Para o criador de Canários

A GAIOLA

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© CHÁCARAS E QUINTAIS, 15 de março de 1936, Vol.53, pág. 332-333

Aspecto do criadeiro Santa Cecília do nosso amigo riograndense Sr. José Júlio P. da Silva, certamente o maior criador de canários do Brasil.

   

O criador de canários ao escolher gaiolas, deve em primeiro lugar ter em vista o conforto dos passarinhos, o que não deve ser sacrificado de modo algum pela beleza da instalação. Embora sejam bons todos os tipos de gaiolas existentes no mercado, todavia, serão preferíveis as quadradas, por oferecerem maior espaço livre para exercício do que uma redonda. Para um único canário, a gaiola nunca deve ter menos de 25 centímetros de comprimento, por 16 largura e 22 de altura. Daí para cima.

    Três poleiros são suficientes em uma gaiola comum. Pode-se colocar um de cada lado, à distância que não prejudique a descida do pássaro para comer e beber, ficando o terceiro ao meio dos outros dois e em plano mais elevado. Nas gaiolas maiores será bom colocar quatro poleiros, mas de modo a não prejudicar o passarinho em sua liberdade de movimentos. Os poleiros hão de ser suficientemente largos, a fim de que os dedos da avezinha possam agarrá-los bem e tomarem nele a forma circular. Quando demasiado pequenos, eles machucam os pés; se grandes demais, podem ocasionar deformidade dos dedos ou das unhas, principalmente em se tratando de filhotes. Os poleiros melhores são os de forma elíptica, horizontais.

    Quando se tenha de juntar casais, as GAIOLA-VIVEIROS precisam ser grandes e espaçosas. Uma autoridade sobre o assunto dá para os viveiros de criação 60 centímetros de comprimento, por 30 de largura e 40 de altura. Quando se tem de conservar grande número de gaiolas, então será útil fazê-las de caixotes, tendo a frente tela de arame; assim elas podem ser dispostas umas sobre as outras, ou arranjadas em séries de tábuas ao longo da parede. Todas devem estar providas de um estrado para areia, movível como gaveta, a fim de facilitar a limpeza. Para embarcar canários, as melhores gaiolas são aquelas pequeninas, em que eles vêm, quando os compramos no mercado. Um pequenino saco de alpiste há de ser amarrado ao lado da gaiolinha, para que possa ser a alimentação fornecida em viagem.

    Muito embora os canários quando aclimatados possam suportar frios rigorosos, sem perturbação alguma, eles são susceptíveis de passarem por mudanças rápidas de temperatura, podendo ser-lhes fatais as correntes frias. Deve-se ter isso em mente, quando se tenha de escolher um lugar para por a gaiola. A exposição direta a correntes de ar frio precisa ser evitada. Quando se possuem um ou dois canários para distração, usa-se suspender as gaiolas em frente a uma janela, onde os passarinhos possam apreciar a luz solar e o calor, prática aliás muito salutar, quando a janela é conservada fechada, durante o tempo frio ou tempestuoso. O aposento onde estiver a gaiola há de ter temperatura agradável tanto de dia como durante a noite, sendo que, em tempo de frio, será prudente cobrir a gaiola com uma toalha, ou coisa equivalente, à noite. Também a exposição da gaiola à umidade pode ser fatal. O canário gosta de sol, mas expor a gaiola inteiramente ao sol quente é a mesma coisa que condenar à morte o passarinho! Onde quer que esteja colocada, a gaiola há de sempre estar escrupulosamente limpa, a fim de que o canário goze perfeita saúde e fique isento de parasitas de qualquer espécie. A água deve ser sempre fresca e a vasilha precisa ser, no mínimo, cheia, uma vez por dia. O vasilhame será lavado cuidadosamente a curtos intervalos. As gaiolas de fundo móvel devem ter o estrado coberto com diversas camadas de papel, ou com um grosso papelão, conhecido com o nome de "lixa" e exposto à venda nas casas de artigos próprios para criação e avicultura. Toda vez que a gaiola tenha de ser limpa, tal papelão será também renovado. A sujeira dos poleiros será retirada por meio de uma raspadeira, ou faca velha que possa passar bem por entre as varas da gaiola. As gaiolas de fundo preso, devem ser providas de estrado móvel que, como gaveta, deslize para diante ou para traz, a fim de poder-se retirar as fezes, as cascas de alpiste etc. e ser feita a competente limpeza.

Estas ligeiras considerações que o leitor leu, nos foram sugerida para responder à curiosidade de gentil leitora. E as finalizamos com um conselho útil. Editamos - pela 3ª vez em 1934 - um livrinho cheio de ensinamentos e sugestões cuja leitura é indispensável para quem se interessar pelo assunto: O CRIADOR DE CANÁRIOS. Custa 3$ e encontra-se à venda em todas as boas livrarias do Brasil.

(Ortografia atualizada)

© CHÁCARAS E QUINTAIS, 15 de março de 1936, Vol.53, pág. 332-333


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