Resumo da Edição Número 76- MARÇO/ABRIL de 1997 - Pág. 6 -  ISSN 0104-2386

AO Number 76 - March/April 1997 - 6

 

 

A Fundação Loro Parque devolve arara-maracanã para repovoamento no Brasil 

David Waught - Espanha

Em um "Projeto para a reintrodução da arara-maracanã Ara maracana", a Fundação Loro Parque está enviando vinte indivíduos dessas espécies para o Brasil, para serem soltas na natureza no final desse ano, no estado da Bahia.

Essas araras foram criadas em cativeiro na maior coleção de psitacídeos do mundo, a qual é propriedade da Fundação e está localizada no Loro Parque, em Tenerife, Ilhas Canárias. Essa importante ação de repovoamento tem vários objetivos. O mais imediato é de determinar a efetividade dessa técnica para restaurar populações viáveis de espécies de psitacídeos ameaçadas no estado natural. O resultado de um projeto tão cuidadosamente controlado ajudará a determinar as melhores maneiras de suprir as populações livres de psitacídeos reduzidas, e também a restabelecer populações de espécies de psitacídeos que têm desaparecido regionalmente ou têm se tornado extintas na natureza. Após isso, essa experiência de soltura de araras maracanã proverá informações valiosas sobre como restaurar as populações livres da espécie de psitacídeo mais rara do mundo, a ararinha-de-Spix Cyanopsitta spixii.

Existe um único exemplar conhecido de ararinha-de-Spix, um macho, remanescente na natureza, apesar de existirem 39 registrados na população mundial em cativeiro, dois pares dos quais estão na coleção da Fundação Loro Parque. Como um membro fundador do Comitê Internacional para a Recuperação da Ararinha-de-Spix, a Fundação colabora com o IBAMA, o órgão do meio ambiente do governo brasileiro, e realmente é o principal suporte financeiro desse programa de recuperação que envolve proteção da ave macho livre, proteção e restauração do seu hábitat natural, e também trabalha próximo a comunidade local para alertar e educar sobre o meio ambiente.

Dessa forma, as araras maracanã criadas em cativeiro serão soltas na região natural das Ararinhas de Spix, onde também existe a população livre de maracanãs, artificialmente reduzida por um prévio efeito da remoção de aves jovens de seus ninhos para comércio ilegal. O processo total para a eventual soltura dessas aves está sendo executado com referência às normas do grupo especialista de reintrodução do IUCN - A União Mundial de Conservação. Dessa forma, todo indivíduo tem que ser submetido aos testes mais avançados possíveis para doenças transmissíveis, e tem que se mostrar negativo para todos os testes. Mesmo assim, as aves ainda terão que passar por quatro meses de quarentena quando chegarem ao Brasil, seguida de mais seis meses de aclimatização no local de soltura, num enorme viveiro especial construído especialmente pela Loro Parque Fundación. O protocolo de soltura, além de incluir testes genéticos e patológicos para aves criadas em cativeiro, também os realiza nos indivíduos da mesma espécie na população livre receptora. Para facilitar o projeto, viabilizando aos biólogos no Brasil fazerem o seguimento após a soltura das araras, identificá-las e observar seu comportamento, cada uma irá carregar um transmissor miniaturizado o qual permitirá serem encontradas por meios remotos. Cada arara também tem uma marca na perna com um número individual, e uma tatuagem distinta na pele da face, aplicada sem machucar, sob anestesia.

Um aspecto chave dessa reintrodução é a diferente história de cada arara criada em cativeiro. Enquanto algumas foram criadas por seus próprios pais, outras foram criadas à mão, e também têm diferenças na idade e sexo dentro do grupo a ser solto. A intenção é correlacionar qualquer diferença na habilidade para sobreviver no estado natural com as diferenças da história em cativeiro. Dessa maneira a Fundação e os colaboradores serão capazes de determinar no futuro a história ideal de uma criação em cativeiro de arara, ou outras espécies de papagaios, para otimizar a sobrevivência pós-soltura na natureza. Apesar de lá já ter havido reintroduções com sucesso e bem documentadas de outros tipos de animais no meio natural, a Fundação Loro Parque será responsável pelo primeiro caso propriamente documentado desse evento com as espécies de psitacídeos.

Como um membro fundador do Comitê Permanente para a Recuperação da Ararinha de Spix (CPRAA), a Fundação colabora com o IBAMA, o órgão do meio ambiente do governo Brasileiro, e realmente é o principal suporte financeiro para o programa de recuperação que envolve proteção da ave macho livre, proteção e restauração de seu hábitat natural, além de trabalhar junto da comunidade local para alertar e educar sobre o meio ambiente.

Tradução: Pedro Salviano Neto

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Última modificação (Last modified): novembro 15, 2015