N.89 - Maio/Junho (May/June) de 1999

 

Entrevista com Prof. Edwin O. Willis e Yoshika Oniki

Cinco anos depois de uma entrevista para o AO (n.60, páginas 8 e 9), o casal Willis visita nossa redação (maio de 99), revela alguns planos e projetos e fala sobre perspectivas da ornitologia brasileira.

AO: Como tem sido a atuação de vocês na área da divulgação e produção de trabalhos científicos?

Willis/Oniki: Nosso objetivo primordial é o trabalho de campo com o incentivo aos jovens pesquisadores que, felizmente, têm se multiplicado no Brasil depois dos anos 70. Este ano comemoramos 50 anos do primeiro trabalho científico publicado (Dr. Willis). A primeira publicação em conjunto foi feita em 1972 e nestes 27 anos publicamos muitos trabalhos juntos. Durante algum tempo nossas publicações eram preferentemente em inglês. Atualmente preferimos, para maior difusão entre nossos ornitólogos, apresentar uma parte delas em português e em revistas brasileiras.

AO: Quais são os projetos atuais?

Willis/Oniki: Desde 1965 temos coletado muitas informações sobre as aves brasileiras e efetivamos algumas publicações. Porém atualmente estamos dedicando boa parte do nosso tempo à finalização de alguns projetos que se arrastam há muitos anos. Um deles é o livro das Aves de São Paulo. Recentemente já foi concluída a parte iconográfica, realizada pelo artista Tomas Sigrist. Ele pintou 84 pranchas em cores representando quase a totalidade das 767 espécies do estado. O texto dessa obra já está em fase de revisão final e esperamos uma breve publicação. Agora mesmo, vindo para Ivaiporã, pudemos checar algumas localidades visitadas por Natterer no século passado (1820). Ninguém sabia exatamente onde ficavam aqueles locais. Foi preciso visitar as fazendas, cidades antigas (Itapeva Velha) fazendo levantamentos históricos e determinando com precisão onde as aves foram encontradas e coletadas por aquele naturalista austríaco. Estas novas informações são incorporadas ao texto que, assim, sempre vai recebendo retoques até sua publicação.

Outro que está praticamente pronto é livro de Bibliografia das Aves Brasileiras. Ao contrário daquele, este livro tem a maior dedicação da Dra. Oniki, que a cada dia amplia o número das referências sobre os trabalhos ornitológicos do país. Continuamente ela tem recebido separatas e outras informações de autores brasileiros e estrangeiros. Semelhantemente, o texto sofre acréscimos diários e tem incluído teses e resumos de trabalhos apresentados em congressos. A referência mais antiga data da época do descobrimento do Brasil.

Outro projeto, que teve início de 1989, aborda a marcação e anilhamento dos beija-flores do sudeste brasileiro, com treinamento em técnicas de observação de aves no campo, com captura e uso de anilhas, para alunos de várias universidades brasileiras e estrangeiras. Até o momento já foram anilhados cerca de 6.500 beija-flores e espera-se obter mais dados sobre biologia, longevidade e movimentação das espécies. As anilhas são cadastradas pela CEMAVE. Como são bem pequenas, não permitem a inserção dos clássicos avisos para quem acha em um exemplar morto ou capturado por outros pesquisadores. Assim, para quem localize uma daquelas anilhas há a recomendação de imediata comunicação àquele órgão federal (Cemave – Caixa Postal 04/034 - 70312-970 Brasília-DF). Paralelamente a este estudo dos beija-flores uma outra pesquisa teve inicio pela Dra. Oniki relativa a ectoparasitas que estão sendo coletados. O trabalho, inédito, aborda o estudo dos Phthiraptera, piolhos conhecidos antigamente como malófagos. E, contando também com a colaboração dos passarinheiros, ela tem coletado penas de muitos pássaros para estudo dessas espécies. Neste mês de maio ela segue para Polônia e, no Congresso de Parasitologia, apresentará uma parte do trabalho. Também irá a Alemanha onde discutirá com especialistas daquele país seu projeto.

AO: Quais as perspectivas da nossa ornitologia?

Willis/Oniki: A ampliação do número de publicações especializadas nestes últimos anos, o aumento da quantidade de biólogos, de ornitólogos treinados que projetam mais pesquisa de campo, o crescimento do ensino básico e especializado etc. mostram aspectos positivos para a nossa ornitologia. Mesmo o crescente desenvolvimento do turismo ecológico pode incentivar a criação de novas reservas e hábitats preservados. Contudo deve-se ter muito cuidado para que o turismo intensivo, sem uma atenção necessária, torne-se uma atividade que prejudique e descaracterize os ambientes. Precisamos incentivar a preservação das matas, dos campos do interior. Um exemplo é a Reserva de Paulo de Faria. Há 3 anos pudemos notar que nessa única reserva da mata seca do estado de São Paulo não havia guardas e os fazendeiros em volta é quem cuidavam daquela importante área. Precisamos mais cuidado e ter mais reservas bem protegidas ali em em todo o Brasil.

 

 

 

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Última modificação (
Last modified): 09 março, 2014