ISSN 0104-2386

N.96 - Julho/Agosto (July/August) de 2000

 

Utilização da macambira, Bromelia laciniosa (Bromeliaceae) como item alimentar, por Aratinga cactorum Aves - Psittacidae)

Marcos Pérsio Dantas Santos - Belém -PA.

O periquito da caatinga Aratinga cactorum, é uma das mais comuns e mais características aves do Nordeste brasileiro, sendo apontado como um dos endemismos da caatinga (Cracraft, 1985; Sick, 1997). Sua área de ocorrência abrange o nordeste brasileiro, desde o Piauí, Ceará, Pernambuco até o norte de Minas Gerais (Meyer de Schauensee, 1970). É uma espécie gregária, a qual vive em bandos que variam de 4 a 30 indivíduos. Apesar de ser comum em toda sua área de ocorrência, a uma das espécies de Psitacídeos menos estudada, e seus hábitos e biologia ainda não são bem conhecidos. Desta forma este trabalho vem registrar a utilização de Bromelia laciniosa, como item alimentar por Aratinga cactorum, em área de caatinga no sul do estado do Piauí.

No período de 25/05/2000 a 01/06/2000 no município de Parnaguá (10° 12' 77" S 44° 44' 26" W) estado do Piauí, registrou-se freqüentemente bandos de 20 a 30 indivíduos reunindo-se para forragear na face dorsal da folha da macambira. Como a macambira é uma bromélia terrestre com aproximadamente 60 a 80 cm de comprimento (Corrêa, 1984), A. cactorum é obrigada a forragear junto ao solo pousada na própria folha espinhosa de B. laciniosa, ficando outros elementos do grupo na copa de árvores próximas alertando contra eventuais predadores.

O uso de Bromeliáceas por A. cactorum é um fato singular, apontando como uma das adaptações desta espécie para sobreviver em ambientes de extrema carência hídrica, já que as bromeliáceas não apresentam caducifolia como grande parte da flora da caatinga nordestina, conservando água e conseqüentemente tornando-se uma importante fonte na alimentação deste psitacídeo. Na área, estão presentes ainda A. aurea, Brotogeris versicolurus, Forpus xanthopterygius e nenhuma delas foi observada utilizando este recurso alimentar.

Possivelmente isto esteja relacionado com a ampla distribuição geográfica destas espécies não havendo uma correlação específica na adaptação a determinados ambientes.

Tais espécies são tidas como típicas predadoras de sementes e frugívoras (Moojen et al.,1941; Schubart et al., 1965; Sick, 1997).

 

BIBLIOGRAFIA

CORREA, M. P. 1984. Dicionário das Plantas úteis do Brasil a das exóticas cultivadas. Vol. V, Rio de Janeiro.

CRACRAFT, J. 1985. Historical biogeography and patterns of differentiation within the South American avifauna: areas of endemism. Ornith. Monogr. 36: 49-84.

MEYER de SCHAUENSEE, R. 1970. A guide to the birds of South America. Wynnewood: Livingston.

MOOJEN, J. ; CARVALHO, J. C. M. & LOPES, H. S. 1941. Observações sobre o conteúdo gástrico das aves brasileiras. Mem. Inst. Oswaldo Cruz 36(3):405-444.

SCHUBART, O.; AGUIRRE, A. C. & SICK, H. 1965. Contribuição para o conhecimento da alimentação das aves brasileiras. Arq. Zool. S. Paulo. 12:95-249.

SICK, H. 1997. Ornitologia Brasileira. Edição revista a ampliada por J. F. Pacheco. Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, RJ.

 

Pós-Graduação Museu Paraense Emilio Goeldi. persio@museu-moeldi.br

 

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