Edição Número 78- JULHO/AGOSTO de 1997 - Pág. 14 -ISSN 0104-2386

AO Number 78 - July/August 1997 - P.14

 

OCORRÊNCIA DE ÁGUIA-CINZENTA (Harpyheliaetus coronatus) no município de Itambé do Mato Dentro – MG

Regina C. Caldeira Ribeiro (1) - Belo Horizonte – MG

A Águia-Cinzenta, Harpyhaliaetus coronatus (Willis e Oniki 1991), é um acipitrídeo ameaçado com raras ocorrências confirmadas para o Estado de Minas Gerais.Espécie meridional de grande porte (66 cm 2950 g) com característico topete nucal, asas largas, cauda curta, pernas relativamente longas e dedos curtos. Cinzenta-escura, quase uniforme, um pouco mais clara nas partes inferiores; cauda com ponta e uma faixa transversal branca. Cera e pernas amarelas (Sick 1997). Brown e Amadon (1968) descrevem outras características relevantes: padrão de coloração marrom-acinzentada em alguns indivíduos e iris marrom-avermelhada. Imaturo, com faixa superciliar de cor creme e partes inferiores com estrias esbranquiçadas. Voz: longas seqüências de "gli, gli, gli..n. De índole preguiçosa, pousa em postes, estacas ou no solo; espreita por exemplo, tatus. É meio crepuscular; habita regiões campestres, como o Pantanal. Ocorre da Argentina à Bolívia e Brasil extra-amazônico, com ocorrências mais regulares no Brasil Central (Sick 1997).

Itambé do Mato Dentro é um município do Estado de Minas Gerais, localizado na Zona Metalúrgica, a 146 Km de Belo Horizonte e 36 Km de Itabira. Situado na Serra do Cipó, dentro do complexo do Espinhaço, que divide os biomas do Cerrado e Mata Atlântica, pertence à Bacia do Rio Doce e possui um clima subtropical. Ocupa uma área de 407 m2, e está a 712 m de altitude determinada pelas coordenadas geográficas de 19° 23’ 47" latitude Sul e 43° 18’ 51" longitude Oeste.

No dia 05 de abril de 1996, durante uma visita à região de Itambé do Mato Dentro e acompanhada por Carlos Alberto da Silva, fomos surpreendidos pelo pouso de uma enorme ave de rapina no topo de uma árvore frondosa de aproximadamente 5 n, de altura. Estávamos, então, deslocando da Cachoeira do Chuvisco em direção à cidade, a mais ou menos 10 Km desta, por volta das 16:30 horas. Imediatamente o motor do carro foi desligado e com o auxilio de um binóculo iniciamos a observação detalhada de dentro do veiculo, a uma distancia aproximada de 8 m. A principio, os dois caracteres que mais nos chamaram a atenção foi o enorme porte do animal e um penacho destacado no alto de sua cabeça. Durante cerca de 8 minutos, pudemos observar a ave que pousada de frente para nós, permanecia imóvel, movimentando esporadicamente a cabeça, numa atitude atenta, própria das aves de rapina. O indivíduo observado era um adulto e apresentava características que permitiram sua identificação, baseada na descrição feita por Dunning (1987). Outros caracteres morfológicos visualizados de forma favorável, devido à proximidade da ave. foram posteriormente confirmados nas descrições de Brown e Amadon (1968) e Sick (1997). Após esse tempo inicial de observação, salmos de dentro do veiculo na tentativa de observá-la por outro angulo. Essa movimentação provocou perturbação na águia-cinzenta que se deslocou voando para o leste do ponto de observação, vocalizando uma vez. Após alguns instantes a ave saiu do nosso campo visual, encoberta pelo relevo local. A cerca de 800 m de altitude, a área era montanhosa, caracterizada pela presença de lajedos e pedras com vegetação predominantemente arbustiva, havendo, entretanto, algumas espécimes vegetais de grande porte. Foi também observada ocorrência de palmeiras em uma área mais baixa, próxima ao local.

Percebendo a importância dessa observação e com o intuito de aumentar os dados até então conhecidos para a espécie, ao retornar a Belo Horizonte procurei me informar sobre maiores detalhes. Primeiramente relatei o fato ao Douglas Trent, presidente da Focus Tours Inc. que me sugeriu procurar o COA. Posteriormente, juntamente com o Tadeu A. Melo Júnior, biólogo e Luiz Guilherme M. Mendes, sócio do COA/BH discutimos os aspectos da observação e estes prontamente me recomendaram a elaboração dessa nota.

Em Minas Gerais, o Harpyhalinetus coronatus é conhecido por poucos registros confiáveis em campo (Collar et al. 1992), sendo a presença dessa espécie inédita na área mencionada no corpo desse trabalho.

Agradecimentos:

Tadeu A. Melo Júnior e Luiz Guilherme de M. Mendes que discutiram e me forneceram detalhes bibliográficos básicos para elaboração dessa nota.

Bibliografia

Brown’ L.H. e Amadon, D. 1968. Eagles, Hawks and Falcons of the World.Collar, N. J., Gonzaga, L.P., Krabbe, N., Madrono Nieto, A., Naranjo L.G., Parker, T.A. e Wege D. 1992. Threatened Birds of the Americas. The ICBP/IUCN Red Data Book.Dunning, J.S. 1987. South American Birds. Sick, H. 1997. Ornitologia BrasileiraWillis, E.O. e Oniki Y. 1991. Nomes Gerais para as Aves Brasileiras Fonte IBGE/INDI

1 - R. Prof. Aníbal de Mattos, 370/101 - Cep 30350-220 - Belo Horixonte/MG Guia Naturalista - Focus Tours Inc.

 

 

AO - SERVIÇOS - LINKS
Você pode enviar perguntas ou comentários sobre este site para ATUALIDADES ORNITOLÓGICAS.
Send mail to ATUALIDADES ORNITOLÓGICAS with questions or comments about this web site.
Última modificação (Last modified): novembro 12, 2012