ISSN 0104-2386

N.98 - Novembro/Dezembro (November/December) de 2000

 

Distribuição espacial, fenologia e polinização de Bromeliaceae na Mata Atlântica do alto da Serra de Paranapiacaba,SP

Caio Graco M. Santos -Campinas, SP

Foto Carlos Ravazzani

RESUMO

Este estudo investigou a distribuição espacial, a fenologia e os visitantes florais de dezesseis espécies de bromeliáceas pertencentes aos gêneros Tillandsia (3spp.), Vriesea (7 spp.), Aechmea (3 spp.), Billbergia (1 sp.) and Nidularium (2 spp.), em ambientes com estágios sucessionais diversos. Os dados de campo foram obtidos em uma área de mata atlântica no Parque Estadual Intervales, município de Ribeirão Grande, SP, Brasil. Foram estabelecidas transecções amostrais em diferentes estágios sucessionais, onde foi registrada a localização dos indivíduos nos estratos da vegetação e realizados censos mensais da fenologia de floração. Os visitantes florais foram registrados por observações naturalísticas. Os resultados indicam que a riqueza de espécies de bromélias é inversamente proporcional ao grau de perturbação da vegetação e que a altura de fixação no substrato é significativamente diferente entre as espécies, de acordo com o hábito e a tolerância à luminosidade. A comunidade de bromeliáceas apresentou um padrão de floração seqüencial ao longo do ano, com um maior número de espécies floridas na estação chuvosa. A maioria das espécies apresentou a síndrome da ornitofilia, ocorrendo também algumas espécies quiropterófilas e uma apresentando morfologia floral intermediária a estas duas síndromes. Oito espécies de beija-flores visitaram as flores das bromélias; Phaethornis eurynome e Thalurania glaucopis foram os visitantes mais freqüentes. Flores de 26 espécies pertencentes a outras famílias de plantas também foram visitadas por beija-flores e floresceram nas estações subseca e chuvosa com a mesma intensidade. A análise da similaridade dos visitantes florais (beija-flores) indicou a existência de dois conjuntos de espécies de bromélias: o primeiro polinizado principalmente por espécies da subfamília Trochilinae e outro por Phaethornis eurynome (subfamília Phaethorninae). A distribuição espacial diversa e sobretudo os diferentes picos de floração foram os principais fatores que minimizaram a competição por polinizadores entre as espécies de Bromeliaceae estudadas.

 

Tese (Doutorado) - Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Biologia;

Orientador: João Semir

 

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): 09 março, 2014