N.85 - Setembro/Outubro (September/October) de 1998

 

Registros do mocho-diabo Asio stygius (Wagler, 1832) no Estado do Paraná

Eduardo Carrano* - Curitiba-PR

 

O mocho-diabo ocorre desde o México até a Argentina e Paraguai; no Brasil praticamente em todas as regiões, desde a Amazônia até a região sul (SICK, 1997).

Apesar da ampla distribuição, é considerado raro e com registros locais (HILTY & BROWN, 1986; NORES, 1991; SILVA & CAYE, 1992; ROSÁRIO, 1996).

No sul do Brasil, a espécie conta com registros nos três estados. BELTON (1994) cita três registros para o Rio Grande do Sul, dois datam do século passado e mais recentemente OLIVEIRA (1991) observou a nidificação da espécie no estado.

Em Santa Catarina existem apenas dois registros; um indivíduo depositado no Museu Arquidiocesano Dom Joaquim, Brusque proveniente de Lontras e outro do Parque da Serra do Tabuleiro, Santo Amaro da Imperatriz (ROSÁRIO, 1996).

No Paraná existem diversos registros da espécie nos últimos anos (SCHERER-NETO & STRAUBE, 1995). SCHERER-NETO (1985) descreve sobre a biologia reprodutiva da espécie no estado. Há um registro em 1992 para São Mateus do Sul (P. Scherer Neto com. pess.,1998). SCHERER-NETO et al. (1994) registram no Parque Estadual de Vila Velha (25º15’S / 50º0’W). ANJOS & SCHUCHMANN (1997) citam a espécie em quatro localidades; Rio Azul ( 25º45’S / 50º47’W); Mallet (25º55’S / 50º50’W); Represa de Alagados (25º0’S / 50º05’W) e Varanal (24º25’S / 50º35’W). Foi registrado na Fazenda Monte Alegre (24º20’S / 50º35’W) em Telêmaco Borba (R. Berndt, com. pess.,1998).

O Museu Ornitológico de Goiânia possui um exemplar (MOG-1101), coletado em Cascavel em 10/II/1968 (SCHERER-NETO & STRAUBE, 1995).

No Museu de História Natural Capão da Imbuia, em Curitiba, estão depositados três exemplares: fêmea (MHNCI-2988) procedente da Região Metropolitana de Curitiba, coletada por F.C. Straube e M.R.Bornschein em 1989; fêmea (MHNCI-4704) procedente da Vila Cristo Rei, município de Ponta Grossa (20/IV/95) e uma fêmea (sem numeração) encontrada morta na Rodovia do Café, Km 17,5 localidade de Rondinha, município de Campo Largo (21/V/98).

Em julho de 1996 um indivíduo foi encontrado morto na localidade da prainha, Ilha do Mel (25º30’S / 48º13’W), no litoral paranaense, estando depositado no Museu de Zoologia da PUC-PR em Curitiba.

O autor, acompanhado de D. Kajiwara, registrou a espécie em 14 de setembro de 1997, na Ilha Rasa (25º20’S / 48º25’W) Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba. O indivíduo estava vocalizando pousado em uma área alterada de restinga.

Em estudos anteriores realizados no litoral paranaense (SCHERER-NETO,1987; STRAUBE,1990; MORAES,1991) a espécie não foi registrada, constituindo-se estes novos registros, portanto, nos únicos para o litoral, pois até o momento a espécie só havia sido registrada no 1º e 2º planaltos paranaenses.

 

REFERÊNCIAS BIBLOGRÁFICAS

 

ANJOS, L. dos & SCHUCHMANN, K.L. 1997. Biogeographical affinities of the avifauna of the Tibagi River Basin, Paraná drainage system, southern Brazil. Ecotropica 3: 43-65.

BELTON, W. 1994. Aves do Rio Grande do Sul: distribuição e biologia. São Leopoldo. Ed. Unisinos. 548 p.

HILTY, S.L & BROWN, W.L. 1986. A guide to the birds of Colombia. Princeton: Princeton University. 836 p.

MORAES, V.S. 1991. Avifauna da Ilha do Mel, Litoral do Paraná. Arq. Biol. Tecno. 34: 195-205.

NORES, M. 1991. Checklist of the birds of Argentina. Centro de Zoología Aplicada, Publicación nº 10. Universidad Nacional de Córdoba.

OLIVEIRA,R.G. de. 1981. A ocorrência do "mocho-diabo" Asio stygius no Rio Grande do Sul. Anais da Sociedade Sul-riograndense de Ornitologia. 2:9-12.

ROSÁRIO, L.A do. 1996. As aves em Santa Catarina: distribuição geográfica e meio ambiente. Florianópolis: FATMA. 326P.

SCHERER-NETO, P. 1985. Notas bionômicas sobre o "mocho-diabo" Asio stygius (Wagler, 1832), no Paraná. Anais da Sociedade Sul-riograndense de Ornitologia 6: 15-18.

SCHERER-NETO, P. 1987. Aves . In: Macrozoneamento florístico e faunístico da Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba: Relatório final. Universidade Federal do Paraná, Departamento de Silvicultura e Manejo e Prefeitura Municipal de Curitiba, Divisão de Museu de História Natural. 90 p.

SCHERER-NETO, P; ANJOS, L. dos & STRAUBE, F.C. 1994. Avifauna do Parque Estadual de Vila Velha, Estado do Paraná. Arq. Biol. Tecnol. 37:223-229.

SCHERER-NETO, P & STRAUBE, F.C. 1995. Aves do Paraná: história, lista anotada e bibliografia. Ed. dos autores. Curitiba. 79 p.

SICK, H. 1997. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira. 912 p.

SILVA, F & CAYE, C.E. 1992. Lista de Aves: Rio Grande do Sul. Divulgação do Museu de Ciências da PUC-RS. Porto Alegre. 30 p.

STRAUBE, F.C. 1990. Conservação de aves no litoral- sul do Estado do Paraná (Brasil). Arq. Biol. Tecnol. 33:159-173.

* Biólogo colaborador do Museu de História Natural Capão da Imbuia. Rua Benedito Conceição, 407. CEP 80810-080. Curitiba, Paraná.

 

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Última modificação (
Last modified): 04 março, 2014