Resumo da Edição Número 75- JANEIRO/FEVEREIRO de 1997 - Pág.8- ISSN 0104-2386

Abstract of AO Number 75 - January/February 1997 - P.8

 

Rafael Antunes Dias - ornitólogo e pintor naturalista

Quem foi para Pelotas, no Rio Grande do Sul, em outubro de 93, para participar do III Congresso Brasileiro de Ornitologia, teve a satisfação de conhecer um grupo novo e dinâmico de jovens ornitólogos. Entre as boas surpresas que marcaram minha visita lembro-me particularmente de quatro quadros de patos que decoravam discretamente o mural do anfiteatro principal da Universidade Católica de Pelotas, onde eram expostos os painéis dos congressistas. Sempre atento a manifestação de talentos escondidos, reparei nessas pinturas uma combinação original de simplicidade artística com um senso apurado de observação científica.

Simples, mas sem concessão, é assim que me apareceu o cultor desses quadros quando finalmente consegui localizá-lo, Rafael Antunes Dias, jovem universitário com uma forte vocação para a ornitologia. Ele e seu parceiro, Giovanni Maurício, estavam mais interessados em discutir observações de campo do que aproveitar o Congresso para se promover. Tanto é que fiquei mais um dia, apesar do tempo frio e úmido, para conhecer algumas aves raras da região. Foi uma experiência proveitosa e o início de nossa amizade. Acho que foi também o início de uma carreira promissora.

Com a generosidade dos entusiastas, Rafa - como se faz chamar pelos colegas - me deu todos os desenhos que tinha. Foram uma meia dúzia de pequenos retratos em recortes de papel e 3 dos 4 quadros de patos; o quarto tinha sido dado a Lila Ferraz, então Presidente Nacional do COA, que o tinha admirado. Aproveitei todos esses desenhos para divulgar a arte do Rafael e decorar várias das minhas paredes.

Rafael usa a técnica de PVA sobre papel. Ele mesmo me declarou que a escolha foi feita por razões de economia: o PVA (Poli Vinil Álcool) sendo uma tinta industrial - que não sofre os preços do mercado de arte - também se contenta com papel de qualidade ordinária. Talvez é justamente por ser barata que esta técnica oferece amplo espaço para criação artística, apesar de uma gama de cores limitada; usando tintas importadas e papéis caros, o artista iniciante corre o risco de frear sua inspiração para não desperdiçar seu material.

Cursando atualmente biologia na Universidade Federal de Pelotas - UFPEL, Rafael tinha estudado Belas Artes, mas considera-se um ornitólogo. De fato, suas composições procuram retratar com fidelidade suas próprias observações, mas incorporam também a sensibilidade do artista preocupado em mostrar a paisagem autêntica com a sua luminosidade particular. Na minha opinião, ele está indo além da simples representação da espécie; seus últimos trabalhos captam o movimento da própria vida da ave ilustrada, como ficou revelado na Exposição Coletiva "A Arte no V CBO", na UNICAMP e como podemos conferir nos desenhos originais aqui divulgados.

 

Na seqüência: Cisne-de-pescoço-preto Cygnus melanocoryphus, Príncipe Pyrocephalus rubinus, Marreca-de-coleira Collonetta (Anas) leucophrys e Marreca-piadeira Dendrocygna viduata, Tiriba-de-barriga-vermelha Pyrrhura p. perleata e Águia-chilena Geronoaetus melanoleucus (este em bico-de-pena)

 

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Última modificação (Last modified): fevereiro 28, 2014