N.88 - Março/Abril (March/April) de 1999

Novos registros de espécies de aves no estado da Bahia e sua correlação com os ecossistemas

Deodato G. S. Souza* – Feira de Santana-BA

 

 

Introdução

A Lista das Aves do Estado da Bahia, na sua edição de 1991 (Souza, 1991), relacionou 673 espécies de alguma maneira registradas nesse Estado. Pesquisas posteriores trouxeram os registros em campo, até agora inéditos, de mais 32 espécies não assinaladas para a Bahia, quer na bibliografia que foi tomada como básica para elaboração daquela edição da Lista: Pinto (1944, 1964, 1978); Meyer de Schauensee (1979); Sick (1985), quer por inventários de coleções de museus. Essas 32 espécies se somam às 17 que, na Lista das Aves do Estado da Bahia de 1991 , compareceram como novidades, registradas exclusivamente em campo (na sua presente versão, este trabalho traz os registros de campo do cracídeo Penelope obscura e do cotingídeo Lipaugus lanioides, que chegaram tarde demais para serem incluídos na mais recente edição da Lista, a de 1999). Aqui se corrigem dois erros da Lista: o Formicarídeo Terenura maculata consta como registrado só em campo, mas esta espécie já está comprovada, na Bahia, através do exemplar MN 34376, Museu Nacional; o piprídeo Neopelma pallescens, registrado do mesmo modo, já comparecera antes na bibliografia (Pinto (1944). No seu todo, esses registros resultaram de observações feitas em diversos locais e ocasiões, pelo autor e por terceiros, variando a metodologia empregada, havendo, inclusive, registros confirmados por captura de indivíduos.

Foram assinaladas novas ocorrências de espécies das famílias Tinamidae e Diomedeidae (1 espécie cada), Procelariidae (3 espécies), Pelecanidae e Ardeidae (1 espécie cada), Accipitridae (2 espécies), Cracidae (1 espécie), Rallidae (2 espécies), Stercorariidae (1 espécie), Strygidae e Caprimulgidae (1 espécie cada) Apodidae (2 espécies), Trochilidae (2 espécies), Ramphastidae (1 espécie), Picidae (3 espécies), Furnariidae (2 espécies), Formicariidae (3 espécies), Cotingidae e Pipridae (1 espécie cada), Tyrannidae (6 espécies), Hirundinidae (2 espécies), Turdidae e Vireonidae ( 1 espécie cada) e Emberizidae (7 espécies). Para simplificar o cruzamento dos dados deste texto com os das diversas edições da Lista das Aves do Estado da Bahia, conservamos a sistemática adotada nelas, embora ultrapassada.

Os locais (as coordenadas geográficas que damos se referem às sedes dos municípios, exceto onde notado) onde foram feitos esses novos registros de espécies foram plotados sobre os mapas do Zoneamento Ecológico do Nordeste, da Fundação IBGE (Brasil, 1993), permitindo fazer-se a sua correlação com o meio ambiente, assim entendidas as formações vegetação-solo-clima constantes naquele mapa; essa informação consta no verbete de cada espécie, na listagem abaixo, como "Zona de Floresta", "Zona de Caatinga" etc . Os novos registros no estado revelam continuidade quase total com as áreas de distribuição antes conhecidas para cada espécie, sempre de acordo com a bibliografia básica já mencionada (embora seja notável o caráter disjunto de registros como o do ralídeo Porphyrula flavirostris em Salvador), sem grandes novidades, também, quanto aos habitats onde foram feitos e os que já eram conhecidos; aliás, já havia sido comentado que há equívocos consagrados que têm levado a se considerar o Espírito Santo como limite norte de muitas aves endêmicas da mata atlântica (Gonzaga et alii, 1995). Concluímos que, com exceção de Egretta ibis (Ardeidae), espécie em indiscutível expansão geográfica, a novidade desses registros decorre da falta de pesquisa de campo no estado da Bahia. Os resultados indicam, também, o aparente papel de importante corredor de avifauna, no sentido Sul-Norte, do maciço montanhoso da Chapada Diamantina.

 

Os novos registros

1. Inhambu-guaçú - Crypturellus obsoletus (Tinamidae)

A vocalização inconfundível desta espécie foi ouvida em agosto de 1994 no município de Taperoá, ao sul do Recôncavo baiano (13º 50’ S, 39º 10’ W), em beira de floresta úmida alta (habitat que é o mesmo constante na bibliografia), a cerca de 300 metros de altitude, correspondendo ao ecossistema Zona de Floresta, em continuidade com a área de distribuição antes conhecida; em maio de 1998, novo registro sonoro em Elísio Medrado (13º S, 39º 45’ W), a 600 metros de altitude, no mesmo ecossistema. Gonzaga et alii (1995) informam o registro - até aí inédito - feito por B. M. Whitney em 1988, perto de Itatingui, como o primeiro desta espécie na Bahia.

 

2. Albatroz-de-nariz-amarelo - Diomedea chlororhynchos (Diomedeidae)

Esta espécie pelágica foi encontrada (indivíduos mortos, na linha das marés) na cidade de Salvador e na ilha de Itaparica, na baía de Todos os Santos, entre 1990 e 1992 (Eduardo Albernaz, comunicação pessoal). Harrison (1985) assinala a costa do Brasil, do Sul à Paraíba, como pertencendo à área de distribuição desta ave, e Vooren & Fernandes (1989) a limitam aos 15 graus de latitude sul (Ilhéus), mas outros autores só vão até ao Rio de Janeiro (Sick, 1985).

 

3. Faigão - Pachyptila belcheri (Procelariidae)

Um indivíduo, com possibilidade de estar em companhia de outros da mesma espécie, visto sobre o mar aberto em Salvador, no ano de 1998 (Marco Antônio de Freitas, comunicação pessoal).

 

4. Bobo-escuro - Puffinus griseus (Procelariidae)

O Bobo-escuro é tido como um visitante vindo do Sul, aparecendo apenas nas costas do Rio Grande do Sul nos meses de maio e agosto, e infreqüente (Sick, 1985), mesma distribuição apontada por Vooren & Fernandes (1985), embora Harrison (1985) a declare como ocorrendo em toda a costa brasileira. Registros foram feitos em Salvador, entre 1990 e 1992, de indivíduos mortos, dados às praias (Eduardo Albernaz, comunicação pessoal).

 

5. Bobo-de-cabeça-preta - Puffinus gravis (Procelariidae)

Mais uma espécie encontrada morta em grandes quantidades, em diferentes anos, nas praias do município de Salvador, durante os meses menos quentes do ano (Édson Félix, comunicação pessoal), presumivelmente em razão de as águas estarem altamente distróficas nessa época.

 

6. Pelicano-pardo - Pelecanus occidentalis (Pelecanidae)

A bibliografia é quase unânime ao apontar o Norte do Brasil (alto rio Tapajós e Marajó) como única área a que chega esta espécie setentrional, mas Sick (1985) cita um registro de Mitchell na costa do Rio de Janeiro, em 1957, classificando-o de "excepcional". Um indivíduo foi visto na ilha de Itaparica, em frente a Salvador, no interior da Baía de Todos os Santos, no final da década de 1980 (Cláudio Conceição, comunicação pessoal); esse registro foi feito na vegetação de restinga, num ecossistema de Zona de Floresta, mas em ambiente litorâneo.

 

7. Garça-vaqueira - Egretta ibis (Ardeidae)

A acelerada expansão desta espécie se revela na evolução dos dados bibliográficos a seu respeito. Sick (1985) assinala-a até ao Rio de Janeiro, e subindo a Goiás e à área de Belém do Pará, mas outra edição da mesma obra (Sick, 1997) já a noticía para quase todo o Brasil, embora não para o Nordeste; Olrog (1984) tem um mapa de sua distribuição que inclui todo o Brasil; de Schauensee (1970) fala só na ilha de Marajó, e Pinto (1978) diz Marajó e Rio Grande do Sul, curiosos extremos de latitude a sugerir que a expansão inicial de E. ibis se deu pelo oeste da América do Sul. É interessante notar que esta espécie expandiu-se fortemente, em primeiro lugar, no seu continente de origem, a África (Hengeveld, 1989), para depois atravessar o Atlântico. Registramos Egretta ibis na estrada entre Currais Novos e Acari, Rio Grande do Norte, e em Macau, naquele mesmo estado (ambos os registros em agosto de 1987), deslocando-se em grandes bandos sobre manguezais e salinas. Na Bahia, o primeiro registro foi feito em Carinhanha (14º 30’ S, 43º 65’ W) por Geraldo Theodoro de Mattos (comunicação pessoal), "entre 1969 e 1977"; outro registro pioneiro foi feito em Guanambi (14º 20’ S , 42º 70’ W) em 1981 (Pedro C. Lima, comunicação pessoal). Desde 1991, temos encontrado essa espécie em diversos pontos da Bahia, sempre em pastos, registrando sua nidificação em um ninhal em um açude no município de Quijingue (10º 36’ S, 38º 50’ W), Zona de Caatinga, agosto/outubro de 1996 (Souza & Freitas, 1997).

 

8. Gavião-de-sobre-branco - Buteo leucorrhous (Accipitridae)

Espécie com poucas menções na bibliografia; a área mais ao norte mencionada é o Rio de Janeiro (Sick, 1985), mas um indivíduo foi avistado por nós em Planaltino (13º 25’S, 40º 32’W), em novembro de 1992, na caatinga arbórea, no ecossistema correspondente a Área de Tensão Ecológica.

 

9. Águia-cinzenta - Harpyaliaetus coronatus (Accipitrídeos)

Sick (1985) assinala esta espécie em regiões campestres, no sul de Mato Grosso até ao Rio Grande do Sul; de Schauensee (1970) fala em Goiás e Mato Grosso para o Sul, em florestas, e Pinto (1978) apenas acrescenta o sul de Minas Gerais. Bianca Reinert (comunicação pessoal) a encontrou no oeste da Bahia, no extenso município de Correntina, em ponto situado aproximadamente a 13º 45’ S, 45º 36’ W, em zona de Cerrado (resumo do trabalho realizado pela FUNATURA sob coordenação de Paulo Antas, nessa região, sem incluir a listagem das espécies encontradas, foi publicado no III Congresso Brasileiro de Ornitologia, 1993); também registrado posteriormente em Lençóis (12º 54’ S, 41º 36’ W), na Chapada Diamantina, em campos de altitude (José Carlos de Moraes, comunicação pessoal).

 

10. Jacupixuna - Penelope obscura (Cracidae)

"Espécie meridional" segundo Sick (1985), sem registro bibliográfico acima de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Encontrado por Elbano Moraes (comunicação pessoal) em 1998, em mata densa acima de 600 metros de altitude, em Elísio Medrado (13º S, 39º 45’ W), no ecossistema Zona de Floresta.

 

11. Sanã-do-capim - Laterallus exilis (Rallidae)

Espécie amazônica, conforme a bibliografia básica já mencionada, embora Sick (1985) a registre também no Mato Grosso e em Igaraçu (Pernambuco). Foi encontrada, no ano de 1996, em Lençóis (12º 54’ S, 41º 36’W), tendo sido gravada a sua vocalização (André Carvalhaes, comunicação pessoal).

 

12. Frango-d’água-pequeno - Porphyrula flavirostris (Rallidae)

Os três autores da nossa bibliografia básica concordam em que esta espécie espalha-se, a partir da Amazônia, pelo Brasil central e ocidental, só se aproximando da região Leste a partir de Minas Gerais. A espécie parece fazer deslocamentos e ser ocasional nas áreas que formam os limites de sua distribuição. Daniela Sampaio e João Cláudio Araújo (comunicação pessoal) acompanharam a reprodução desta espécie no Parque Metropolitano de Pituaçú, zona urbana de Salvador, a partir de 1995, parecendo estar estabelecida naquela área; buscas nas lagoas da restinga que se estende por todo o litoral norte da Bahia ainda não revelaram novas localidades para o Frango-d’água-pequeno.

 

13. Gaivota-rapineira-comum - Stercorarius parasiticus (Stercorariidae)

Visitante regular da costa brasileira, segundo Sick (1985), que, porém, não cita registros na Bahia; de Schauensee (1970) só se refere a esta espécie como acidental no interior do Brasil (Roraima), e Pinto (1978) dá-a como acidental nas costas do Brasil meridional. Eduardo Albernaz (comunicação pessoal) coletou esta espécie entre 1990 e 1992, no litoral norte do estado.

 

14. Caburé-canela - Aegolius harrisi (Strygidae)

Embora Sick (1985) registre esta espécie para o "Nordeste", além da área compreendida entre São Paulo e o Rio Grande do Sul (como o restante da bibliografia básica, quanto a estes estados), sua distribuição parece-nos irregular, e o primeiro registro baiano de campo vem de Correntina, extremo-oeste, em localidade aproximadamente a 13º 45’ S, 45º 36’ W (Bianca Reinert, comunicação pessoal; ver nota no item 9). A localidade corresponde à Zona de Cerrado. Foram feitos outros registros desta espécie na Bahia.

 

15. Bacurau-do-lajedo - Caprimulgus nigrescens (Caprimulgidae)

A bibliografia básica já mencionada aponta a ocorrência desta espécie no nordeste Mato Grosso, Pará e Maranhão, em lugares rochosos de floresta e savana arenosa. Geraldo T. de Mattos (com. pessoal) encontrou-a no rio Jequitinhonha, divisa de Minas Gerais e Bahia, coordenadas 16º 00’ S, 40º 00’ W (ecossistema de Zona de Floresta).

 

16. Taperuçu-de-coleira-branca - Streptoprocne zonaris (Apodidae)

Assinalado para todo o Brasil, "mas faltando em certos trechos"(Sick, 1985). De Schauensee (1970) o registra no noroeste da Amazônia, Roraima e Mato Grosso e, no leste, de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul. Pinto (1978) pouco difere, acrescentando o Rio de Janeiro. Registrado em Correntina, num ponto a cerca de 13º 45’ S, 45º 36’ W (Bianca Reinert, comunicação pessoal; ver nota no item 9). Zona de Cerrado.

 

17. Andorinhão-velho - Cypseloides senex (Apodidae)

Andorinhão encontrado do sul da Amazônia à Argentina, pelo "Brasil central e este-meridional" (Pinto, 1978). Registrado por nós em seu ambiente mais costumeiro, junto a grandes quedas d’água, em fevereiro de 1995 na cachoeira de Pancada Grande, município de Ituberá (13º 65’ S, 39º 75’ W ), Zona de Floresta, e em novembro de 1996 na cachoeira de Acaba-vida, município de Barreiras (11º 77’ S, 45º 45’ W), Zona de Cerrado.

 

18. Beija-flor-grande-do-mato - Ramphodon naevius (Trochilidae)

Espécie florestal assinalada do Sul do país até ao Espírito Santo, e "possivelmente Goiás" (de Schauensee, 1970). Encontrado por Ney Carnevalli (com. pessoal) em 1983, em Valença (13º 33’ S, 39º 08’W), Zona de Floresta.

 

19. Beija-flor-papo-de-fogo - Clytolaema rubricauda (Trochilidae)

Goiás e Espírito Santo são as áreas mais ao norte, na bibliografia básica, desta espécie de florestas e culturas. Vista por Ney Carnevalli (com. pessoal) em 1983 em Valença (13º 33’ S, 39º 08’ W), Zona de Floresta.

 

20. Tucano-de-bico-verde - Ramphastos dicolorus (Ramphastidae)

Espécie florestal registrada na bibliografia básica até ao Espírito Santo e sudeste de Goiás. Encontrada (Geraldo T. de Mattos, com. pessoal), porém, em Encruzilhada (15º 50 S, 40º 77’W), "entre 1969 e 1977"; por nós, em fevereiro de 1995, em Ituberá (13º 65’ S, 39º 75’ W ), a 600 metros de altitude, Zona de Floresta, e em 1998 (Elbano de F. Moraes, comunicação pessoal) em Elísio Medrado (13º S, 39º 45’ O), em altitudes superiores àquela, Zona de Floresta.

 

21. Pica-pau-anão-barrado - Picumnus cirratus (Picidae)

Esta espécie é registrada por Sick (op. cit.) na baixa Amazônia e sudeste brasileiro e por Pinto (1978) em área assemelhada; somente de Schauensee (1970) inclui a Bahia em sua distribuição, repetindo o que fez constar em outra obra sua (The Species of Birds of South America and their Distribution, de 1966) com um questionamento. Registramos este pica-pau anão pela sua vocalização em Camaçari (12º 65’ S, 38º 29’ W), em janeiro de 1992, ambiente de restinga arbórea, e no município de São Gonçalo dos Campos (12º 29’ S, 36º 82’ W), em 1997, Zona de Floresta.

 

22. Pica-pau-chorão - Dendrocopus mixtus (Picidae)

Não constante para a Bahia na bibliografia básica (obras já mencionadas), foi registrado em Correntina, num ponto a cerca de 13º 45’ S, 45º 36’ W (Bianca Reinert, comunicação pessoal; ver nota no item 9). Zona de Cerrado.

 

23. Picapauzinho-de-testa-pintada - Veniliornis maculifrons (Picidae)

Sick (1985), de Schauensee (1970) e Pinto (1978) são unânimes em darem o Espírito Santo como limite norte para esta espécie de matas, tanto serranas como de baixadas. A mesma foi encontrada em Cândido Sales (Geraldo T. de Mattos, comunicação pessoal), em Zona de Floresta (15º 45’ S, 41º 20’ W).

 

24. João-teneném - Synallaxis spixi (Furnaridae)

O autor que dá a essa conhecida espécie de matagais abertos o limite de distribuição mais setentrional é Sick (1985), que aponta o Espírito Santo e o leste de Minas Gerais. Encontramos o João-teneném em Palmeiras (12º 50’S, 41º 50’W) em abril de 1994 e, depois, em outros lugares e ocasiões, na Bahia. Gonzaga et alii (1995) parecem considerar o registro desta espécie por Forrester, em 1993, no seu livro "Birding Brazil: a check-list and site-guide", como o primeiro feito na Bahia que recebeu publicação.

 

25. Limpa-folha-ferrugem - Phylidor dimidiatus (Furnariidae)

Assinalada até ao oeste de Minas Gerais e sul de Goiás, na bibliografia básica. Foi registrado em Correntina, num ponto a cerca de 13º 45’ S, 45º 36’ W (Bianca Reinert, comunicação pessoal; ver nota no item 9). Zona de Cerrado.

 

26. Matracão - Batara cinerea (Formicariidae)

Espécie que vem do Sul até ao Espírito Santo (Sick, 1985), restrita às montanhas na parte mais setentrional de sua distribuição. Foi encontrada (Geraldo T. de Mattos, comunicação pessoal) em Encruzilhada (15º 50 S, 40º 77’W), "entre 1969 e 1977"; registrado por Pedro Lima (comunicação pessoal) já antes de 1991, em Santo Antônio de Jesus (39º 16’ S, 13º 00’ W), município cujas maiores altitudes não alcançam 250 metros.

 

27. Chororozinho-de-bico-comprido - Herpsilochmus longirostris (Formicariidae)

A distribuição apontada na bibliografia básica, no Planalto Central (além de estados sulinos), é complementada de forma coerente pelo registro feito por Bianca Reinert em Correntina, num ponto a cerca de 13º 45’ S, 45º 36’ W (comunicação pessoal; ver nota no item 9). Zona de Cerrado.

 

28. Choquinha-de-dorso-vermelho - Drymophila ochropyga (Formicariidae)

Sick (1985) é o único autor, entre os da bibliografia básica, que estende a área de ocorrência deste espécie até ao Espírito Santo. É ave de florestas serranas, e foi encontrado por Geraldo T. de Mattos (comunicação pessoal) em Encruzilhada (15º 50’ S, 40º 77’W), Zona de Floresta.

 

29. Cricró-da-serra - Lipaugus lanioides (Cotingidae)

Espécie florestal registrada só até ao Espírito Santo, na bibliografia básica. Tido como substituto meridional de L. vociferans, com exclusão simpátrica na maior parte de suas áreas de distribuição (Sick, 1993). John W. Wall, em comunicação pessoal, informou-nos ter visto e ouvido esta espécie na floresta pluvial a leste de Boa Nova, em outubro de 1994; Ian Walker (com. pessoal) fez o mesmo registro, em 1998, em Camamu (14º 00’ S, 39º 00’W), informando ter encontrado essas duas espécies na mesma mata, com L. lanioides ocupando estratos mais baixos (até 10 metros). Gonzaga et alii (vide bibliografia) foram os primeiros a publicar, em 1995, registro baiano desta espécie em campo

 

30. Tangarazinho - Ilicura militaris (Pipridae)

Mais uma vez, trata-se de espécie florestal registrada só até ao Espírito Santo pela bibilografia que tomamos como básica. Encontrada (Geraldo T. de Matos, comunicação pessoal) no rio Jequitinhonha, divisa de Minas Gerais e Bahia (16º 00’S, 40º 00’W), ecossitema de Zona de Florestas.

 

31. Maria-preta-de-garganta-vermelha - Knipolegus nigerrimus (Tyrannidae)

Espécie migratória que é encontrada entre a mata e o campo nas montanhas, geralmente acima de 1.800 metros de altitude. Sick (1985), autor mais atualizado da bibliografia básica, registra-a do Sul até ao Espírito Santos. Foi vista em Lençóis (12º 54’ S, 41º 36’W ) em 1989 por Paulo Sérgio Fonseca (comunicação pessoal); Zona de Cerrado, com elevações montanhosas. Há registro posterior com documentação fotográfica, na mesma área.

 

32. Tesoura-cinzenta - Muscipipra vetula (Tyrannidae)

A bibliografia básica registra esta espécie de regiões montanhosas até ao Espírito Santo. Geraldo T. de Mattos (comunicação pessoal) encontrou-a, "entre 1969 e 1977’, em Divisa Alegre (16º 00’S, 40º 00’W); Zona de Florestas. John W. Wall (com. pessoal) registrou-a em campos perto de floresta pluvial a leste de Boa Nova, em outubro de 1994.

 

33. Ferreirinho-de-cara-amarela - Todirostrum plumbeiceps (Tyrannidae)

Apontada para o Sudeste, e de Mato Grosso ao Rio Grande do Sul (Pinto, 1978; Sick, 1985; de Schauensee, 1970. Olrog (1984) traz um mapa em que a área de distribuição desta espécie se estende até à Bahia. Registrada em Boa Nova (14º 35’ S, 40º 18’W), Zona de Caatinga (Planalto Conquistense), e em Lençóis, Zona de Cerrado (12º 54’ S, 41º 36’ W), na Chapada Diamantina, por Paulo Sérgio da Fonseca em 1989 (com. pessoal).

 

34. Maria-do-campo - Culicivora caudacuta (Tyrannidae)

Na bibliografia que tomamos como básica, somente Sick (1985), autor mais atualizado, estende a área de ocorrência desta espécie campestre mais para norte, até Goiás; os outros autores só registram os estados do Meio-Sul e Mato Grosso. Foi registrada, porém, no município de Correntina, num ponto a cerca de 13º 45’ S, 45º 36’ W (Bianca Reinert, comunicação pessoal; ver nota no item 9). Zona de Cerrado.

 

35. Suiriri-do-Sul - Suiriri suiriri (Tyrannidae)

Ocorre, segundo a bibliografia básica, do Sul até Minas Gerais e Mato Grosso, embora seja um pouco confuso o que de Schauensee (1970) afirma sobre sua distribuição amazônica. Esta espécie foi registrada no município de Correntina, onde também foi registrada Suiriri affinis, num ponto a cerca de 13º 45’ S, 45º 36’ W (Bianca Reinert, comunicação pessoal; ver nota no item 9). Zona de Cerrado.

 

36. Abre-asa-de-cabeça-cinza - Mionectes rufiventris (Tyrannidae)

Registrado, na bibliografia básica, do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul. João Cláudio Araújo e Daniela Falcão (comunicação pessoal) capturaram em rede um indivíduo durante levantamento em uma pequena reserva florestal no município de Simões Filho, divisa com o município de Salvador, em 1994.

 

37. Andorinha-de-testa-branca - Tachycineta leucorrhoa (Hirundinidae)

Outra vez, Sick (1985) é quem traz esta espécie mais ao norte (Espírito Santo). Encontramo-la em junho de 1992 na zona urbana de Salvador (antes - 1990 - encontramos esta espécie ainda mais ao norte, na divisa de Sergipe com Alagoas, às margens do rio São Francisco) e, depois, em outros sítios da Bahia, parecendo comum.

 

38. Andorinha-morena - Alopochelidon fucata (Hirundinidae)

Ocorre do Sul até a Minas Gerais e Oeste e migra para o Norte, segundo a bibliografia básica. Registrada no município de Correntina, num ponto a cerca de 13º 45’ S, 45º 36’ W (Bianca Reinert, comunicação pessoal; ver nota no item 9). Zona de Cerrado.

 

39. Sabiá-ferreiro - Turdus nigriceps (Turdidae)

Sick (1985) diz que esta espécie habita "pinhais, florestas nas encostas de serras" etc, do Sul até Rio e Minas Gerais; de Schauensee (1970) aponta sua área como indo de Goiás ao Paraná, em florestas; Pinto (1944), que o traz como T. subalaris, fala em Mato Grosso, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul. Encontrado no município de Correntina, num ponto a cerca de 13º 45’ S, 45º 36’ W (Bianca Reinert, com. pessoal; ver nota no item 9). Zona de Cerrado.

 

40. Vite-vite - Hylophilus thoracicus (Vireonidae)

Espécie de mata, restinga e beira de mata. Distribuição disjunta, com a raça típica ocorrendo, segundo a bibliografia básica consultada, no Sudeste brasileiro, e a raça griseiventris na Amazônia. O Espírito Santo é o limite norte de sua distribuição, segundo Sick (1985) e Pinto (1944). Foi vista (a raça típica) por nós em Lençóis (12º 54’ S, 41º 36’ W), em 1989, na beira de mata. Zona de Cerrado.

 

41. Carretão - Agelaius cyanopus (Emberizidae)

Sick (1985) diz que a área de distribuição desta espécie vem até a Minas Gerais e Rio de Janeiro; Pinto (1944) fala em Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro, passando a Maranhão e baixo Amazonas; de Schausensee (1970) fala em Amapá, noroeste do Maranhão, região costeira do Rio de Janeiro e bacia do rio Paraná. Foi vista por nós nos Marimbus, município de Lençóis (12º 54’ S, 41º 36’ W), em um alagado, em abril de 1994; nessa área, há registros seus posteriores. Embora seja preciso pesquisar mais o assunto, esses registros fortalecem os indícios de que o maciço montanhoso da Chapada Diamatina pode se constituir em um corredor de avifauna no sentido sul-norte, como já o podem indicar a distribuição do emberizídeo Embernagra longicauda e a do gênero Augastes (Troquilídeos), além dos registros, feitos em Lençóis, do emberizídeo Ramphocelus bresilius.

 

42. Pula-pula-pichito - Basileuterus hypoleucus (Emberizidae)

Ocorrendo no Brasil central e meridional (bibliografia básica). Registrado no município de Correntina num ponto a cerca de 13º 45’ S, 45º 36’ W (Bianca Reinert, comunicação pessoal; ver nota no item 9). Zona de Cerrado.

 

43. Cabecinha-castanha - Pyrrhocoma ruficeps (Emberizidae)

Mais uma espécie cujo limite setentrional de distribuição é dado como sendo o Espírito Santo, na bibliografia básica. Foi visto por Osmar Borges (com. pessoal) em Elísio Medrado (13º S, 39º 45’ W), a cerca de 600 metros de altitude; ecossistema de Zona de Floresta.

 

44. Pichochó - Sporophila frontalis (Emberizidae)

Sick (1985) e de Schauensee (1970) levam esta espécie até ao Espírito Santo, onde habita o interior de mata espessa, taquarais e "shrubbery". Sabe-se (Sick, 1985) que o Pichochó desaparece sazonalmente, desconhecendo-se para que regiões se dirige. Encontramos um indivíduo desta espécie em cativeiro, o qual teria sido capturado em Feira de Santana, ouvindo de um popular que a mesma ali era comum "durante o verão"; vimos outro indivíduo (isolado) na zona urbana dessa cidade, o qual, pelas circunstâncias, poderia ser fugitivo de cativeiro.

 

45. Caboclinho-de-papo-branco - Sporophila palustris (Emberizidae)

Parece-nos pouco conhecido. Sick (1985) dá-o como "raro", registrando-o no alto rio São Francisco, em banhados e capinzais. Os outros autores da bibliografia básica só falam no Rio Grande do Sul. Naquele rio, na divisa de Minas Gerais e Bahia (14º 29’S, 43º 30’W), foi registrado por Geraldo T. de Mattos (com. pessoal); Zona de Caatinga.

 

46. Caboclinho-do-Amazonas - Sporophila castaneiventris (Emberizidae)

A espécie seria amazônica, conforme de Schauensee (1970) e Pinto (1944). Sick (1985), porém, acrescenta sua ocorrência em Pirapora, Minas Gerais, e Geraldo T. de Mattos (com. pessoal) a registrou em Carinhanha (14º 29’S, 43º 30’W), também às margens daquele rio; Zona de Caatinga.

 

47. Canarinho-rasteiro - Sicalis citrina (Emberizidae)

Sick (1985) diz ser esta uma espécie do cerrado aberto e campos limpos, do sul do Pará, Goiás e Piauí até ao Paraná, distribuição coerente com a apontada pelos outros autores da bibliografia básica. Encontrado em Lençóis (12º 54’ S, 41º 36’ W), Zona de Cerrado, em 1989, por Paulo Sérgio da Fonseca (comunicação pessoal).

 

Bibliografia citada

 

Antas, P. T. Z. et alii. Lista das Aves da Fazenda Jatobá, Correntina, BA. III Cong. Bras. de Ornit., Resumos, 1993. Brasil. Fundação IBGE. 1993. Zoneamento Ecológico da Região Nordeste (Relatório não-publicado). Banco de Dados Nacional de Recursos Naturais e Meio Ambiente - MENAC / IBGE. Salvador.

de Schauensee, R. M. A Guide to the Birds of South America. Philadelphia. Acad. Nat. Sciences, 1970.

Gonzaga, L. A. P. et alii. An avifaunal survey of the vanishing montane Atlantic Forest of southern Bahia, Brazil. Bird Conservation International, 1995.

Harrison, P. Seabirds, an Identification Guide. Londres, Cristopher Helm, 1985, reimpressão em 1989.

Hengeveld, R. Dynamics of Biological Invasions. Londres/Nova Iorque, Chapman and Hall, 1989.

Olrog, C. Ch. Las Aves Argentinas. Buenos Aires, Administración de Parques Nacionales, 1984.

Pinto. O. M. O. Catálogo das Aves do Brasil 2a. parte. São Paulo, 1944.

-- Novo Catálogo das Aves do Brasil I. São Paulo, 1978.

Sick, H. Ornitologia Brasileira, Uma Introdução. Ed. Universidade de Brasília, 1985, 2 vols.

-- Ornitologia Brasileira, Uma Introdução, 2a. edição.Ed. Nova Fronteira, Rio, 1997.

Souza, D. G. S. Lista das Aves do Estado da Bahia. Feira de Santana, edição do autor, 1991.

-- & M. A. de Freitas. Reprodução da Garça-vaqueira (Bubulcus ibis) no semiárido da Bahia. VI Congresso Brasileiro de Ornitologia, Resumos, 1997.

Vooren, C. M. & A. C. Fernandes. Guia de Albatrozes e Petréis do Sul do Brasil. Porto Alegre, Sagra, 1989.

 

ANOR - Articulação Nordestina de Ornitologia - Caixa postal 1506, 44051-000 Feira de Santana, BA. (Apresentado no IV Congresso Brasileiro de Ornitologia,1994, agora publicado na integra, com acréscimos e correções)

 

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Última modificação (
Last modified): 05 março, 2014