Edição Número 82 - MARÇO/ABRIL de 1998 - Pág. 11 -ISSN 0104-2386

AO Number 81 - March/April 1998 - P.11

 

Descoberta nova espécie de Antilophia na Chapada do Araripe-CE, Brasil

A nova forma difere de Antilophia galeata, sua espécie irmã - amplamente distribuída nas florestas semidecíduas de galeria da região do Cerrado -, principalmente pela cor dominante na plumagem do macho adulto, que é branca em vez de negra.

A descoberta desta nova espécie apóia a idéia de que grandes áreas da Chapada do Araripe devem ser conservadas como Reservas Biológicas ou Parques Nacionais.

A descoberta se deve aos biólogos Galileu Coelho e Weber Silva, que tiveram o primeiro contato visual em dezembro de 1996, numa floresta úmida, perenefolia, localizada na base da Chapada do Araripe, em altitude de 800 metros.

A espécie foi denominada Antilophia bokermanni em homenagem ao biólogo paulista Werner Bokermann, falecido em 1995. A descrição formal da espécie está sendo publicada na revista Ararajuba, de julho deste ano.

Antilophia galeata X Antilophia bokermanni

machos (esquerda) X fêmeas (direita)

A new specie Antilophia was dicovered in Chapada do Araripe-CE, Brazil

A new kind differers from Antilophia galeata, its brother specie widely distribuited in the semidecidues gallery forest from the region of Cerrado - mainly by the dominant collor in the plumage of adult male, which is white, not black as it usually is.

The discovery of this new specie is based in the idea that the big areas in Chapada of Araripe must be conserved as Biological Reserves or Nacional Parks.

The discovery dues to the biologists Galileu Coelho and Weber Silva, who had the first visual contact in dezember 1996, in a wet forest, perenefolia, located in the base of Chapada of Araripe, in an altitude of 800 meters.

The specie was named Antilophia bokermanni in homenage to the biologist Werner Bokermann, born in São Paulo. He died in 1995. The formal description of the specie is being published in the Ararajuba magazin, of june in this year.


 

Ocorrência da lavadeira-mascarada Fluvicola nengeta (Linnaeus, 1766) no Estado do Paraná

Pedro Scherer Neto e Eduardo Carrano – Curitiba-PR

A ocorrência conhecida da lavadeira-mascarada Fluvicola nengera no Brasil abrange principalmente a região nordeste, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Bahia, Piauí, leste do Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio de Janeiro e o nordeste de São Paulo (RIDGELY & TUDOR, 1994; SICK 1997). Ocorre também no oeste do Equador e no extremo noroeste do Peru.

Na década de 50 a espécie foi registrada no Rio de Janeiro (SICK, 1997) e a partir de então surgem novos registros para o sul do Brasil; COELHO et al (1991) registram sua ocorrência em diversas ilhas costeiras no Rio de Janeiro; VENTURINI et al (1996) registram a espécie no Espírito Santo; em São Paulo a espécie é citada por Alvarenga, 1990; Willis, 1991; Lo, 1993 e L. Sanfilippo com. Pess.1997). WILLIS Y ONIKI (1991) registram a lavadeira-mascarada em 1977, no parque Estadual do Rio Doce, em Minas Gerais. TEIXEIRA (1992) menciona a espécie como um dos Tyrannidae mais comuns no extremo nordeste do país.

No Estado do Paraná, Fluvicola nengeta foi observada no dia 21 de junho de 1997, no município de Guaraqueçaba, dentro da Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba. Os dois indivíduos estavam deslocando-se continuamente no solo, entre diversas poças de água, no interior de um curral ocupado por gado doméstico, na localidade de Tagaçaba de Cima (25o 12’S; 48o 33’W).

Este registro confirma a expansão de sua área de distribuição, sendo este seu limite meridional, considerando-se a ausência de citação da espécie para o Paraná (SCHERER-NETO & STRAUBE, 1995), não estando listada para o Estado de Santa Catarina (ROSÁRIO, 1996) e Rio Grande do Sul (BELTON, 1994).

Referência Bibliográficas

ALVARENGA, H.M.F. 1990. Novos registros e expansões geográficas de aves no leste do estado de São Paulo. Ararajuba 1:107-09.

BELTON, W. 1994. Aves do Rio Grande do Sul: Distribuição e Biologia. São Leopoldo, Ed. Unisinos, 584 p.

COELHO, E.P; ALVES, V.S; FERNANDEZ, F.ªS & SONEGHET, M.L.L. 1991. On the birds faunas of coastal islands of Rio de Janeiro state. Brazil Ararajuba 2:21-40.LO, V.K. 1993. Registro da ocorrência de Laniisoma elegans (COTINGIDAE) e Fluvicola mengeta (TYRANNIDAE) no município de São Paulo-SP. III Congresso Brasileiro de Ornitologia, Pelotas-RS. 24p.

RIDGELY, R.S. & TUDOR, G. 1994. The birds of South America Vol.2, The Suboscines Passerines. Austin: University of Texas Press.

ROSÁRIO, L. A. 1996. As Aves em Santa Catarina (Distribuição e Meio Ambiente). Florianópolis. FATMA. 326 p.

SCHERER-NETO, P. & STRAUBE, F.C. 1995. Aves do Paraná, História, Lista Anotada, Bibliografia. Edição dos autores. 79p.

SICK, H. 1997. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira. 912 p.

TEIXEIRA, D.M. 1992. As fontes do paraíso – Um ensaio sobre a Ornitologia no Brasil Holandês (1624-1654). Ver. Nord. Biol. 7:90.

VENTURINI, A. C.; OFRANTI, A.M. da S; VAREJÃO, J.B.M. & PAZ, P.R. de 1996. Aves e mamíferos na restinga: Parque Estadual Paulo César Vinha, Setiba, Guarapari, Espírito Santo. Vitória: Secretaria de Estado e Desenvolvimento Sustentável. 68 p.

WILLIS, E.O. 1991. Expansão geográfica de Netta erythrophthalma, Fluvicola nengeta e outras aves de zonas abertas com a "desertificação antrópica" em São Paulo. Ararajuba 2:41-58.

Museu de História Natural Capão da Imbuia. R. Prof. Benedito Conceição 407. 82810-080 Curitiba-PR, Brasil

 


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Última modificação (Last modified): 02-mar-2014