95

6

24

C18148

M

19-09-92

11-03-94

6

18

C23873

F

04-09-95

14-02-97

4

17

 

É interessante ressaltar que nos dois últimos anos de estudo o número de novas capturas dessa espécie no parque caiu consideravelmente, sendo que, durante todo o ano de 1996, nenhum indivíduo novo foi anilhado.

A acentuada diminuição no número de aves dentro do parque estimulou um estudo comparativo com uma ilha de vegetação localizada a 2 km de distância.

Em fevereiro de 1995, demos início aos trabalhos de anilhamento, tendo sido capturadas 4 pipras, um macho, duas fêmeas e um jovem indeterminado; na última fase de campo

(14-02-97) as duas fêmeas foram recapturadas.

A continuidade da pesquisa pode revelar inúmeros dados sobre a população desta espécie, especialmente porque este parque foi bastante atingido por uma forte chuva com granizo que destruiu parte da vegetação, derrubando inclusive árvores de grande porte.

O Parque de Vila Rica encontra-se bastante empobrecido em termos de avifauna: a última avaliação indicou apenas a ocorrência de 52 espécies, com a captura de apenas 18 indivíduos. A repetição de pesquisas deve ser realizada a fim de monitorar e comparar com os resultados obtidos até o momento.

 

Agradecimentos:

Agradecemos ao Instituto Ambiental do Paraná - IAP o apoio sempre recebido e a todos os funcionários do Parque Estadual de Vila Rica e do Museu de História Natural de Curitiba, que nos acompanham em várias excursões. Em especial ao biólogo Mauro Moura Britto, que nos acompanha e nos viabilizou o maior número de viagens ao parque.

 

 

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Última modificação (Last modified): novembro 11, 2012