Alimentação animal dos pássaros

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© CHÁCARAS E QUINTAIS, 15 de fevereiro de 1938, Vol.57

Recebemos do Estado da Bahia, assinada pelo Sr. J.T.L, a seguinte cartinha:

"Sr. Editor, - Possuidor de grandes viveiros onde tenho numerosa variedade de pássaros estrangeiros e nacionais, aqueles criam com facilidade seus filhinhos, entretanto os nacionais devido à alimentação para os filhotes que observada é a de larvas, lagartas, insetos, vermes etc., que os pais põem diretamente nos bicos dos filhos em vez de vomitarem como fazem os estrangeiros, por isso torna-se mais difícil a criação pela escassez destas larvas etc.

Qual o meio de conseguir com abundância esta alimentação viva?

Sem outro motivo, aguardo em breve uma sugestão, e aqui estou a seu dispor".

RESPOSTA: - (Da Seção de Caça e Pesca do Departamento de Indústria Animal do Estado de S. Paulo):

"Dividem-se em duas categorias os primeiros estádios de vida de um pássaro recém nascido, como segue:

a) Precoces ou Nidífugos;

b) Tardios ou Nidícolas.

Os precoces, nascem de olhos abertos e podem entrar em atividade quase que imediatamente; sua alimentação, nos primeiros dias, não constitui preocupação séria para eles, visto como a reserva de corpos gordurosos que possuem internamente, na região abdominal, mantém perfeitamente bem a sua existência, durante um certo tempo, independentemente de qualquer alimento que venha do exterior. Tal é o caso, por exemplo, de representantes de Galináceos, Tinamídeos, Anseriformes, Lariformes etc.

Dividem-se em dois grupos os espécimens de desenvolvimento tardio ou nidícolas:

a) Nidícolas inferiores;

b) nidícolas superiores.

Os primeiros, em que estão incluídos representantes como Gaivotas, Procelárias, Albatrozes, Garças etc., possuem uma reserva de corpos gordurosos muito limitada, necessitando para a sua criação, de carinho materno, durante um tempo mais ou menos prolongado. Os segundos, em que figuram Columbídeos, Strigiformes, Alcyonídeos, Piciformes etc., todos os representantes dos chamados "bico redondo"(Psitacídeos) e os Passeriformes, nascem cegos e quase sempre nus. São alimentados pelos pais, durante um período mais ou menos longo, visto como as suas reservas esgotam-se de pronto. Dentre grande número de insetos que as aves apreciam, citaremos o "cupim"  (incluindo as formas aladas); as "formigas" (com especialidade as içás), as "moscas" (desde a doméstica, até as responsáveis pelo berne, pela bicheira etc.), as "lagartas" que dão origem a borboletas e mariposas; os "gafanhotos" e "esperanças", prejudiciais às plantações; os "percevejos do mato", os "carrapatos", os "pulgões" etc., etc., exemplares encontrados com relativa facilidade, entre nós. O Sr. consulente poderá conseguir abundância de alimentação viva, construindo um recipiente onde mantenha terra umedecida capaz de facultar uma grande criação de minhocas. Pode, também, criar vermes da ordem dos Oligochetas, sub-ordem dos Limícolas, que vivem enterrados no lodo das valas úmidas. Chamam-se Tubifex, vivem aglomerados, formando verdadeiras bolas, semelhante a um punhado de cabelos, finos de cor arroxeada e que poeriam bem. A construção de um insetário seria também uma solução para o caso, muito embora até certo ponto perigosa e sumamente complicada. Nas hortas, pomares e jardins, o interessado encontrará uma quantidade suficiente de aracnídeos, chilopodos e diplopodes (aranhas, pedipalpos, ácaros, piolhos de cobras), além de insetos, principalmente grilídeos ("paquinhas", "frades", "macacos"), sem falarmos nos himenópteros e coleópteros, geralmente abundantes e fáceis de serem capturados em qualquer parte. Recurso aconselhável seria também o aproveitamento de lagartas do "bicho da seda".

João de Paiva Carvalho

(Ortografia atualizada)

© CHÁCARAS E QUINTAIS, 15 de fevereiro de 1938, Vol.57


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