ISSN 0104-2386

N.96 - Julho/Agosto (July/August) de 2000

 

Filogenia Molecular e Evolução em Cracidae (Aves)

Sérgio Luiz Pereira

RESUMO - Tese de Doutorado

A família Cracidae é um dos grupos de aves mais ameaçados do continente americano e as relações filogenéticas de seus gêneros não são totalmente compreendidas. Inúmeros problemas taxomômicos existem na definição de espécies e subespécies. Para resolver parte destes problemas, estabelecemos as relações filogenéticas entre os onze gêneros (Aburria, Chamaepetes, Crax, Mitu, Nothocrax, Oreophasis, Ortalis, Pauxi, Penelope, Penelopina, Pipile) que compreendem a família Cracidae baseadas em 4.519 pares de bases de seis genes mitocondriais (12S e 16S rDNA, COI, COII, COIII e cyt b).

Nossas análises demostraram que os cracídeos se separam em dois grupos correspondente às subfamília Cracinae e Penelopinae. Entre os membros da subfamília Cracinae, as relações foram (((Crax, Nothocrax), Pauxi), Mitu) e entre os Penelopinae, ((((((Aburria,Pipile), Penelope), Chamaepetes), Penelopina), Ortalis), Oreophasis). Uma vez que as seqüências estudadas mostraram taxa de evolução constante entre as espécies analisadas, pudemos estimar os tempos de divergências entre os gêneros. A origem da família foi datada em cerca de 75,5 milhões de anos atrás e os gêneros se diversificaram nos últimos 33 milhões de anos. Dados sobre eventos da história da Terra são relacionados com a diversificação da Família. Nossos resultados também mostraram que a família Megapodiidae, atualmente encontrada apenas na região australiana, é grupo-irmão dos cracídeos, e a exclusão destas duas famílias dos Galliformes como sugerido por outros dados moleculares não foi apoiada.

Averiguamos ainda se o domínio I da região controladora do DNA mitocondrial (CR-I) de Cracidae seria útil para estabelecer as relações filogenéticas intergenéricas. A região CR-I é amplamente usada em análises de relações entre níveis taxonômicos inferiores como espécies e populações e raramente em níveis taxonômicos acima de espécie. Nossos resultados mostraram que a região CR-I apresentou taxa de evolução semelhante aos genes cyt b e COI, considerados anteriormente como apresentando taxas mais lentas de evolução do que esta região. As análises realizadas com as seqüências do CR-I permitiram obter uma árvore com topologia muito semelhante à obtida com os seis genes mitocondriais analisados anteriormente para os gêneros de Cracidae quando um modelo evolutivo mais apropriado foi empregado nas reconstruções filogenéticas.

Seqüenciamos totalmente o gene da COII, um gene bastante conservado entre os metazoários devido ao fato de exercer uma função importante na cadeia respiratória. A análise dessas seqüências mostrou que o COII de cracídeos apresenta características similares às sequências de COII de outros metazoários. Alguns dos aminoácidos conservados entre diversos organismos já estudados até hoje também se mostraram conservados entre os cracídeos, porém alguns resíduos considerados conservados entre os metazoários se mostraram modificados em cracídeos, o que leva a sugerir que diferentes táxons possam atribuir a diferentes resíduos de aminoácidos as funções de centro ativo de ligação ao citocromo c e ao íon de cobre.

Molecular Phylogeny and Evolution of Cracidae (Aves)

Departamento de Biologia, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP - Orientadora: Profa. Dra. Anita Wajntal - 185 páginas

 

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Last modified): 09 março, 2014