Uma nova tradição

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© Revista SOL - Julho de 1984

   

EDITORIAL

 

    Tal como uma artista minuciosa, numa perfeição criada durante milênios, a NATUREZA construiu, com uma hegemonia incomparável, belas paisagens de grandes temas, onde o equilíbrio de cores e coisas predomina.

    Filho da Natureza que mais modifica as coisas maternas, o homem é admirador e criador de coisas belas; amigo e inimigo da criação.

    Seu espírito aventureiro de domínio o faz avançar em todas as direções. Conquistador insaciável, o homem denota sua inquietude na penetração dos segredos da natureza, quebrando — por vezes — sua inteligente harmonia.

    Demonstrada por crescentes movimentos que visam à proteção da natureza, decorrentes do avanço desenfreado, a necessidade de uma reflexão sobre o equilíbrio é também sinal dos tempos; sua preservação é reconhecida como um dever coletivo, condicionando o progresso futuro. A repercussão dos danos decorrentes, muitas vezes, do "progresso", onde a exploração excessiva com destruição de ecossiste­mas freqüentemente ocorre, projeta uma visão da atual necessidade em não se perturbar os processos essenciais da natureza, ressaltando uma reestruturação de estudo, antes restrita a especialistas. A Biologia, Filosofia, Ética Conservacionista etc., passam a atingir níveis de amplitude ainda mais significativos, onde a contribuição popular para a conservação é imprescindível.

    O crescente envolvimento, numa incontrolável escalada de conquistas com as máquinas, parece induzir uma necessidade intrínseca da manutenção do relacionamento homem/natureza.

    Ao longo da sua história evidencia-se uma incontestável e particular ligação com animais e plantas.

    A domesticação de animais acompanha o comportamento natural e evolutivo do homem. Registrada desde a pré-história, essa domesticação, porém, muitas vezes não se coaduna com o progresso alcançado pelo homem.
No campo ornitológico a progressiva e alarmante diminuição da população de pássaros, conseqüência da destruição de ecossistemas, utilização indevida de venenos agrícolas, matança por caçadores, captura e exportação para outros países (a Europa, os Estados Unidos e o Japão são os maiores importadores de pássaros de todo o mundo!), colecionadores de espécies embalsamadas etc., faz com que organizações para preservação de espécies raras se desenvolvam. As leis governamentais protecionistas não parecem reduzir a agressividade de muitos homens sobre as Leis da Natureza. As projeções estatísticas prenunciam fai­xas vermelhas no horizonte azul dessas criaturas aladas.

    O pássaro, elo de ligação homem/natureza, deve ser preservado. A limitação imposta aos criadores brasileiros, sobremaneira pela crônica desinformação, onde o ensino e publicações especializadas não são estimulados, permite um distanciamento dessa consciência ecológica. Porém o amor à Natureza o leva a um sobreposicionamento importante.

    A necessidade em se manter o ciclo biológico das espécies de pássaros que o homem cria em sua companhia, faz a sua participação nesta conscientização. A gaiola do solitário "passarinho cantador" já começa a fazer parte de uma recordação.

    A REPRODUÇÃO dos pássaros em PUREZA (da mesma espécie) passa a ser uma atividade conservacionista, também em gaiolas e viveiros. Muitas espécies de animais em extinção hoje sobrevivem graças a técnicas semelhantes.

    Cabe às sociedades ornitológicas também e principalmente o desenvolvimento de estudos e divulgações para consecução desse objetivo pleno. Afinal, compreender e prover de todas as necessidades básicas para o completo ciclo biológico de cada espécie subjugada é mais que um dever. É uma condição fundamental para preservação da vida.

 

Pedro Salviano Filho

 


 

UMA NOVA TRADIÇÃO

 

Apesar de vivermos a época das comunicações, neste final do século vinte, é significativo o nível de desinformação que envolve a ornitologia amadora brasileira.

Não é sem razão que nos deparamos, em estonteante freqüência, com gaiolas em que uma fita vermelha (ou outros amuletos correlatos) reflita o nível dessa situação.

Vale ressaltar que em 1847 Semmelweis já impunha a lavagem rotineira das mãos como meio de evitar a propagação de infecção; que em 1942 Fleming nos oferecia o acesso aos antibióticos; ou que em 1957 W. Rose já definia e individualizava a cadeia de aminoácidos (que compõe as proteínas), além de definir os essenciais, semi e não essenciais.

É previsível, assim, que o índice de fracasso na criação de pássaros seja tormentoso e contrastante com os amplos recursos atuais conquistados pela ciência e tecnologia (hoje se reconhece que a ciência, juntamente com sua irmã tecnologia, para o bem ou para o mal, dominam o mundo).

A formação de uma nova conceituação ornitófila parece se fazer necessária num país que possui a segunda maior população de aves do mundo.

Uma nova educação para as crianças e aos jovens e uma reeducação para os adultos é uma tarefa primordial para uma condizente conscientização preservacionista. As evidências levam a uma necessidade do desenvolvimento de uma verdadeira tradição; uma tradição embasada numa formação dinâmica, precisa e alimentada pelos conceitos técnico-científicos que se impõe à mentalidade primária de talismãs.

As fontes de informações ornitológicas também procuram obedecer a normalidade da lei do mercado (da oferta e da procura). A motivação pode desencadear a importante e esperada ampliação das escassas publicações especializadas em nosso meio.

Afinal, estamos vivendo a época das comunicações!

 

PSF

 

   

     MANEJO DE PÁSSAROS

 

 

    NOTA TÉCNICA E PRÁTICA

 

 

    Através do acúmulo de conhecimentos, absorvidos da experiência atenta de inúmeros criadores e analisados com concomitante auxílio de pesquisas laboratoriais, numa hegemonia artesanal/científica, o manejo dos pássaros evolui continuamente.

    A transferência de tecnologia, por uma inteligente forma de analogia, de áreas tidas como prioritárias, tem favorecido um significativo avanço para a ornitologia dita amadora.

    A ciência, nos últimos anos, passa por uma transformação rápida; sua popularização é crescente. A educação científica passa a ser cada vez mais necessária.

    Vale destacar aqui a abertura do número precedente desta publicação: "Todos devem entender que a partir do momento que uma pessoa subjuga um animal, passa a ser responsável direta sobre a sorte dele. Assim, um criador de pássaros tem a responsabilidade constante dos cuidados para com a saúde e vida destas pequenas criaturas, que passam a depender exclusivamente dele. Logo, é um dever desses criadores obterem o máximo de informações, num esforço para entender as exigências constantes das avezinhas, objetivando condições de desenvolverem positivamente todas as suas funções vitais". Numa apresentação didática e de leitura prática, o Prof. Giorgio de Baseggio mostra em seu livro CANARINI Dl TUTTO IL MONDO algumas normas de manejo para criação de canários e pássaros granívoros de pequeno porte que, com sua autorização expressa e especial para esta publicação, traduzimos a seguir.

 

Pedro Salviano Filho

 


   

     GIORGIO DE BASEGGIO

 

    INICIAR COM REPRODUTORES SAUDÁVEIS E BEM SELECIONADOS

 

É contraproducente começar com reprodutores que não acatem as melhores condições da espécie, da raça e de saúde. Os reprodutores, de boa genealogia, devem ter o peito cheio de carne; os machos com um comportamento altivo e afoito e em pleno canto, olhar atento a tudo o que circunda e muita vivacidade; movimentos desarraigados e típicos da espécie ou raça a qual o pássaro pertence; abdome rosado ou amarelado; plumagens justas, brilhosas e íntegras; tarsos e patas lisas e íntegras (as patas deformadas ou escamosas denotam indivíduos mal cuidados, velhos, ou doentes).

 

    UMA NOVA AQUISIÇÃO PODE SER UMA NOVA CAMUFLADA SURPRESA

 

O criador deve limitar ao máximo as novas aquisições de pássaros e ter sempre em conta que um recém-chegado pode estar doente ou ser um "portador são" capaz de infectar os pássaros do criadouro.

É oportuno subdividir os indivíduos em "linhagem não consangüínea" diversa, para poder acasalar, quando possível, dita linhagem; seja para se evitar a estreita consangüinidade, ou seja, para se reduzir ao máximo as novas aquisições. E conveniente "se reduzir ao máximo" as trocas de visitas entre criadores (melhor seria mesmo abolir certos tipos de visita) devido a que, sobretudo sob a sola dos sapatos, é possível se fazer entrar no criadouro germes patogênicos e diversos parasitas.

 

    POUCOS EXEMPLARES, MAS DE BOA QUALIDADE

 

    Os apaixonados da ornitocultura e os colecionadores se deixam, core freqüência, vencer pelo desejo de adquirir a maioria dos pássaros que os atraem ou se impressionam por qualquer particularidade (ou raridade), permitindo assim vários efeitos negativos. Os criadores mais conscientes têm um número de pássaros proporcional ao tempo disponível para cuidá-los, aos espaços e aos alojamentos, sem acumular muitos exemplares em um só espaço insuficiente, pior se pertencentes a diferentes espécies ou raças, levando à exi­gências diferentes, porque em tal caso há o favorecimento de condições para o desenvolvimento de várias doenças. E necessário, em um mesmo local, ter poucas espécies ou raças "similares entre si" e compatíveis. Realmente, se misturando num mesmo local, num espaço insuficiente, espécies ou raças muito diferentes entre si, se obtém resultados negativos. Em definitivo, é bom ter poucos exemplares, bem alimentados, em espaço adequado, de boa qualidade; assim se poderão ter grandes satisfações, especializando-se em poucas espécies ou raças, e que sejam semelhantes entre si.

 

    TER UM NÚMERO DE PÁSSAROS, PROPORCIONAL AO ALOJAMENTO

 

    Um número excessivo de exemplares, colocados em um espaço insuficiente, acarreta os seguintes aspectos negativos: a) aumento da quantidade de germes patogênicos, vírus e fungos, facilitando o aparecimento de doenças; b) umidade excessiva; c) muito pó em suspensão pelo excesso deles (isto oferece particularmente as doenças respiratórias); d) excesso de anidrido carbônico e de produtos das putrefações (amoníaco, indol etc.) e deficiência de oxigênio. Numa forma orientativa, se pode dizer que para um pássaro como o canário (Serinus canarius), está indicado um alojamento de um metro cúbico de área.

 

    ACASALAMENTOS ANTECIPADOS OU RETARDADOS?

 

    Certos criadores, sobretudo no objetivo de obterem uma numerosa prole de um especial casal de pás aros, procuram antecipar o máximo possível o início do acasalamento. Criadores de canários acasalam no final de julho e terminam a criação em dezembro, ou antes. Nos meses invernais utilizam aparelhos eletrônicos que aumentam a duração e quantidade de luz. Os reprodutores, além disto, são "enchidos" de alimentos, integradores e também de medicamentos. Neste caso é possível se obter muitas ninhadas e muitos filhotes. Mas, com o tempo, se obtém apenas resultados negativos: reprodutores, também de valor, debilitados; muito explorados dão origem a uma prole débil (com taras e doenças). Dependendo da região, é oportuno iniciar a criação a partir de setembro, contentando-se com 2-3 ninhadas no máximo ao ano de cada casal. Se a criação é bem conduzida (alimentação boa e certa, alojamento e espaço suficientes, higiene e limpeza acuradas, reprodutores sãos e férteis) é possível obter três ou quatro filhotes para cada ninhada; estes serão saudáveis e robustos e os reprodutores de valor não ficarão debilitados e desgastados. À quantidade não se pode mais associar a boa qualidade dos pássaros.

 

    ALIMENTAÇÃO VARIADA, GENUÍNA E SAUDÁVEL

 

    Uma ajustada alimentação é indispensável para se ter sucesso numa criação. Sementes frescas, integrais, isentas de poeiras; rações com ingredientes genuínos e um correto equilíbrio entre eles; verduras e frutas frescas, bem lavadas, saudáveis e íntegras são todos os princípios alimentares válidos para manterem-se os pássaros com saúde e fertilidade.

 

    VITAMINAS

 

    As vitaminas são substâncias orgânicas indispensáveis ao organismo, mas em quantidades mínimas. São encontradas nas verduras e frutas. Podem ser adicionadas (em pó ou líquido) às rações feitas pelo criador; neste caso devem ser misturadas por ocasião da administração imediata aos pássaros; se colocadas muito antes, o contato com os ingredientes da ração poderá destruir pela oxidação e reações químicas várias suas atividades. Todos os fatores vitamínicos estão no organismo em equilíbrio entre si, pois esses funcionam coordenadamente como um sistema fisiologicamente equilibrado. Conseqüentemente é conveniente não se administrar isoladamente uma vitamina (muitos criadores administram isoladamente doses elevadas de vitamina E, conhecida como vitamina da 'fertilidade'), mas sim o grupo A-D3-E (que incrementa a vitalidade dos reprodutores, a fertilidade e a forma amorosa) ou ainda melhor, um bom "complexo vitamínico" (Por ex. "Katabios ®" gotas Farmitalia, na dose de 6 gotas em une bebedouro de 100 ml por 4-6 dias consecutivos, com administrações de duas vezes ao mês).

    Após tratamentos à base de antibióticos e quimioterápicos (sulfa), podem ocorrer formas carenciais graves de vitaminas, sobretudo daquelas do grupo B e de vitamina K. Assim, após tratamentos cone antibióticos etc., administrar: por 2 dias o grupo A-D3-E e, depois, vitamina do grupo B por outros 6 dias. (Por ex. "Bevitin ®"-Abbot, Itália, 10 gotas p/100 ml d'água; ou "Pro­sol B®" - Prochena). As doses podem variar de 4-6 gotas em um bebedouro de 100cc (deve-se renovar a solução a cada 10-12 horas). Todas as soluções aquosas devem ser renovadas cada 10-24 horas, devido a: durante as primeiras 6-10 horas a solução perde a eficácia em 50% e, nas horas sucessivas, o efeito do integrados (ou do medicamento) se reduz posteriormente, enquanto os componentes de certos medicamentos ou integradores podem combinar-se quimicamente com a água, formando às vezes compostos nocivos. E conveniente também que especialidades diversas não sejam conjuntamente misturadas em uma solução de um mesmo recipiente. A administração de um completo vitamínico deve ser periódica (pelo menos 2 vezes ao mês) durante todo o ano. Além das citadas vitaminas, devem-se administrar pe­lo menos também as seguintes vitaminas: H, K e ácido pantotênico.

 

    MINERAIS

 

    Os minerais (por ex. Cálcio, Sódio, Potássio, Manganês, Iodo, Ferro, Cloro, Fósforo, Magnésio etc.) e os outros sais é bom estarem constantemente à disposição dos pássaros em um recipiente. Eles podem ser adicionados também às rações preparadas em casa, mas só no ato da preparação, de modo que tudo seja consumido em poucas horas. Isto porque os minerais (como as vitaminas) se alteram com o tempo e podem também se combinar quimicamente ente os outros ingredientes da ração e formarem oxidação com os concentrados protéicos (ex. ovo), que podem ser nocivas. No comércio existem numerosos produtos à base e minerais (complexos à base de macro e microelementos).

 

    OUTROS INTEGRADORES E ADITIVOS

 

    O osso de siba, a areia esterilizada (calcárea e silícia), o carvão vegetal, a terra fresca (colhida em local longe dos cursos de água suja e zonas onde se efetuam tratamento antiparasitário ou curtumes com dejeções líquidas ou sólidas) devem ser misturados proporcionalmente e, colocados em recipientes, postos à disposição dos pássaros, os quais consomem as quantidades que sentirem necessidade.

 

     A LUZ

 

A intensidade luminosa apropriada e a longa duração da luz facilitam a atividade sexual das gônadas (forma amorosa), os acasalamentos, a construção do ninho, a postura, o choco, a alimentação dos filhotes, o crescimento destes, a ação de determinadas vitaminas etc. Além disto, os raios ultravioleta do sol têm uma certa ação bactericida. A baixa intensidade luminosa e poucas horas de luz têm todos os efeitos opostos. Em certos criadouros, para antecipar o choco, alguns criadores utilizam aparelhos eletrônicos 'aurora-ocaso' os quais atuando sobre os pequenos pássaros com freqüência fazem uma ação negativa (descondicionamento hormonal. Muda de estresse ou falsa muda etc.) devido à extrema dificuldade nas dosagens da quantidade e da duração da luz.

 

    A UMIDADE

 

    O grau de umidade é um fator importante para a saúde dos pássaros. Os pássaros não suam, mas eliminam gases (anidrido carbônico etc.) e água na forma de vapor. Em um ambiente muito úmido nos sacos aéreos e pulmões a umidade aumenta e, com isso, também substâncias nocivas e germes patogênicos. A umidade em excesso é muito prejudicial a todos os pássaros, pois favorece o desenvolvimento dos germes patogênicos, vírus, fungos, formas reumáticas e enfraquecimento orgânico. Geralmente para os canários ('Serinus') o ideal grau de umidade relativa do ar (que se determina com um higrômetro) gira em torno de 50% (para as espécies que vivem em liberdade nas zonas mais secas e ventiladas) a 60% por todo ano, com exceção para o período de incubação do ovo (70%) e da sua eclosão (80%). Durante a incubação, no interior do ovo um aumento da câmara de ar e, perto do fim do choco, por parte do embrião se inicia a respiração pulmonar, que é um dos períodos críticos da incubação. A fêmea, revirando freqüentemente o ovo, evita que o embrião se deposite sobre um só lado dele próprio, com o perigo que o corpinho se 'cole' à casca, com conseqüente diminuição dos movimentos e dos atos respiratórios. Uma outra fase crítica é a ruptura da casca: a entrada imprevista de ar no ovo, que necessita de um ambiente úmido para favorecer os movimentos do pintainho e a separação da casca. Para aumentar o grau de umidade no ninho se pode efetuar as seguintes intervenções: a) vaporização; b) banhar com freqüência o pavimento do local; c) fazer evaporar água contida em recipiente posto em fonte de calor; d) permitir o banho da fêmea iniciando ao menos dois dias antes da eclosão dos ovos; e) durante os meses mais quentes (verão) é suficiente pôr no local muitos recipientes d'água; a alta temperatura favorecerá a evaporação. Alguns criadores banham o ovo em água morna; desaconselhamos este método porque pode acarretar diversos inconvenientes: possibilidade de ruptura da frágil casca; resfriamento imprevidente do embrião, com conseqüente morte, a água poderá ser excessiva, e, em tal caso, pude tirar a película protetora (que envolve o ovo) com conseqüente risco e, pela porosidade da casca, penetrarem germes patogênicos; o contato da quantidade excessiva de água (possíveis em certos pontos, sobretudo na cavidade onde é apoiado o ovo) o carbonato de cálcio da casca se transforma em bicarbonato ácido de cálcio o qual, sendo solúvel, pode provocar fratura.

 

    A TEMPERATURA

 

    Os canários ("Serinus") bem aclimatados podem sentir-se confortáveis com temperatura compreendida entre os 12 e os 16 graus centígrados. Diversas espécies e os canários domésticos podem suportar temperaturas bem inferiores (entre 5 e 10°C positivos) sem danos, se colocados em um local bem limpo, enxuto (umidade relativa do ar entre 50 e 60%), e sejam racionalmente alimentados.         Nestas condições Os canários domésticos (excluindo-se certas raças delicadas) podem suportar bem temperaturas de alguns graus inferiores a zero. Muito danosa é a elevada umidade (acima de 60%) e a mu dança brusca de temperatura. Durante os meses mais frios uma temperatura constante, por volta de 10° C, para pássaros saudáveis, bem nutridos, alojados em local seco e em condições higiênicas e em ambiente apropriado, pode ser bem suportada. Um ambiente fresco (10-14°C) e seco (com 55% de umidade relativa do ar) é o ideal. As espécies de recente importação necessitam de temperatura constante compreendida entre 18 e 22o C.

 

    PROFILAXIA E TERAPIA DAS DOENÇAS

 

    E muito mais profícuo prevenir do que curar. Os criadores adotam, portanto, todos os estratagemas necessários para prevenir as doenças. Se, desgraçadamente, se desenvolve uma doença, os exemplares doentes ou mesmo mortos devem ser analisados em um laboratório especializado ou em um Instituto Zooprofilático, com a finalidade de individualizar a causa da doença. Com a identificação dos agentes etiológicos é possível adotar a terapêutica mais apropriada. Por motivos de espaço não se é possível adentrar em argumentos de terapia aviária. Daremos só algumas das indicações para a cura das principais doenças.

    Se no ano precedente se teve o desenvolvimento de doenças infecciosas (colibacilose, salmonelose etc.) poder-se-á efetuar a seguinte terapia: a todos os exemplares do criadouro deve-se administrar nos dos acasalamentos: "Neo-Rocol®" (Prochena di Parma — Itália), produto veterinário, dose: 20 gotas para cada 100 ml de água (bebedouro normal) por 5 dias seguidos, sempre renovando a solução diariamente. Se um produto não dá resultados positivos, poderá utilizar um outro. "Bimixin®" (Luso Farmaco-Itália): 1 cc (20 gotas) em 100 ml d'água; ou en­tão 1/4 de comprimido em 30 cc d'água por 5-6 dias seguidos a todos os adultos (2 gotas da solução no bico de cada uni filhote, uma ou duas vezes ao dia, durante 4 dias seguidos); a solução prepa­rada cada manhã, deve ser renovada na manhã seguinte (torna-se ineficaz). Verificar sempre o prazo de validade do produto. (N. do T. Os dois últimos produtos são referidos pelo autor em "Italia Ornitologica n". 11, pág. 32 de 83). Nos quatro dias seguintes administrar vitaminas do Complexo B; nos dois dias seguintes administrar vitaminas A-D3-E (6-8 gotas em bebedouro de 100 ml). Ou então, por 4 dias consecutivos "Sigmamicina ®" gotas (Pfizer) na dose de 1 ml em 100 ml de água de beber; sucessivamente se repete as próprias doses citadas de vit. Complexo B. É útil também o "Micostatin ®  " suspensão oral (Squibb), uso humano, indicado para forma entérica e micótica, nas doses de 0,5 ml em um litro d'água de beber por 5 dias consecutivos.

    Contra a Colibacilose pode-se aconselhar o seguinte tratamento: "Bimixin®" (Luso farmaco-Italia), 1 ml em 100 ml de água de beber, na apresentação de xarope, ou 114 de comprimido em 30 ml de água, por 5-6 dias seguidos. Depois administrar as vitaminas já indicadas; pode-se usar também o já mencionado "Neo-Rocol" durante 5 dias.

    Após cada tratamento com quimioterápicos, também após o uso dos produtos vitamínicos referidos, se pode usar vitaminas e aminoácidos que tem ação desintoxicante (p. ex. "Zoo-Betamin®"-Fatro: 2-3 gotas p/litro d'água por 6 dias; ou "Katabios®" gotas-Farmitália, 8 gotas/100 ml.).

    Deve-se ter sempre em mente que todas as soluções aquosas de produtos farmacêuticos devem ser sempre reno­vadas cada 12-24 horas.

Para prevenir ou combater micoses deve-se ter um alojamento seco (50-60% de umidade relativa do ar) e limpar bem os fundos das gaiolas, os comedores e bebedores borrifando sobre tudo com soluções aquosas de sais quaternário de amônio, que têm ação antimicótica e antibacteriana.'

    A candidíase pode ser tratada com: "Micostatim®" suspensão oral (Squibb): (1 ml em uma colher cheia de ração), através de aerosol por 4 dias; ou medicamento à base de Iodo P.V.P., na dose de 2-3 gotas p/100 ml durante 3 dias. Para micose cutânea: glicerina + tinturas de iodo (partes iguais).

 

    ALGUNS CONSELHOS GERAIS

 

    Devem-se fazer periódicos controles todos os dias, e várias vezes ao dia durante determinados períodos críticos (época de acasalamento, criação dos filhotes, separação dos pais, muda etc.).

    Deve-se observar o pássaro se mostra abatido, pouco ativo; com plumagem fofa, asas caídas, respiração acelerada e com bico aberto, penas descompostas ou sujas de fezes, olhos sem brilho, com pálpebra semifechada ou formação pseudomembranosa; narinas com exsudatos ou placas pseudomembranosas amareladas, pele avermelhada, com manchas de diversas cores, granulosa à palpação devido a lesões sub-epidérmicas, rugosa, com placas ou crostas; abdome avermelhado, escavado ou então aumentado de volume, com vísceras salientes, com vasos sanguíneos vermelhos ou violáceos ou com manchas marrom ou violeta — dolorosas à palpação, com saliências de dimensões variadas e endurecidas sob a pele; região perineal e anal suja de fezes, com penas grudadas; fezes de cor e consistência anormais: líquidas (diarréia) ou ressecadas (negras, marrom, estrias de sangue, branca, esverdeada etc.; região esternal muito saliente e "cortante", ou com desvio em S; tarso e patas com escamas levantadas crostosas e friáveis; rubor e edema mais ou menos acentuados; deformações de vários tipos, vascularizações anormais; estado de nutrição: exemplares muito magros, chegando a assumir um estado caquético, ou muito gordos etc. Os mencionados sintomas indicam que o pássaro está doente e que, portanto, deve ser imediatamente isolado em uma gaiola individual (gaiola-enfermaria), posicionada distante dos outros pássaros. As fezes líquidas, na melhor das hipóteses, podem ser causadas por um resfriamento ou por um erro alimentar (por ex. excesso de verduras); porém comumente indicam a presença de doença infecciosa (entre as quais colibacilose, salmonelose, cólera etc.), principalmente se abundantes, esverdeadas e malcheirosas. Os exemplares que viviam com o pássaro doente (ou próximos a ele) devem também ser isolados em outra gaiola guardada longe dos exemplares sãos. Os acessórios, a gaiola e tudo o que esteve em contato direto ou indireto com exemplares doentes, ou presumivelmente tais, (levem ser destruídos e queimados (papéis, fezes, comida etc.) ou lavados, bem limpas e acuradamente desinfetados (gaiolas, acessórios). Antes de atender aos pássaros, o criador deve preventivamente lavar bem as mãos e antebraços e desinfetá-los (melhor com solução aquosa de sais de quaternário de amônio), porque poderá ser ele o próprio portador de germes infecciosos, adquiridos de vários modos. Uma vez lavados e bem desinfetados mãos e antebraços, cuidasse primeiramente dos exemplares sãos e depois dos doentes ou presumivelmente tais, e jamais do modo contrário (isto para se evitar possíveis contágios). Uma vez atendidos todos os pássaros, o criador se lava bem, com sabão desinfetante, depois utiliza uma solução aquosa de sais de quaternário de amônio, esfregando-se também sob as unhas, mediante um palito. Quer seja para os pássaros doentes (ou presumivelmente tais) ou para os saudáveis, deve-se ter recipientes para comida e outros acessórios de uma forma individual, procurando-se evitar todos os possíveis contágios diretos e indiretas.

 

    DESINFETANTES E DESINFECÇÃO

 

    Em um criadouro apenas preparado, com local, gaiolas, acessórios novos, alimentos genuínos e pássaros saudáveis, se não se introduzir novos pássaros doentes, ou então germes patogênicos (através de alimentos infectados, sola dos sapatos que visitaram um outro criadouro, insetos e ratos que entram no local etc.) por um longo período não se desenvolvem doenças. Mas com o tempo, se não se efetuar periódicas desinfecções, há o aumento dos vírus, germes e fungos: se forma uma espécie de "equilíbrio" entre os saprófitas que agem contra outros germes (patógenos e parasitas); estes últimos, inicialmente não dominam a "concorrência vital" regida pelos saprófitos  sucumbem e perdem a capacidade agressiva. Cada criadouro contém um seu ambiente característico de germes que podem ser inócuos ou então de branda, média ou alta virulência. Com o tempo, aumentando a massa de ger­mes (massa que constitui o dito "microbismo ambiental), os microorganismos patógenos passam a ter uma predominância sobre os saprófitos: em tal caso se desenvolve a doença que agride os pássaros.

    Aumentando a ação dos germes patógenos, outros germes que normalmente não são patógenos (ditos "para‑facultativos") e em particulares condições ambientais (excesso de umidade, pássaros debilitados devido à alimentação errada ou por outros motivos etc.), passam a serem patogênicos dando origem a infecções de natureza patógena. Neste modo se forma um "ciclo microbiano" (ou seja, aquele particular "equilíbrio" entre vírus, germes patogênicos e fungos) muito danoso aos pássaros. Ocorre, portanto, "romper" este "ciclo microbiano" efetuando-se periódicas e apropriadas desinfecções.

 

OS DESINFETANTES

 

São os meios pelos quais se matam, desvitalizam ou bloqueiam os germes patogênicos c os vírus. Com o uso dos desinfetantes se efetua a conhecida desinfecção. Eis uma breve lista de alguns desinfetantes:

    CAL — A cal viva (CaO) é um discreto desinfetante e pode ser usado no chão dos viveiros, ou colocada em recipiente diante da porta do viveiro ou cômodo do criadouro: nesse recipiente se pas­sam as solas dos sapatos antes de entrar. O''leite de cal" (um quilo de CaO em 4,6 litros d'água) serve para desinfetar e limpar pavimentos, muros e forros.

    SAIS QUATERNÁRIOS DE AMÔNIO — Descobertos em 1916 por pesquisadores alemães, sucessivamente foram objeto de estudo e de divulgação por parte de KAGI e HARTMAN (1928) e particularmente por DOMAGK (1935). São muito indicados porque são bactericidas, bacteriostáticos, antissépticos, antimicóticos e desodorantes. Alguns têm uma certa ação contra os vírus. São de fácil emprego (se dissolvem em água e são assim borrifados), não danosos se usados nas doses indicadas pelo produtor.

    A sua eficácia é pouco influenciada na presença de matéria orgânica, porém diminui muito na presença dos ambientes ácidos e dos sabões. São apresentados no comércio em soluções de várias concentrações (geralmente de 10 a 25%). Aconselhamos os produtos de apresentação comercial com concentração de 10%; com esta concentração a dose geralmente indicada é a seguinte: uma colher das de café (N. do T. = 3 ml) de S.Q.A. em um litro d'água se se pretende desinfetar a água de beber; duas colheres das de café em um litro se se deseja borrifar na gaiola (fundo da mesma, seus acessórios, também seus próprios pássaros, mas a uma distância nunca inferior a 25 cm, para evitar imprevistos resfriados, evitando-se aspergir sobre os alimentos) na presença dos pássaros; uma colher ou duas das de sopa (10 ml) em um litro d'água, borrifar no ar ambiental, sobre o chão, sobre os muros e tetos etc., mas nunca diretamente sobre os pássaros. Nos criadouros isentos de doença é aconselhável aspergir, com fim preventivo, mediante borrifados tipo pistola ou outro, pelo menos duas vezes por semana; ou todos os dias na presença de doença, com dose de cerca de 2 colheres para cada litro d'água ou mais, até o fim da doença. Os Sais Q.A. são incompatíveis com: bicromato de potássio, penicilina sódica, iodo e permanganato etc. São compatíveis com: carbonato de iodo (9%), ácido sulfúrico (40%), ácido clorídrico (9%), estreptomicina, formaldeido, Hidrato de sódio (10%).

    CARBONATO DE SÓDIO OU SODA — O Carbonato de Sódio é um ótimo detergente e um discreto desinfetante (se usa na dose de 3 a 5%). Dissolve-se em água quente.

    OZÔNIO — O ozônio é unia molécula de três átomos (03) de oxigênio, com a capacidade de dar origem a oxigênio nascente (03 — 02 - O); portanto é um forte oxidante com propriedade bactericida e anti-séptica. Alguns criadores podem instalar, nos locais de criação, aparelhos geradores de ozônio. Isto é válido particularmente no período do inverno, quando a troca de ar é menos efetuada. Ocorre, porém, que não se deve exagerar, porque todos os excessos são danosos. Os alimentos (ração, semente etc.), na presença do ozônio levam à oxidação que pode alterar as gorduras (com formação dos tóxicos peróxidos) e destruir determinadas vitaminas. Em conclusão: na presença de doença ou com o fim profilático mode­radas ozonizações dos locais podem ser feitas, evitando-se todos os excessos: se terá assim uma discreta ação bacterici­da, bacteriostática e desodorante.

    RAIOS ULTRAVIOLETA — A lâmpada de R.U. é utilíssima para esterilizar gaiolas, acessórios, ninhos e porta-ninhos etc.; é danosa se utilizada na presença dos animais vivos porque provoca danos aos olhos, forma ozônio (03) que tem ação desinfetante, mas oxida os alimentos e destrói vitaminas, causando problemas ao sistema nervoso. Podem também destruir materiais plásticos. Esta lâmpada deve ser utilizada em um ambiente com uma umidade relativa do ar (determinada por um higrômetro) inferior a 60%. Tem uma forte ação esterilizante do ar.

    FORMALINA OU FORMOL — A formalina é uma solução aquosa contendo 40% de formaldeído em volume e 36% em peso na solução recém-preparada. Na ornitologia o uso mais freqüente é o da desinfecção dos locais de criação e o que neste contém (gaiolas, acessórios etc.), obviamente depois de retirar todos os pássaros, alimentos, integradores, aditivos etc. As frestas da janela e da porta devem ser bem fechadas com fitas adesivas largas. Sobre o chão, no meio do local, se coloca um prato de barro e, sobre este, um recipiente metálico; antes disso, paredes, chão, forro, gaiolas e outros acessórios são bem lavados com água aspergida (o gás desinfetante assim será mais eficaz); no prato se coloca um aquecedor elétrico ligado e sobre este o recipiente metálico; dentro deste se coloca 20 g de formalina e 10 ou 20 g de permanganato de potássio para cada metro cúbico de ambiente (por ex. em um local de 100 metros cúbicos, se põe no recipiente 100X10 = 1 kg de permanganato). Obter-se-á uma reação química, com formação de calor e de gás tóxico fortemente desinfetante.

O SOL — A luz solar é um discreto desinfetante natural, que mata e inativa numerosos germes e vírus (nos raios solares existem os raios ultravioletas de ação desinfetante).

 

    ANTIPARASITÁRIOS OU DESINFESTANTES

 

    Os parasitas animais (insetos, ácaros etc.) provocam doenças microparasitárias ou infestivas. As operações que objetivam à destruição desses parasitas, como também dos seus vetores e hóspedes são incluídas no termo desinfestação (não se deve confundir com "desinfecção", pois esta última atinge os microparasitas, tipo bactéria e vírus. No comércio existem muitos produtos (em pó, líquido, spray, sólidos) que servem para destruir ou desvitalizar os parasitas animais. Também existem aparelhos elétricos que destroem os insetos.

 

     ROTINA PARA LIMPEZA, DESINFECÇÃO E DESINFESTAÇÃO

 

    Os pisos devem ser escovados com uma solução aquosa de sais quaternários de amônio (20ml/1lt. água), agitar (para tirar em grande parte o excesso de umidade que limitará o uso da escova); assim a escova pode ser utilizada sobre uma parede anteriormente em parte umedecida mediante borrifação de solução de sais Q.A. (borrifa-se com um aspersor tipo pistola, de baixo custo); os artifícios mencionados são necessários para limitar ao máximo a elevação de pó, pois isso (o pó em suspensão sobre gaiolas e pássaros) pode difundir germes e fungos patogênicos provocando doenças de vários gêneros, sobretudo do aparelho respiratório. Depois, sobre as paredes e piso se pas­sará uni pano anteriormente umedecido em água quente contendo um bom detergente (por ex. carbonato de só­dio); uma vez tudo enxuto, se efetuará uma abundante borrifação com solução de sais Q.A. (20ml litro d'água), que tem ação antibacteriana, antimicótica, detergente e desodorante. A limpeza do piso deve ser pelo menos bisse­manal. O teto, as paredes, o chão, os utensílios, o ar do local etc. é conveniente que se faça pelo menos duas vezes por semana (ou todos os dias no caso de haver doença) devem ser abundantemente aspergidos, mediante aspersor tipo pistola ou outro tipo de borrifação, mediante sais Q.A. (1 colher para 1 litro d'água) também na presença dos pássaros (sem borrifar diretamente estes ou sua comida).

    Gaiolas, acessórios (bebedouros, comedouros etc.), pelo menos uma vez ao mês, devem ser bem limpos, imersos em um amplo recipiente (tanque) com água fervente na qual tenha sido dissolvido carbonato de sódio a 5% (N.T. — soda cáustica) (as partes plásticas, que podem deformar-se ao contato com a água fervente, são imersas quando a água ficar morna). Depois de 4-6 horas se retira tudo, eventuais resíduos de carbonato são removidos, gaiolas e acessórios são colocados para secar, preferentemente ao sol. Uma vez enxutos, uma abundante borrifação com solução de sais Q.A. permite uma boa desinfecção.

    Pelo menos duas vezes ao ano (mais, se desenvolverem doenças) as paredes e o teto devem, depois de limpos, serem lavados com "leite de cal" que se prepara do seguinte modo: se peneira um quilo de cal viva e se adiciona cerca de 3/4 de litro de água: se deixa esfriar por um certo tempo, quando se adiciona outro quarto de litro de água; se deixa depositar e na parte inferior se separa uma parte sólida e, acima, uma parte líquida que é o "leite de cal". Este último é bom utilizar-se logo (do contrário há diminuição da eficácia desinfetante e detergente), passado sobre teto e paredes através de uma broxa (podendo, o piso pode ser assim limpo); utilizar luvas (cuidado com os olhos!) para evitar danos na pele se esta tem contato com o "leite".

    Os fundos das gaiolas não devem permitir o contato direto com os pássaros, colocando-se para tanto uma grade metálica; isto limita a difusão de certas doenças (tipo isosporose etc.). Pelo menos em dias alternados, o fundo laminar da gaiola deve ser bem lavado e desinfetado com borrifação de solução aquosa de sais Q.A. (10 ml/ litro d'água); depois recoberto com papel, o qual não deve ser impresso (o chumbo da tinta empregada na impressão é tóxico), de tipo absorvente. Muitos criadores usam a areia esterilizada sobre o fundo; mas isto não é aconselhável, sobretudo se não existir uma grade metálica, porque a areia absorve a umidade das fezes e da água de beber e do banho; nesta umidade desenvolvem-se bem germes patogênicos, fungos e coc­cídeos que provocam graves doenças. (N. do T. — informação complementar em ITALIA ORNITOLÓGICA n°. 3, março, 84, pág. 37;) depois de lavar bem o fundo metálico, se borrifa uma solução de sais Q.A., depois de colocar uma dupla folha de papel absorvente, previamente cortado nas dimensões do fundo; uma pressão com a mão faz absorver pelo papel a solução desinfetante; o papel sucessivamente se enxuga e mantém uma certa ação desinfetante. Alguns refutam o uso do papel, porque dizem que com o tempo sujam os pés dos pássaros e também os poleiros. Se isto acontece é porque não existe a necessária grade metálica.

 

     DIARIAMENTE É CONVENIENTE TROCAR A ÁGUA E DESINFETAR OS BEBEDOUROS

 

    A água de beber, com o tempo se suja e deixa acumular germes patogênicos e fungos. Eis a necessidade de se renovar a água todos os dias em um novo recipiente bem limpo e desinfetado. Certos criadores, para cada gaiola, têm dois bebedouros: um em uso e o outro é colocado, depois da utilização diária em um recipiente contendo uma solução de sais Q.A. No dia seguinte se renova bebedouro, água e também a solução.

    Dois terços do corpo do pássaro é constituído de água; este precioso líquido deve, assim, ser absorvido pelo organismo através da bebida e dos alimentos ricos em água (verdura, fruta). Além de ser um verdadeiro e próprio alimento, a água serve como veículo para vários medicamentos (antibióticos, quimioterápicos, vermífugos etc.) e integradores (aminoácidos, vitaminas etc.) que são facilmente absorvidos e assimilados pelo organismo.

    A água de beber deve ser potável, límpida, fresca, leve, arejada, imputrescível, inodora e de agradável gosto (ou seja,. não deve ter sabor desagradável, salgada, amarga, adocicada, de terra etc.). A água "dura", ou seja, rica de sais de cálcio e de magnésio, muito comum nas baixadas, são contra-indicadas porque facilitam o acúmulo de ateromas nas artérias (aterosclerose) e, com o tempo, prejudica sobretudo os pássaros mais sensíveis e às espécies que têm seu habitat em montanhas. (N. do T. — Sobre a água para o banho, o autor cita em seu livro I CANARINI ARRICCIATI, pág. 228): A banheira deve ser colocada na gaiola sempre que possível pela manhã ou no máximo nas primeiras horas da tarde. Logo que terminado o banho, a água deve ser retirada para evitar o inconveniente de beberem água suja. (N. do T. no livro I PLOCEIDI pág. 21 o autor recomenda: A água na banheira não deve ser profunda, para evitar-se afogamentos).

 

    ÁCAROS E INSETOS DEVEM SER EVITADOS

 

    Os insetos e os ácaros podem por­tar de fora germes e vírus patogênicos e, voando e passando de gaiola em gaiola, de um exemplar doente a um são, podem difundir doenças também gravíssimas. É necessário se colocar uma fina tela nas portas e janelas, ou em volta dos viveiros.

    O combate ao piolho (ácaro) vermelho (N. do T. — na revista ITALIA ORNITOLOGICA n°. 1, jan.'83- pág.38): Os poleiros ocos (N. do T. — de plástico, normalmente usados em toda a Europa), pela manhã, são batidos verticalmente, sobre uma folha de papel branco ou cinza (este último para melhor individualizar os ácaros que ainda não sugaram sangue): no sair um pó acinzentado (são os ácaros jovens, larvas ovos e adultos que ainda não sugaram sangue) e também ácaros vermelhos (que, na noite precedente sugaram pássaro). O papel deve ser dobrado e queimado. Repetir por diversos dias esta operação (sem colocar dentro do poleiro nenhum acaricida ou produto similar; isto para facilitar o refúgio matutino do ácaro e a conseguinte destruição já vista). Pode-se usar produto acaricidas no criadouro (FolbexF ® Penna-Piccioli) — durante 4 dias. Depois utilizar, preferentemente à tardinha, o spray "Disco-rosso®"-Candio. (N.T. — Piretrina 0,0025 e Rotenone 1 g ®) sobre os pássaros a uma distância de um metro, sobre a gaiola, molas, fundo de gaiola, sobre paredes e piso (retirar antes os comedouros e bebedouros, cobrindo-os com celofane, para evitar eventuais contaminações). Permitir aos adultos o banho diário, no qual se coloca 6 a 8 gotas de Lysoformio® (ou melhor, adquirir uma solução a 5% de Lysoformio ®, utilizando de meia a uma colher de tal solução); o Lysoformio ® tem uma certa ação acaricida. É conveniente que todo o local, depois de retirado as gaiolas, seja acuradamente borrifado com "leite e cal", a fim de fechar os pequenos orifícios Pode ser feito o tratamento com água fervente nas gaiolas e acessórios.

 

    EVITAR A PRESENÇA DE ANIMAIS ESTRANHOS NO CRIADOURO (Gatos, ratos, cães, etc.)

 

    Os ratos, além de provocarem danos diretos (comem grande quantidade de alimentos destinados aos pássaros, destroem ninhos e ovos, com freqüência agridem e matam os pássaros), podem difundir graves doenças infecciosas (salmonelose, ornitose, colibacilose, isosporose, cólera etc.).

 

    AMBIENTE

 

    Por ambiente se entende: os locais (área de criação, gaiolas, voadeiras internas e viveiros externos) e os fatores climáticos.

    Os locais podem ser considerados segundo os seguintes aspectos: localização, destinação e relação volume/exemplares.

    LOCALIZAÇÃO — O criadouro deve ser localizado longe de zonas poluídas, das chaminés das fábricas, das estradas de grande tráfico (pelo menos 1 km e meio) que sujam o ar, de zonas onde há muito barulho, das ferrovias, dos rios, de locais onde tem água estagnada e mal cheirosa, dos lugares muito úmidos etc. Nestas citadas situações negativas, os pássaros dificilmente podem reproduzir-se e atingirem unia boa criação de filhotes.

    Se se constrói um alojamento para os pássaros em um jardim ou outro lugar fora da casa, é bom se estudar a orientação entre os pontos cardeais.

    Os lados expostos de uma construção para os pássaros são aqueles abertos, ou seja, os lados com janelas e outros "vazios"; a janela deve ocupar cerca de 1/3 do local que ficará. A janela de maior dimensão deve ser orientada: — na região setentrional a melhor exposição é aquela do meio-dia ou entre o meio-dia e o poente; — na região meridional: se não muito quente (suficientemente ventilado ou a uma certa altitude) a exposição mais apropriada e a poente; se muito quente entre poente e anoitecer.

    Em linhas gerais, nas regiões de clima temperado, os lados maiores (as paredes mais longas) serão dispostos um para o este e um para o oeste de modo que os lados expostos à temperatura mais fria (norte) no inverno e mais quente (sul) no verão, tendo uma superfície inferior. Se se trata de um abrigo com lado aberto (ou que possa ser ao sul-sudoeste nas regiões setentrio­nais e a oeste nas regiões meridionais.

    Os filhotes devem ser alimentados nas primeiras luzes da manhã e a primeira luz se dá no setor este, ou seja aquele mais sujeito às baixas temperaturas e, assim, aquele mais contra-indicado. A localização dos pais (ou "amas-secas") com os filhotes deve ser onde houver pelo menos duas janelas: uma exposta para o este, ampla para favorecer a entrada de luz, com vidraça mantida sempre fechada, e uma exposta para o sul ou sudoeste para permitir a aeração do local. Assim temos indicado que: — os raios de sol atingem primeiramente os lugares expostos ao este, nos quais o ar e o chão se aquecem rapidamente e também esfriam logo devido que só recebem calor e luz até bem antes do entardecer; este setor não é, desse modo, indicado porque é muito sujeito à mudanças mais rápidas de temperatura. — Ao meio-dia (sul) a umidade é escassa (fato este positivo por múltiplos motivos) o aquecimento é mais gradual, a temperatura média diurna e a insolação são máximas. — Ao poente (oeste) a temperatura se eleva muito devagar (fato positivo), a insolação é pouca mas se mantém até o anoitecer, a temperatura média é pouco inferior daquela do setor do meio-dia. — No anoitecer (norte) ocorre a máxima umidade, a temperatura é inferior àquelas dos outros setores, a insolação é menor, tanto pela breve duração como pela intensidade.

    UMIDADE — Para se diminuir a umidade do ar se pode utilizar um dos seguintes artifícios: com o auxílio de um desumidificador apropriado, ou uma apropriada ventilação, evitando-se porém correntes de ar que atinjam diretamente os pássaros; se pode colocar sobre o chão vários recipientes ou blocos de cal viva (a cal absorve a umidade, porém deve ser renovada com freqüência). É necessário que o alicerce e as paredes da construção não permitam a infiltração (utilizar um material refratário à umidade).

    A LUZ — A luz age quer seja sobre o ambiente (ação bactericida dos raios ultravioleta) quer seja sobre os pássaros: facilita a forma amorosa dos reprodutores (isto se verifica na primavera pelo aumento seja das horas de luz, seja pela intensidade luminosa), o crescimento dos jovens, a construção dos ninhos, a alimentação dos filhotes pelos pais, um aumento da postura, a absorção de determinadas vitaminas.

    De qualquer modo unia boa iluminação e, possivelmente, a entrada na área de criação dos raios solares, melhora a condição ambiental dos pássaros e facilita os controles por parte do criador.

    Mediante a aplicação dos interruptores automáticos é possível se alongar as horas de luz artificialmente durante os curtos dias de inverno.

    Alguns criadores de canários domésticos, no intuito de antecipar o choco, utilizam aparelhos elétricos que dão amanhecer e entardecer artificialmente no campo da ornitocultura a aplicação de congêneres tem dado particulares benefícios; porém, com freqüência, devido à extrema dificuldade de se dosar com precisão a duração das horas de luz, são obtidos descondicionamentos dos reprodutores (desequilíbrio hormonal) e o aparecimento das "mudas de estresse" com conseqüente esterilidade.

    AERAÇÃO — Uma correta e periódica troca de ar é necessária seja com a finalidade de fornecer oxigênio e eliminar o anidrido carbônico e substâncias amoniacais, seja para regular a umidade e temperatura.

    DESTINAÇÃO DOS LOCAIS – Os locais podem ser subdivididos em: -  local para a reprodução, destinado aos reprodutores, desde o período de preparação dos reprodutores até o final da criação da prole; — local para os novos e repouso invernal onde são colocados os filhotes desde o início do período de separação dos pais e os adultos no final do período de reprodução até a escolha dos reprodutores para a sucessiva estação.

    Os ditos locais devem sofrer uma rigorosa limpeza, desinfecção e desinfestação periódica, tendo também uma adequada aeração e boa iluminação.

    RELAÇÃO VOLUME/EXEMPLARES — É indispensável se proporcio­nar o número de pássaros à área do ambiente no qual esses devem viver. Um número excessivo de pássaros reu­nidos em um espaço insuficiente acar­reta: a) aumento da taxa de bactérias no ar; b) deficiência de oxigenação e excesso de anidrido carbônico e de produtos da putrefação (amoniacal, indol etc.); c) umidade excessiva; d) au­mento da quantidade de pó em suspen­são no ar. Para cada pássaro (por ex. canário): 1 — no local para reprodução: 0,70 mc; 2 — no local para os novos e repouso invernal: 1 exemplar pa­ra cada 0,35 mc. Para pássaros superiores a 16 cm de comprimento: 1 — nos locais de reprodução: 1 exemplar para cada 0,85 mc; 2 — nos locais para os novos e repouso invernal: 1 exemplar para cada 0,45 mc.

    GAIOLA DE REPRODUÇÃO — A gaiola pode ser construída em fios de arame cromado com fundo laminar, tipo gaveta. A distância entre os fios po­dem ser de 11 mm para as espécies pequenas e 12,5 para espécies de dimensões médias (pássaros com 13 a 15cm de comprimento) e de 15mm para as espécies maiores de 16cm. As dimensões médias da gaiola são: a) 80x40x45 (pássaros com comprimento não superior a 16 cm); b) 90x45x50 (acima de 16 cm de comprimento). Certas espécies de pássaros necessitam, porém gaiolas de dimensões especiais.

 

    GAIOLA PARA MUDA E PARA REPOUSO ANUAL

 

    Todas as gaiolas devem ser de forma retangular (são contra-indicadas as gaiolas tipo "fantasia")porque facilita os movimentos naturais — "horizontais" — dos pássaros. A gaiola para muda e repouso anual, geralmente pode ser menor do que aquelas de reprodução. Porém é aconselhável, seja para os filhotes recém-separados dos pais, seja para os pássaros em muda ou no repouso anual, a adoção de grandes gaiolas, tipo voadeiras ou viveiros, sejam internas ou externas (sendo estes, protegidos). Realmente um bom exercício de vôo é necessário em todos os períodos diferentes do período reprodutivo; evita o domínio, que é sempre negativo. Todas as gaiolas devem ser construídas de maneira que permitam urna eficien­te limpeza, desinfecção e desinfestação.

    OS ACESSÓRIOS — Gaiolas, voadeiras e viveiros são munidos de acessórios apropriados: poleiro de madeira ou de plástico, comedouros de vidro, de plástico ou de cerâmica, bebedou­ros em vidro ou em plástico, porta-ração etc.

    Comedouros e bebedouros devem ser todos construídos em "plástico para alimentação" (assim como plástico de uso humano), porque certos tipos de plástico são contra-indicados e danosos dado que são possíveis contaminações devido à reação química entre o plástico e os alimentos ou água. Entretanto, atualmente são poucas as firmas que utilizam o "plástico para alimento", ou seja, aquele tipo de plástico inatacá­vel que, deve ser utilizado para conter alimentos para uso humano. Portanto, se possível, usar recipientes em vidro ou cerâmica. (N. do T. — sobre os bebedouros automáticos, o autor, em resposta à nossa consulta, publicou em ITALIA ORNITOLOGICA n°. 5 de 1983, pág. 28): Cada vez que se deseja adotar na criação uma "novidade técnica" é INDISPENSÁVEL se examinar todos os PRÓS e CONTRAS e, com isso se chegar a uma devida conclusão. Os aspectos positivos (PRÓ) do BEBEDOURO AUTOMÁTICO provido de uma válvula são: economia de mão-de-obra em uma criação intensiva (troca de água, lavagem etc.), economia de tempo, redução do contato da água com o ar. Pelo que concerne aos aspectos negativos (CONTRA): impossibilidade de efetuar-se administração de medicamentos (antibióticos etc.) e com integradores (vitaminas etc.) porque as partículas desprendidas, sendo eletrostáticas, aderem à tubulação e dificultam o funcionamento da válvula; diminuição do fluxo da água ou a válvula fica gotejando e as gotas, caindo sobre o fundo da gaiola, mantém um ambiente úmido o que favorece o desenvolvimento de doenças (bactérias, vírus, e fungos encontram um ambiente ideal para reproduzir-se enormemente).

Entre os acessórios são úteis os divisores em grade, em vidro opaco (ou mesmo transparente) ou plástico grosso; é bom que os fundos das gaiolas, tipo laminar, não possam ser alcançados pelos bicos dos pássaros e isto é possível se colocando acima desse forro uma grade metálica de fios de arame eletrossoldados, com dimensões a impedir a passagem da cabeça do pássaro, numa distância (entre a grade e o forro) de pelo menos 3cm.

    NINHOS E PORTA-NINHOS — Os pássaros, na natureza, constroem seus ninhos nas copas e nas bifurcações dos ramos das árvores, entre as moitas etc. Deveria se fornecer a cada espécie, se possível, o mesmo material de ninho que eles utilizam em liberdade. No co­mércio são disponíveis ninhos de vime de várias dimensões, apropriados para cada espécie: existe, também, uma gama de porta-ninhos em arame que se coloca na parte exterior da gaiola. Os porta-ninhos podem também ser colocados na parte interna da gaiola de criação. Quando em voadeiras ou viveiros, devem ser colocados sempre na parte interna. Para criação de certas espécies, o ninho pode ser mascarado com ramos naturais ou artificiais (em plástico); isto facilita a tranqüilidade do choco dos ovos e da alimentação aos filhotes.

 

    TÉCNICA DE CRIAÇÃO

 

    Os pássaros podem se reproduzir: em gaiolas voadeiras e viveiros. Os exemplares domesticados se reproduzem bem em gaiola dispostas no sistema de "baterias", providas de grade que impede o contato direto dos pássaros com o fundo laminar (isto previne várias doenças). Os exemplares semidomesticados ou selváticos podem ser dispostos em um sistema de voadeiras seguras (em cada voadeira um casal, ou dois ou três casais de espécies diferentes não agressivas: dimensões 1 x 2 x 2 m; no interior se coloca um vaso com planta ou ramos de folhas resistentes) e sempre observar um modo para que os pássaros não lutem entre si, se ferindo. Nos viveiros externos, que devem ser construídos com muito critério, deve-se colocar entre os ramos e galhos, porta-ninhos de vime ou de metal

 

    ESCOLHA DOS REPRODUTORES Os reprodutores são escolhidos na base da avaliação morfológica, genéti­ca, funcional e sanitária. Os reproduto­res de raças domésticas devem, o quan­to mais possível, serem similares ao pa­drão previsto para cada raça.

 

    ACASALAMENTOS Na época precedente à reprodução, submetemos os reprodutores, gradualmente, à uma alimentação substanciosa, digerível, rica de substâncias protéicas, vitamínicas e minerais. Muito útil é a administração, através da água de beber, de complexos vitamínicos solúveis. Um mês antes do início dos acasalamentos, além desses complexos vitamínicos, em dias diversos, administrar, sempre através da água de beber, vitaminas A-D3-E que favorecem o funcionamen­to dos órgãos reprodutores e à fertilidade (4 gotas, a cada 2 dias). Na gaiola de criação, geralmente se coloca inicialmente a fêmea e, uma semana depois o macho (melhor utilizando-se a divisão da gaiola, pois assim com a separação podem se familiarizar, regurgitando alimento no bico da fêmea por parte do macho e outras manifestações típicas de cada espécie, que indicam que os dois exemplares estão reciprocamente se aceitando — assim se retira a divisória).

    Os acasalamentos fixos são melhores, pois a fêmea, em certos casos sem a presença do macho abandona o choco; certos machos, enamorados da pró­pria fêmea, não aceitam os cruzamen­tos com outras fêmeas etc.

    Nos "Serinus", salvo exceções, o ciclo vital é o seguinte: deposição do primeiro ovo cerca de uma semana após o cruzamento (depois de posto o primeiro ou segundo ovo, o macho pode ser retirado porque geralmente estão fecundados também os ovos sucessivos desta chocada; o afastamento do macho se faz com alguma freqüência porque ele pode perturbar a companheira no choco e também destruir ninho e ovos, ou pior, matar os filhotes; nem todos os machos se comportam assim; muitos, pelo contrário, demonstram-se primorosos companheiros e pais); a fêmea inicia o choco no terceiro ovo deposto (a postura acontece geralmente nas primeiras horas da manhã); duração do choco: 13 a 14 dias; na idade de 14 a 20 dias geralmente os filhotes deixam o ninho; por cerca de 3-4 semanas da saída do ninho os jovens são alimentados pelo macho ou por ambos pais (neste período, com freqüência, a fêmea prepara uma nova ninhada e gradualmente se desinteressa desses filhos que se tornam independentes. Nos viveiros é mais difícil controlar os cruzamentos. É bom ter-se sempre à disposição canários domésticos tipo "ama-seca", saudáveis, habituados a alimentarem-se com rações ricas de proteínas; eles servem para criar filhotes eventualmente abandonados ou relaxados. Na falta de "ama-seca" se pode tentar a criação à mão, um trabalho árduo e complexo.

 

    O CHOCO — Por cerca de 13-14 dias a fêmea choca, alimentada pelo macho se este é deixado em sua companhia. É conveniente também deixar os ovos que na observação contra a luz se mostraram claros (infecundos); eles servem aos filhotes, seja como apoio, seja para suportar o peso da mãe. E conveniente evitar-se mais de três ninhadas num mesmo ano, para não explorar os reprodutores. Entre os 18-20 dias de idade dos filhotes, a fêmea geralmente começa a construção do novo ninho e a uma nova postura.

 

    O NASCIMENTOQuando o embrião está totalmente desenvolvido, pica a casca com um "dente córneo" situado na ponta do bico e, entre uma pressão efetuada com os músculos da parte dorsal do pescoço, quebra uma parte da casca. Em um ambiente suficientemente úmido (é conveniente, pouco antes e durante a abertura do ovo, oferecer-se banho à fêmea) a casca se destaca completamente (em um ambiente seco a casca adere ao corpinho e isto oferece mais dificuldades para o filhote, acontecendo certas vezes a morte por incapacidade de abrir a casca).

 

    A SEPARAÇÃO DOS PAIS ou "DESMAME" Em linhas gerais, com a idade de cerca de 4 semanas os filhotes iniciam a alimentar-se sozinhos conseguindo gradualmente a completa independência. Neste ponto podem ser separados dos pais. É conveniente fornecer-se a estes pequenos pássaros alimentos um tanto digerível e altamente nutritivos, quando não uma dieta muito variada (ração, verduras, frutas, mistura de sementes e vários integradores: areia, complexos vitamínicos e minerais etc.). A separação dos pais é um período muito delicado e o criador deve dedicar aos filhotes muito cuidado: alojamentos limpos e espaçosos, evitar as aglomerações, várias horas ao dia colocá-lo sob os benéficos raios solares (com possibilidade de escolherem a sombra), banho, ar, luz em abundância. Nos primeiros 5-6 dias da separação dos pais os filhotes são submetidos à "crise do desmame" e devem poder alimentar-se em abundância e em plena luz. Superada esta crise, os filhotes considerados "desmamados" são postos em ampla voadeira ou viveiro, extremamente limpo e periodicamente desinfetado e desinfestado. É indispensável evitar-se o aglomeramento (isto desencadeia brigas, debilidades graves e freqüentes mortes); adotar um número adequado de comedouros amplos (fácil acesso) e de bebedouros. É conveniente adotar bebedouros tipo sifão, que mantêm a água mais limpa e, por outro lado, se evita o peri­go do afogamento (não comum nas banheiras que têm um nível de água não superior a 1 cm). É sempre oportuno se colocar sobre o fundo do viveiro uma grade metálica que impede o contato direto com o fundo (isto para prevenir várias doenças).

 

    DIFICULDADE PARA DEPOSIÇÃO DO OVO — A fêmea, em condições normais, põe o ovo geralmente antes das 9 horas da manhã. Em certos casos pode acontecer que, por causas diversas (carência de substâncias calcáreas — osso de siba, areia calcárea; carência de sais de cálcio, de fósforo e de magnésio; resfriamento súbito; distúrbios do aparelho reprodutor etc.), a fêmea não consegue pôr o ovo. Nesta ocasião ela fica no ninho ou sobre o fundo da gaiola (ou do viveiro), com a plumagem fofa, com respiração resfolegante, cabeça sob a asa, asas caídas, em evidente estado de sofrimento. Presa na mão, constata-se que o ventre está aumentado de volume, avermelhado, duro à palpação (com evidente pre­sença de ovo). Pode-se salvar o pássaro se intervindo prontamente com um ou mais dos seguintes remédios:

1 — Colocar, em uma bolsa de borracha, água muito quente em quantidade tal que permita, uma vez baixada sobre um plano, a formação de uma cavidade; nesta cavidade se coloca um pano (ou mais, de modo a evitar que o pássaro se queime) umedecido com água quente onde se colocará a fêmea por cerca de 15 a 20 minutos. Feito isto a fêmea é colocada no ninho (aquecido anteriormente com uma lâmpada ace­sa); 2 — Antes de se fazer como o indicado anteriormente, pode-se praticar, sobre o abdome da fêmea, algumas leves fricções com óleo morno; 3 — Certos criadores antes borrifam o ventre com água fria e, depois, praticam as massagens com óleo quente; sucessivamente a fêmea é colocada em um ninho bem quente, ou então envolta em uma camada de algodão umedecido; 4 — Através de um conta-gotas plástico, de ponta arredondada, se pode introduzir na cloaca algumas gotas de óleo morno, evitando-se porém de se introduzir excessivamente para não provocar lesões ou ruptura do ovo; pratica-se depois algumas fricções; 5 — Sobre um recipiente cilíndrico, de diâmetro de cerca de 10cm, contendo água fervente, se coloca um pano limpo e dobrado (para evitar queimaduras); nessa concavidade colocar a fêmea durante cerca de 15-20 minutos colocando-a após no ninho previamente aquecido. Alguns introduzem na cloaca uma cabeça de alfinete untada de óleo ou outros instrumentos puntiformes; isto se deve evitar absolutamente, porque são fáceis de lesionar seja a cloaca ou seja o ovo (se isto acontece, a fêmea morre com peritonite). Outros rompem o ovo com pressão externa: só em raros casos, o ovo roto vem a ser expulso sem danos; ao contrário, normalmente, as pontas da casca lesam gravemente a cloaca com conseqüente peritonite mortal. Alguns criadores, depois de repetidas fricções com óleo morno, delicadamente, com o polegar e o indicador, efetuam pressões sobre o esterno a fim de fazer sair a cloaca e, depois, o ovo; sucessivamente a cloaca, desinfetada com pomada de penicilina (ou outro antibiótico), vai sendo recolocada para dentro utilizando-se um objeto liso com ponta arredondada (ou mesmo a ponta arredondada de um conta-gotas): esta operação não é isenta de complicações e, neste caso, deve ser feita somente por pessoa experiente. Outros criadores asseguram que, misturando-se às sementes algumas gotas de óleo de fígado de bacalhau (atenção para que tudo não fique rançoso!), se resolvem os problemas de retenção de ovos, principalmente nas espécies pequenas. Busca-se prevenir estas dificuldades fornecendo às fêmeas, já an­tes do acasalamento, areia calcárea e osso de siba em abundância, quando não sais minerais em um recipiente apropriado ou, no ato da administração, misturando-se à ração; além disto, vitaminas A-D3-E ou um bom complexo vitamínico.

 

    A ESTERILIDADE DOS REPRODUTORES

 

    As causas da hipofertilidade ou esterilidade dos reprodutores são diversos; recordemos o seguinte: falta de atingir a completa forma amorosa dos dois sexos, infertilidade do macho (devida a muitas causas, das quais: imaturidade sexual, desequilíbrio endócrino, tara hereditária, debilidade congênita, tumores de testículo, carências alimentares etc.) — infertilidade da fêmea (imaturidade sexual, desequilíbrio endócrino, tara hereditária, debilidade congênita, carências alimentares, debilidade causada por um número excessivo de posturas anteriores, doenças de tipo inflamatório entre as  quais ovidutidite, ovarite, cloacite, tumores ovarianos etc.) — alimentação errada, ambiente inidôneo (pouca luz, pouco oxigênio no ar, ambientes estreitos, aglomeramento excessivo, "estresse" ambiental, erros de condução por parte do criador, excesso ou deficiência de umidade etc.) — muda fora de estação ou "muda de estresse" — anomalias do aparelho reprodutor e malformações de caráter genético — saúde comprometida — medicamentos utilizados desaconselhadamente (por ex. alguns medicamentos em excesso bloqueiam a atividade sexual).

 

    OS OVOS CLAROS

 

    As mencionadas causas de esterilidade dos reprodutores levam à impossibilidade da fecundação do óvulo por parte do espermatozóide. Entre as causas que provocam o fenômeno do "ovo claro" citamos também as seguintes: impossibilidade mecânica da cópula (falta da extroflexão da cloaca da fêmea, poleiros mal fixados e oscilantes ou colocados muito alto, próximo ao teto da gaiola, sendo o espaço insuficiente para permitir o desenvolvimento da cópula, fêmeas excessivamente gordas, penas muito longas como na raça dos frisados ou grudadas por fezes ressecadas etc.) — disparidade mecânica (cruzamento impedido pela diferença de estatura, espermatozóide de uma espécie ou de outra raça, porque este tem um microfilamento muito pequeno ou a membrana muito resistente etc.) — disparidade química (incompatibilidade química entre os dois pro-núcleos, macho e fêmea, que não se fundem no ato da fecundação ou não dão logo as células germinais capazes de completar a maturação; ou pH muito diferente entre aquele do esperma e aqueles das se­creções da via genital feminina e isto forma um bloco (aglutinação) dos espermatozóides impedindo sua cami­nhada ao óvulo; isto se verifica mais entre espécies e raças de pouca afinidade etc.) — disparidade ética (impossibilidade de fecundação entre espécies e raças que possuem costumes diversos ou que amadurecem seus produ­tos genitais em épocas diferentes; ex. muitas fêmeas de "Serinus" não aceitam o complicado cortejamento de machos de muitas espécies indígenas, ou canários não podem acasalar-se com certas espécies exóticas pouco afins, devido entrarem no cio em épocas diferentes etc.) — a luz artificial prolongada (acarreta com freqüência um descondicionamento hormonal entre os reprodutores com conseqüente hipofertilidade ou esterilidade) ou mais intensa ou mal aplicada — a forte carência de oxigênio (um local pequeno ou aglomerado de muitos pássaros com insuficiente renovação do ar provoca carência do oxigênio e isto causa a morte dos embriões no ovo) — carências alimentares (carência de vitaminas, sobretudo A, D, E, B. e Biotina; carência de proteínas e de determinados ami­noácidos; carência de minerais etc.) — Ondas de frio ou calor excessivo.

    Existem também as seguintes causas de falta de fecundidade:

    1 — Vírus (ex. vírus que causam bronquite os quais podem também fa­zer surgir peritonite do oviduto e fenômenos antiperistálticos contrários aos normais movimentos do ovo que nesta posição para trás fica bloqueado com conseqüentes danos ao ovário e ao intestino etc.). 2 — Salmonela (ex. a "Salmonella pullorum" que provoca graves danos generalizados como a contaminação do ovo no nível de oviduto etc.). 3 — Coli (que causa a gravíssi­ma "Colibacilose" que age nos casos de erro de condução, debilidade orgâ­nica por vários motivos, por mais frio ou excesso de calor e de umidade etc. ou por sustos, rumores imprevistos; todas causas estressantes que provocam os ataques das numerosas variantes dos "coli"). 4 — Micoses (as quais a Aspergilose e doenças causadas por outras espécies de fungos; por ex. o Aspergillus se introduzem nos pulmões e envolvem com seus micetos e Ninfas porque o fungo precisa de oxigênio; assim invadem os sacos aéreos e sucessi­vamente os testículos e ovários). 5 — Alimentos mal conservados, alterados ou mofados (ex. as sementes oleosas mal conservadas causam a formação de substâncias tóxicas — peróxidos — que destroem também as vitaminas lipossolúveis; rações ou sementes com pó e mofadas provocam a formação de graves micoses etc.).

 

    CAUSAS DA MORTALIDADE DOS EMBRIÕES E DOS FILHOTES

 

    Muitas das causas de esterilidade dos reprodutores e dos ovos claros são próprias que permitem a mortalidade dos embriões na casca e dos filhotes de diversas idades. Entre as várias causas de mortalidade recordemos as seguintes: a — FATORES DE ORIGEM ALIMENTAR — pouca e má nutrição — troca brusca da alimentação — carência de proteína, aminoácidos, vitaminas e minerais — ração do ovo imprópria, rançosa ou mofada — substâncias tóxicas na água ou nos alimentos — excesso de óleo de fígado de bacalhau na ração ou nos alimentos-verduras e alimentos vários envenenados com inseticidas etc.

    B — FATORES HEREDITÁRIOS: consangüinidade estreita — debilidade congênita dos embriões e dos filhotes — fatores sub-letais ou letais etc.

    C — FATORES AMBIENTAIS: ninho muito pequeno (sufocamento) ou muito grande (resfriamento, debilidade causada pela fadiga do filhote pelos escassos pontos de apoio) — espezinhamento por parte dos irmãos mais fortes e mais velozes no receber a alimentação — material do ninho pouco poroso e impróprio ou deficiência de umidade — achatamento por parte dos pais (ocorre com mais freqüência se no ninho só existe um filhote) — barulhos fortes e imprevistos — correntes de ar etc.

    D   — FATORES INFESTANTES: ácaros, piolhos etc. (que sugam o sangue dos filhotes, levando a unia morte rápida) — protozoários etc.

    E   — FATORES INFECTANTES: as várias doenças infectantes dos embriões e dos filhotes (por ex. Colibacilose, Salmonelose, Vírus etc.).

 

     OS ANTICORPOS DOS FILHOTES E FATORES DESCONHECIDOS DO CRESCIMENTO

 

    O embrião e, por conseguinte, o filhote herda da mãe determinados anticorpos (substâncias protéicas produzidas pelo organismo por reação à introdução de antígenos; são antígenos os agentes infectantes, tal qual as bactérias patogênicas etc.), ditos também imonoglobulina. Estes anticorpos têm a função de combater os agentes infectantes (ou seja, os agentes que provocam a doença) e de defender o organismo dos ataques deles. Existem, para cada espécie, os anticorpos específicos os quais podem ser herdados dos embriões ou transmitir-se aos filhotes exclusivamente pelos genitores e, em muitos casos também de pássaros pertencentes à própria espécie dos pais. Eis porque é recomendável se criar os filhotes pelos próprios pais ou, na falta destes, por indivíduos pertencentes à própria espécie. Em caso contrário poderá ocorrer uma notável mortalidade dos filhotes e os exemplares sobreviventes serão mais debilitados e de tamanho menor (assim se explica a degeneração e os enfraquecimentos de várias linhagens de Diamante de Gould e outras espécies de pássaros criados exclusivamente por "amas-secas" pertencentes à outras espécies), os quais darão origem a uma prole sempre de saúde mais precária e doentia com estatura que gradualmente fica sempre menor com o passar do tempo. 0 próprio fenômeno (mortalidade elevada dos embriões e dos filhotes, enfraquecimento e linhagem doentia) ocorre também se os filhotes venham ser criados por "ama-seca" pertencente a raças um tanto diversas. Efetuamos, por longos anos, acuradas experiências com criação de numerosas espécies ou raças de pássaros feitas por "amas-secas" pertencentes a outras espécies ou raças pouco afim. Sempre foi cons­tatado que as várias linhagens, criadas exclusivamente através de "amas-secas", gradualmente, com o passar dos anos, se tornaram debilitados e com freqüência degenerados (baixa fertilidade, estatura sempre menor, cabeça estreita, dificuldade nos cruzamentos dos exemplares com indivíduos pertencentes à própria espécie ou raça causando o fenômeno do "imprinting" segundo o qual o pássaro prefere acasalar-se com indivíduos pertencentes à mesma espécie ou raça ela "ama-seca". Destes experimentos se constatou a existência de anticorpos familiares; trata-se de anticorpos que só os pais podem transmitir à sua prole e estes anticorpos da "família" sempre têm uma ação mais benéfica e mais ativa do que aqueles fornecidos por outros exemplares (não genitores) pertencentes à própria espécie ou à própria raça.

    A "papa" dos pais (obviamente saudáveis e robustos), ou seja, o assim dito "leite", é um alimento altamente nutritivo, de fácil assimilação e riquíssimo de anticorpos "familiares", além de "específicos", os quais permitem, por parte dos filhos, um maior resistência aos ataques dos agentes infectantes (doenças bacterianas e virais); além disto o "leite" contém particulares substâncias, chamadas "fatores desconhecidos do crescimento" (fatores vitamínicos e protéico dos quais também não se é conhecido certas de suas características constitucionais) que favorecem o crescimento do filhote. Obviamente um pardal do Japão (ou uma "ama-seca" de canário frisado pertencente a uma raça pouco afim) terá um "leite" com anticorpos "específicos" (ou seja pertencentes à própria espécie), anticorpos "familiares" e "fatores desconhecidos do crescimento" muito apropriados aos próprios filhos (p. do Japão); menos apropriados aos filhotes de outros exemplares da própria espécie (sempre pardal do Japão) porque não podem utilizar os anticorpos "familiares"; pouco ou quase nada apropriados a outra espécie (ex. Diamante de Gould) porquanto estes últimos não podem usufruir de todas as características dos anticorpos e de crescimento utilizáveis só aos filhotes de pássaro do Japão.

     Concluindo: os filhotes se desenvolvem melhor se criados pelos próprios pais, um pouco bem se criados por "ama-seca" pertencente à mesma espécie ou raça à qual pertencem, e mal se criados por "ama-seca" pertencente a outra espécie ou raça, sobretudo se com pouca afinidade.

 

    A CRISE DO 4°.-8°. DIA

 

    Foi mencionado o fato de que o embrião pode herdar na gema do ovo (ou seja, da mãe) também determinados anticorpos. Ao nascer o filhote porta, no abdome, resíduos da gema os quais são gradualmente absorvidos entre o 4º e 8o  dias de vida. E observá-lo neste período que o organismo do filhote entra em crise quando, com o desaparecimento dos resíduos da gema desaparece também a ação de anticorpos herdados da mãe. Entre o 4°. e 8°. dias (segundo filhotes de várias espécies e resistência individual) o filhote é privado dessa ação imunitária (devida aos anticorpos) e deve iniciar uma sua imunidade formando anticorpos próprios.

 

     GIORGIO DE BASEGGIO

 

     Tradução de Pedro Salviano Filho

 

Este texto não pode ser reproduzido sem a autorização expressa do Autor.

© Revista SOL - Julho de 1984


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