N°.
60 Marzo 2001
O
comitê para recuperação da Ararinha-azul-de-Spix será reestruturado
De
16 a 20 de fevereiro de 2001 o Governo brasileiro convocou em Brasília uma
reunião extraordinária do Comitê Internacional Permanente para a Recuperação
da Ararinha de Spix (CPRAA), em reposta as desenvolvimento que o programa
experimentou desde a última reunião em Houston, em setembro de 1999. A Fundação
Loro Parque do representada no congresso por seu presidente, Wolfgang Kiessling
e seu diretor, Yves de Soye. A desconformidade dentro do CPRAA levou os
representantes da agência de maio ambiente do governo, IBAMA, a dissolver e
reestruturar o Comitê. Dentro de uns poucos meses o IBAMA estabelecerá uma
nova estrutura e novas direções para dirigir o esforço de recuperação.
Como
se explicou na edição anterior de Cyanopsitta, o governo do Brasil
convocou uma reunião extraordinária por várias razões. Primeiro, porque o
principal possuidor de ararinhas de Spix em cativeiro, Antonio de Dios (Birds
International Inc., Filipinas) havia enviado, sem consultar o Comitê, quatro
aves para as instalações de criação em Quatar, cujo dono é o Xeque Saud-Al
Thani. Isto aconteceu somente uns meses antes da reunião anterior da CPRAA em
Houston (EEUU). Até então as ararinhas de Spix do Sr. de Dios haviam sido
postas à venda nos EEUU e Europa. Repetidas petições do IBAMA para redigir um
informe sobre o incidente, Natasha Schischakin, foram desatendidas, apesar dela
ter sido informada sobre o traslado para Quatar e visitou as instalações do
Xeque Al-Thani. Além disso as cinco aves selecionadas na reunião de Houston
que o senhor de Dios tinha supostamente que proporcionar para o programa de
reintrodução não se chegou a trasladar para o Brasil e nesse tempo
transcorrido ficaram muito velhos para serem libertados.
É
importante destacar que tem sido unicamente desde a reunião de Houston, em
setembro de 1999 quando, pela primeira vez, a população em cativeiro tem sido
considerada suficientemente grande para administrar aves para sua reintrodução.
Isto é, que somente depois de setembro de 1999 os possuidores particulares têm
recebido pedidos para que suas aves tenham que ser fisicamente devolvidas para o
Brasil. Agora parece que, por fim, o senhor de Dios decidiu fazer-se
progressivamente independente. Na recente reunião de Brasília ele propôs
(através do seu representante Friedrich Janeczek) que os possuidores deveriam
ter o direito de manejar suas aves e distribuí-las a novos núcleos de criação
de uma maneira totalmente independente. Propôs um mínimo de 10 núcleos cada
um com um mínimo de quatro casais de criação. Na opinião dos membros da
Fundação Loro Parque, este projeto permitiria aos possuidores vender um grande
número de aves a centros de criação escolhidos por eles, com o correspondente
benefício econômico. Parece inaceitável que ararinha de Spix tenham que ser
vendidas a um grupo mais amplo de avicultores os quais não tenham a obrigação
de considerar a conservação de espécies como sua primeira e decisiva
prioridade.
Roland
Messer, que em 1999 se converteu em um membro do comitê depois de comprar 15 de
umas 20 (declaradas) ararinhas de Spix possuídas por Joseph Hämmerli, na Suíça,
informou ao CPRAA que as aves restantes foram vendidas a dois criadores
adicionais: Adolf Indermauer e o Sr. Itten. Nenhum dos quais está colaborando
com o CPRAA.
O
CPRAA esclareceu que o traslado de quatro ararinhas de Spix de Filipinas para
Quatar constituía uma violação do acordo que o sr. De Dios firmou com o
governo do Brasil. O Comitê se viu forçado a discutir se, e sob que condições,
se poderia aceitar uma petição por parte do xeque Al-Thani para ser membro do
CPRAA. Várias partes, incluindo os representantes do IBAMA estavam a favor da
petição de que a propriedade das aves deveria devolver-se governo do Brasil. O
Sr. Janeczek e a Sra. Schischakin, pelo contrário, argumentavam que se deveria
fazer membro do CPRAA o xeque sem impor nenhuma condição, já que isto
estabeleceria um precedente inaceitável para os outros possuidores de aves. O
debate sobre este aspecto, e também a atitude independente tomada pelo sr. de
Dios, finalmente conduziu aos representantes do IBAMA a decidir que o comitê de
recuperação necessitava ser reestruturado.
A
população em cativeiro se depara agora com uma situação crítica, é inaceitável
que qualquer fêmea fértil esteja desparelhada durante qualquer período de
tempo, principalmente levando-se em conta que a velha fêmea do da FLP parace
aproximar-se do final do ciclo reprodutivo. Os representantes da Fundação Loro
Parque enfatizaram na reunião que a recnte morte do macho velho que se mantinha
nas instalações foi o resultado de um processo natural de envelhecimento, como
foi mostrado num exaustivo exame médico.
A
Fundação Loro Parque tem contribuído ao longo dos anos com US$ 600.000 para o
programa de recuperação, mostrando com isto que tem a mais alta prioridade
entre seus programas de conservação. A ararinha de Spix é também o logotipo
da Fundação. A Fundação se identificou totalmente com o programa, devolveu a
propriedade das suas aves ao governo do Brasil, proporcionou conselhos e
recursos econômicos ao longo de muitos anos e em todos os demais aspectos atuou
honestamente e com boa fé. Infelizmente, a última reunião do CPRAA mostrou
uma falta de consideração a todos esses esforços. Os representantes da FLP
sentiram que haviam sido tratados descortesmente e de forma injusta pela Sra.
Schischakin particularmente, e regressaram da reunião sentindo-se ofendidos e
humilhados.
Por todas razões acima mencionadas, a Fundação Loro Parque está revisando a sua posição. Até que o Comitê de recuperação seja reformado significativamente, e se estabeleça um compromisso com os princípios de clareza, transparência, justiça e adesão às regras acordadas e aos procedimentos, a Fundação não participará mais. A Fundação Loro Parque está, portanto, esperando a nova estrutura que será estabelecida pelo IBAMA, o mesmo que as recomendações finais sobre o traslado das aves para formar novas parelhas criadoras.
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