N.87 - Janeiro/Fevereiro (January/February) de 1999

Reserva de Desenvolvimento Sustentável

AMANÃ

Luiz Claudio Marigo - Rio de Janeiro-RJ

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã une a RDS Mamirauá ao Parque Nacional do Jaú, formando um grande corredor ecológico na Amazônia Central, e o maior bloco de floresta tropical protegida do mundo, com cerca de 5.766.000 hectares, uma área do tamanho da Irlanda e do estado da Paraíba e bem maior que a Costa Rica ou a Suíça.

O decreto da criação da RDS Mamirauá, em 1990, foi assinado pelo Ex.mo. Sr. Governador do Estado do Amazonas, AmazoninoMendes, que oito anos depois decretou também a RDS Amanã. Através dos projetos para a criação dessas reservas, elaboradas por cientistas do Projeto Mamirauá e do INPA- Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, a região situada entre as bacias do rio Japurá e do rio Negro ficou assim protegida para a conservação da biodiversidade e a melhoria das condições de vida de suas populações, como determina a categoria de Reserva de Desenvolvimento Sustentável, criada também pelo Estado do Amazonas, através de sugestões apresentadas pelo Projeto Mamirauá. A região do Amanã é de grande importância biológica, porque inclui áreas contínuas e extensas de florestas inundadas por rios de água branca(Japurá-Solimões), por rios de águas negras (Negro) e de terra-firme, além de proteger espécies raras ou ameaçadas de extinção, como o uacari-preto, o peixe-boi, o boto-vermelho, o cachorro-do-mato-vinagre, ocachorro-do-mato-de-orelhas-curtas, o gavião-real e o pirarucu, para citar apenas algumas.

O lago Amanã, com 45 km de extensão e 3 km de largura, o maior da região amazônica, é o principal marco geográfico da reserva. Neste imenso lago de águas negras de grande beleza concentram-se populações relativamente grandes do peixe-boi, provavelmente as maiores da Amazônia, que não residem aí o ano inteiro, mas somente na época da seca. Quando os rios e lagos vão enchendo, os peixes-bois migram para áreas de várzea, principalmente para Mamirauá. O mesmo fenômeno ocorre com a macucaua (Crypturellus undulatus), que no início da estação de cheia pode ser observada cruzando o rio Japurá, deixando a várzea do Mamirauá para as terras-firmes do Amanã.

Entusiasmada com a bem sucedida implantação de Mamirauá, a gente do Amanã apoiou e até mesmo solicitou a criação de sua própria reserva. A melhoria das condições de vida das populações humanas é um dos objetivos do desenvolvimento sustentável e um aspecto indispensável para a viabilidade econômica e política da conservação da natureza. Os caboclos ribeirinhos já reconhecem o valor da preservação da vegetação e dos animais das áreas onde vivem para seu bem-estar. E, curiosamente, uma cadeia de elos de fraternidade humana parece ter gerado a reserva de Amanã. Quando no final dos anos 70, o biólogo Robin Best revelou o lago Amanã para a comunidade científica, não poderia supor que seus esforços seriam tão bem recompensados. Na proposta para a criação da reserva, uma equipe de pesquisadores de diversas instituições científicas presta uma homenagem a Robin, falecido em 1986. E ainda hoje o biólogo é lembrado com carinho pelas comunidades do Amanã. Na proposta, os cientistas reconhecem a importância de seus estudos com os peixes-bois da região e mencionam que Robin sempre lutou para a proteção daquela área, deixando importantes documentos científicos. O encadeamento de causas e efeitos deve continuar: no final de 1999, a reserva será aberta para o ecoturismo, quando suas belezas poderão ser observadas por turistas do Brasil e de todo o mundo.

O lago Amanã, de águas negras, é a mais importante referência geográfica da Reserva de Amanã.

 

 

 


 

Ninho de talha-mar Rhychops nigra com ovos e um filhote, na praia de Pirapucu, na beira do rio Japurá, limite sul da Reserva de Amanã.

Biguatinga Anhinga anhinga (o nome local é carará) secando as asas.

O macucaua (Crypturellus undulatus) ilustra a correção do conceito de corredores ecológicos: durante a época da cheia, esta ave terrestre abandona as várzeas inundáveis da Reserva de Mamirauá e cruza o rio Japurá para buscar proteção nas terras firmes da reserva de Amanã.

Mata de igapó às margens do lago Amanã.

- O Tuipara-estrelinha Brotogeris sanctithomae é um periquito comum na reserva do Amanã, ocorrendo em bandos grandes e compactos.

O martim-pescador Ceryle torquata (o nome local é ariramba) é facilmente observado na beira dos lagos e cursos d'água da reserva. Alimenta-se de peixes.

O beija-flor Florisuga mellivora, aparentado a Melanotrochilus fuscus do Sudeste, tem ampla distribuição na América do Sul.

O talha-mar Rhychops nigra, em vôo rasante sobre a vegetação da margem do rio Japurá, no limite sul da Reserva de Amanã.

O mutum-cavalo Mitu tuberosa habita as matas de terra-firme da Reserva de Amanã.

A cigana Opisthocomus hoazin alimenta-se de folhas e vive em matas alagadas e na beira de lagos e rios. Quando jovens, seus filhotes apresentam garras nas asas, o que os ajudam a voltar às árvores, quando caem na água.

 

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Última modificação (
Last modified): 05 março, 2014