Edição Número 81 - JANEIRO/FEVEREIRO de 1998 - Pág. 7 -ISSN 0104-2386

AO Number 81 - Janeiro/Fevereiro 1998 - P.7

 

Observações de campo transcritas de anotações

A rarefação do mocho-galego (Athene noctua Scopoli,1769)

Alberto Masi - Itália

A sorte deste pequeno raptor noturno está sempre ligada ao homem: de símbolo de uma potente cidade grega (Atenas) a emblema de bruxas e magos, talvez pelo fato de habitar cemitérios.

Considerado animal nocivo ou portador de desventuras (os velhos contavam que escutar seu canto era sinal de feias premonições), agora que as pessoas acreditam menos nestas coisas... o mocho-galego está inexoravelmente desaparecendo. Ironia do destino!

Na Itália sobre esta ave não existem dados precisos, porém o fato é que não é mais freqüentemente visto. Ainda é, entre os raptores noturnos, a espécie mais facilmente vista durante o dia. Pretendi realizar algumas pesquisas para finalmente individualizar as causas do declínio demográfico, mas além de poder constatar a destruição dos biótipos de nidificação, como o desaparecimento das alamedas de amoreiras, salgueiros, álamos que, como se sabe, são ricos de cavidades ideais para nidificação, e o gradual desaparecimento dos campos, para o momento... minhas intenções ficaram paradas. Talvez pelo fato da minha área de campo não ser vasta. Todavia o mocho-galego estaria adaptado para viver também em ambientes transformados. Uma hipótese poderia ser aquela de ter notado a quase totalidade das casas de campo transformadas, modernizados e a cultura diferente daquela de algumas décadas atrás.

Além disso tem ocorrido a excessiva presença da pega-rabuda (Pica pica Linnaeus) que, para meu conhecimento, não teria nada a ver com a diminuição demográfica do mocho-galego.

A este propósito, os mesmos camponeses, habitantes da área de minha observação, me confirmaram que, no passado, quando ainda havia o mocho-galego, a pega-rabuda existia em número nitidamente inferior.

O mocho-galego prefere os campos com agricultura tradicional, as zonas planas e colinas com cobertura arbórea esparsa e descontínua. Gretas dos rios e centros habitados. Alimenta-se de pequenos mamíferos (ratos de árvores), aves (também tão grande quanto um melro), se arrependa, répteis, anfíbios, insetos, moluscos.

Sobre a alimentação pertinente tenho visto e em boa quantidade também durante os meses de março a maio, período preferido pelo mocho-galego para reprodução. A sua rarefação é uma incógnita.

A técnica de caça do mocho-galego consiste no permanecer pousado e imóvel em uma estaca ou num ramo baixo de uma árvore ou, simplesmente em uma elevação do solo, escutando pacientemente. A finíssima audição e a assimetria das aberturas das orelhas permitem perceber e localizar o rumor provocado por uma possível presa que, com uma rápida e silenciosa batida de asas, com as pernas estiradas para frente, a imobiliza. Matado-a então a golpes de bico e a engolindo toda.

O mocho-galego caça também de dia durante o período de criação dos filhotes. Geralmente os filhotes são três. Permanecem no ninho por cerca de um mês. Uma ninhada por ano. Os ovos são elípticos de cor branca.

O ninho é colocado geralmente na cavidade de árvores (amoreiras, salgueiros, oliveiras) ou junto ao homem, sobre telhados, sótãos das casas abandonadas. Não contém material de relato. Pensa-se que a incubação se inicia desde a deposição do primeiro ovo com abertura assíncrona. Quando os filhotes deixam o ninho permanecem na vizinhança e não é difícil vê-los, ainda cobertos pela plumagem. O chamado do mocho-galego é típico da espécie, consistindo de miados, gritos e sopros.

Os sexos são indistinguíveis embora a fêmea seja ligeiramente maior que o macho. A espécie é pequena, de 21 a 27 cm de comprimento total, abertura alar de 50 a 60 cm. Cabeça grande, linhagem sem tufos auriculares, cauda curta. Plumagem cinza-marrom recoberta de manchas esbranquiçadas. As partes inferiores têm estrias longitudinais marrom-enegrecidas.

Tradução: PSF

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Última modificação (Last modified): 16-dez-2012