Edição Número 78- JULHO/AGOSTO de 1997 - Pág. 11 -ISSN 0104-2386

AO Number 78 - July/August 1997 - P.11

 

A cigarra-bambu (Haplospiza unicolor)

 

Marco Antônio de Andrade & Márcia Viegas Greco de Andrade - Belo Horizonte - MG

Cigarra-bambu (Haplospiza unicolor) -fêmea e macho. Fotografado no Parque Estadual do Ibitipoca (MG) por Carlos M. Andrade Jr.

 

A cigarra-bambu (Haplospiza unicolor) é uma ave restrita às regiões Sudeste e Sul do Brasil, pertencendo à ordem Passeriformes, à família Emberizidae e à sub-família Emberizinae (Sick 1997). Popularmente, é conhecida também pelos nomes: "Cigarra-coqueiro", "Catatau", "Pixoxó-bambu", "Pixoxó-do-arroz" e "Chã-chão" (Andrade, 1985).

Apresenta bico pequeno, cônico, extremamente pontudo e de cor cinza-chumbo tendendo ao preto. O macho tem a plumagem cinzento-azulada uniforme bem característica e de fácil identificação. A íris é bem escura e as pernas são pardo-rosadas. Já a fêmea difere pelo dorso, asas e cabeça verde-oliváceo escuro; ventre esbranquiçado; flancos e peito esverdeados; garganta e papo com estrias anegradas e mandíbula amarelada.

Sua voz é bem fina, lembrando um tiziu ou o zunir de uma cigarra: "tzri", "zib" ou "zi, zi-zschrí". Canta enquanto voa entre os galhos de árvores e arbustos, a poucos metros de altura, no interior da mata sombria. Vive também em taquarais, onde pode ocorrer em certa quantidade quando há o "arroz de taquara", e depois desaparece (Sick 1997). Alimenta-se basicamente de grãos e pequenos insetos que encontra na mata.

Em Minas Gerais, tivemos a oportunidade de encontrar e fotografar a cigarra-bambu em duas áreas: 1) no Parque Estadual do Ibitipoca, município de Lima Duarte, em capoeira densa, a cerca de 1.400 m de altitude; 2) e no município de Mariana, próximo a Ouro Preto e à serra do Caraça, em área de mata atlântica relativamente densa, a cerca de 1.200 m de altitude. Nas duas localidades a cigarra-bambu, que foi capturada com rede ornitológica, estava associada às formações de bambuzinhos e taquaras existentes em trechos da mata. Este fato evidencia a sua ligação com esta vegetação que é também uma de suas fontes de alimentação.

Sexo

Local

Peso (g)

Comp. total (cm)

Ano

macho

Lima Duarte

15

13

1985

fêmea

Lima Duarte

14,5

13

1985

macho

Mariana

14

13

1997

Tabela 1: Dados de exemplares de cigarra-bambu capturados em duas áreas no Estado de Minas Gerais.

 

A cigarra-bambu já foi registrada também em outras regiões de Minas Gerais como na Serra do Brigadeiro e no município de Viçosa (G. Mattos, com. pes.). Sua distribuição abrange do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul (na faixa de mata atlântica), Argentina e Paraguai. Em Santa Catarina habita ambientes florestais, taquarais e mata de araucária (Rosário 1996). Está presente o ano todo no Rio Grande do Sul, onde William Belton anilhou vários indivíduos, tendo um macho pesado 15,5 g (Belton 1994).Na Argentina ocorre apenas em Misiones, nos taquarais em bordas de matas e capoeiras (Narosky 1987).

Referências

 

Andrade, G.A. (1985). Nomes Populares das Aves do Brasil. Editerra Editorial. 258 p.

Andrade, M. A. (1992). Aves Silvestres: Minas Gerais. Belo Horizonte: CIPA. 176 p.

Belton, W. (1994). Aves do Rio Grande do Sul: distribuição e biologia. São Leopoldo: Ed. UNISINOS. 584 p.

Narosky, T. & Yzurieta, D. (1987). Guia para la Identificacion de las Aves de Argentina y Uruguay. Buenos Aires: Vasquez Editores.

Rosário, L. A. (1996). As Aves em Santa Catarina. Florianópolis: FATMA. 326 p.

Sick, H. (1997). Orntiologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

 

Endereço dos autores: Fundação Acangaú, Rua Cura Dars 1189/3, cep 30430-080, Belo Horizonte, MG. Tel/fax: (031) 332-7596

 

 

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Última modificação (Last modified): novembro 12, 2012