N.89 - Maio/Junho (May/June) de 1999

 

Avifauna de importância cinegética encontrada no comércio ilegal de Feira de Santana, Bahia, Brasil

Marco Antonio de Freitas, Marialvo Barreto – Feira de Santana-BA

O tráfico de animais silvestres no Brasil é uma realidade caótica que tem como resultado o empobrecimento da fauna, desequilíbrios ambientais e a marginalização de um seguimento da sociedade que busca, através desse meio, uma forma de sobrevivência. No Nordeste a situação é mais grave por questões climáticas e sócio-econômicas, refletindo-se a captura e venda de animais silvestres como mais uma alternativa de sobrevivência da população rural, onde os animais são postos em comércio ilícito nas feiras livres da região e margens de rodovias.

No estado da Bahia foram encontradas no comércio ilegal, durante um levantamento de dez anos, 126 espécies de vertebrados terrestres e alados, sendo que 90 delas eram constituídas de aves (Freitas, 1998, resumos XXII C. B. de Zoológicos e IV Encontro Internacional de Zoológicos).

Em Feira de Santana foram levantados nos dias 8, 15, 22 e 29 de junho de 1998, na sua principal Feira livre (Central de Abastecimentos), as espécies silvestres que eram encontradas no comércio, e foram separadas em duas categorias: ornamental (animais vivos) e caças (animais mortos e defumados). No total foram encontrados 2.117 indivíduos de 4 classes: Anfibia, Reptilia, Aves e Mammalia . Desse total 1.794 indivíduos eram constituídos pela classe Aves, representando 84,7%, ficando os 25,3% restantes representados pelas outras classes com um total de 323 indivíduos.

Foram encontradas no comércio 48 espécies de 10 famílias, Tinamidae, Anatidae, Cracidae, Cariamidae, Columbidae, Psitacidae, Cotingidae, Corvidae, Muscicapidae e Emberezidae. Do total de espécies encontradas se destacaram 3 famílias pela quantidade e variedade na categoria ornamental: Emberezidae, com 1.101 indivíduos, Psitacidae, com 131 indivíduos e Columbidae com 68 indivíduos. Na categoria caça se destacaram as famílias: Tinamidae com 309 indivíduos e Columbidae com 76 indivíduos.

Com esses dados pode-se avaliar que a classe que possui a maior pressão cinegética é a das aves, talvez devido a abundância de determinadas populações, e porque para ornamentação seja um grupo mais valorizado pelas belas plumagens: Psitacidae; pelo

canto Emberezidae, e para a alimentação Tinamidae e Columbidae que, pelo porte e

abundância, justificaria um índice maior no comércio.

Das 48 espécies encontradas no comércio, apenas 7 são consideradas aves tipicamente de ambiente florestal, (SICK,1997): Euphonia sp, Thraupis sayaca, Icterus cayennensis, Cacicus cela, Aratinga aurea, Pionus sp, e Procnias nudicollis. O que confirma a forte ligação do tráfico voltado para espécies do semi-árido no Estado da Bahia.

Cinco espécies são endêmicas do semi-árido, Carduelis yarrellii, Sporophila albogularis, Aratinga cactorun, Paroaria dominicana e Columbina picui. (SOUZA e BORGES, 1998). Foram encontradas duas espécies ameaçadas de extinção (IBAMA,1989), Carduelis yarrellii e Crypturelus noctivagus.

Para solucionar esses graves problemas que põem em risco a rica fauna da Caatinga, seria essencial que órgãos de meio ambiente atuassem de maneira mais séria e eficaz, promovendo alternativas para as pessoas envolvidas nesse tráfico e alertar a população através de campanhas educativas para não comprarem animais silvestres, evitando assim o incentivo.

Referências

SOUZA, D. e BORGES, O (1998) Todas as Aves do Brasil, Guia de campo para

Identificação. ED, DALL. Feira de Santana BA.

SICK, H. (1997) Ornitologia Brasileira uma Introdução, ed. melhoramentos.

IBAMA (1989) Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de extinção.

ROCHA, M.F (1995) WWF, TRAFIC, Tráfico de Animais silvestres no Brasil, Documento para discussão. WWF, Brasília DF.

 

DCHF( Departamento de Ciências Humanas e Filosofia) Universidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana, BA Sapirang @ lognet.com.br

 

 

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Última modificação (
Last modified): 09 março, 2014