N.89 - Maio/Junho (May/June) de 1999

 

Gustavo Banhara Marigo

Apresentação de um jovem artista por um pai coruja

Até os 6 anos de idade, os desenhos do jovem artista Gustavo Banhara Marigo eram motivo de uma certa preocupação para seus pais. Aqueles rabiscos eram, realmente, apenas rabiscos. As árvores, casas, nuvens e sol que outras crianças esboçavam com muita graça, Gustavo não desenhava. Seus desenhos eram riscos toscos, garranchos e outras atrocidades. Quando tinha 7 anos, o guri sentou-se ao meu lado munido de lápis e papel e começou a fazer o meu retrato. Quando vi o resultado, quase caí da rede! O desenho era uma caricatura espirituosa, detalhada, com traço preciso e incrível verossimilhança. E assim, quase num milagre, Gustavo tornou-se um desenhista!

Apaixonado pela natureza desde pequenino, voltou-se para o desenho de borboletas, plantas e aves. Detalhista e também perfeccionista (puxou a mãe neste aspecto), luta com uma autocrítica muito severa que impede uma produção maior. Quando AO solicitou suas ilustrações para esta edição, sem qualquer aviso prévio, pensei que Gustavo recusaria a gentil oferta, pois todas os seus desenhos de aves são apenas estudos– alguns até incompletos – para o estudo de técnica, de composição e como preparativos para pranchas maiores e mais bem elaboradas. Mas, a expectativa de ver seus desenhos numa publicação compensou toda a vergonha de ver os rabiscos atuais tornados públicos.

Deixemos Gustavo explicar seus métodos de trabalho e principais influências: "Para mim, é muito importante a observação de aves na natureza, para saber como se comportam, como seguram nos galhos, o que comem e como comem e que tipo de ambiente utilizam. Por outro lado, muitos amigos de meus pais, biólogos, artistas e observadores de aves me deram dicas e orientações muito úteis." A necessidade da observação direta Gustavo aprendeu com a amiga Jenevora Searight em muitas excursões de campo, mas outros amigos também o influenciaram: o desenhista Ivan Wasth Rodrigues ensinou-lhe composição, perspectiva e a apreciar os grandes mestres da pintura. O Prof. Luiz Soledade Otero transmitiu diversas noções de estética. Em casa, com pai fotógrafo e mãe desenhista gráfica, as discussões sobre luz, composição, a atitude dos animais e a atmosfera geral da cena durante a projeção de meus slides, despertaram a atenção de Gustavo para estes valores estéticos.

Com Jenevora, aprendeu também a esboçar rapidamente as aves durante observações na natureza e a anotar suas cores em diversas situações de luz. Ainda com a amiga inglesa aprendeu a desenvolver composições mais elaboradas a partir das anotações de campo. Às vezes utiliza fotografias, como referência apenas, mas sempre a partir de seu próprio trabalho ou com a autorização dos fotógrafos. Entre os estudos aqui publicados, as ilustrações da ararinha-azul e da arara-vermelha-grande são baseadas em fotos minhas. As ilustrações do gavião-de-penacho, em fotos do amigo e biólogo Marco Antônio Andrade.

Hoje, com 17 anos, num ano de estudos intensos para o vestibular, Gustavo não tem tido tempo de se dedicar ao desenho. Isto é um motivo de certa frustração, mas ele sabe que isto deve ficar para o próximo milênio... Quem sabe, após o ano 2000 ele poderá apresentar outras ilustrações mais bem acabadas?

Luiz Claudio Marigo

Na seqüência: Ara chloroptera, Baillonius bailloni, Propyrrhura maracana, esboços de Spizaetus ornatus,Trogon viridis, Ara macao, Cyanopsitta spixii, Aratinga guarouba, Spizaetus ornatus, Pyrrhura frontalis, e filhote de Spizaetus ornatus

 

 

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Última modificação (
Last modified): 09 março, 2014