Edição Número 78- JULHO/AGOSTO de 1997 - Pág. 2 -ISSN 0104-2386

AO Number 78 - July/August 1997 - P.2

 

Estrutura e organização de comunidades de aves em áreas de Mata Atlântica primitiva e explorada por corte seletivo

Alexandre L. P. Aleixo

 

 

Resumo de tese

O presente estudo objetivou investigar os efeitos do corte seletivo de espécies arbóreas sobre uma comunidade de aves da Mata Atlântica. Para tanto, um levantamento quali-quantitativo de avifauna foi efetuado em duas áreas distintas. Uma completamente inexplorada (M1) e outra explorada por madereiros (M2). Pretendeu-se documentar o comportamento da avifauna sob efeito do corte seletivo e determinar como esta atividade influenciou o número, a composição e a abundância das espécies presentes. Também foi comparada a abundância relativa das espécies com exigências ecológicas similares ("guildas") nos dois tipos de mata, no intuito de verificar quais perfis ecológicos da avifauna foram mais afetados.

Ao longo de 25 meses de levantamento, foi realizado um estudo sobre a composição e os padrões de abundância relativos das espécies nas duas matas estudadas. Além disso, foi efetuada uma caracterização estrutural da vegetação dessas matas, fator que reconhecidamente determina padrões de distribuição e abundância de espécies componentes de comunidades de aves.

Apesar da maior parte dos parâmetros estruturais da vegetação sofrer redução em M2, os padrões de riqueza e diversidade das comunidades de aves diferiram pouco entre os dois tipos de mata estudados. Processos dinâmicos como colonizações e extinções de espécies, explicam diferenças acentuadas na similaridade e abundância das espécies da avifauna entre as matas estudadas. A composição dos grupos ecológicos da avifauna alterou-se pouco de um modo geral entre as matas, mas na maioria dos grupos pelo menos uma espécie foi prejudicada pelo corte seletivo.

Embora índices quantitativos globais da comunidade de aves não sejam alterados significativamente entre M1 e M2, ainda assim ocorrem alterações importantes na sua composição. Isso ocorre devido ao aspecto dinâmico da sucessão de espécies na comunidade de aves da M2: novas espécies de guildas iguais àquelas de espécies perdidas pela M2, colonizam continuamente a área alterada. Espécies insetívoras de subosque e de solo compõe o perfil ecológico mais ameaçado, repetindo o mesmo padrão de grupos ecológicos mais prejudicados pela fragmentação florestal.

Áreas de Mata Atlântica secundárias e exploradas por corte seletivo podem também, de fato, abrigar comunidades de aves ricas e bastante diversificadas. No entanto, uma análise multivariada evidenciou nítida diferenciação na estrutura dessas comunidades.

São feitas recomendações a métodos de retirada seletiva de madeira, no sentido de serem menos danosos a comunidades de aves florestais da Mata Atlântica:

(1) Manter a maior proximidade possível entre matas exploradas e matas em bom estado de conservação e não-fragmentadas;

(2) Aplicar práticas exploratórias que utilizem o menor número possível de vias de acesso e que reduzam a exploração mecanizada (arraste e transporte das toras) ao estritamente necessário;

(3) Estabelecer rodízio nas áreas a serem exploradas.

 

Dissertação de Mestrado em Ecologia do Instituto de Biologia da UNICAMP,

defendida em 25 de julho de 1997, sob a presidência do Orientador,

Prof. Dr. Jacques M. E. Vielliard, da Academia Brasileira de Ciências.

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Última modificação (Last modified): novembro 12, 2012